quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Ano Novo

Ano Novo
De muita alegria
saúde
esperança.

Tudo no mundo é energia.

Então

Troquemos nossas energias.
Que elas se entrelacem
trazendo paz e união.
Façamos nossas orações
para um mundo melhor
onde findem as guerras
os desentendimentos
a discórdia
a miséria
as mazelas.
Que todos possamos
nos dar as mãos
para nos fortalecermos
e nos tornarmos seres cada dia melhores.
Que a compreensão reine aliada ao amor
trazendo a todos muita saúde, paz, luz e harmonia.



© Márcia Sanchez Luz

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Fim de Ano, Natal e Ano Novo

Que todos, neste Natal, possamos nos unir em busca de paz e luz, alegrando os corações dos homens.
E que 2008 seja um ano de realizações e alegria para a humanidade.

Leila Míccolis, em prosa


RECUERDOS DO CEARÁ

Leila Míccolis


Em 1977, deixei a advocacia cheia de garra pela literatura, Ágape que até hoje não perdi, embora seja um pouco mais moderada do que há vinte e dois anos. Logo no ano seguinte, em 1978, Wladyr Nader, da então heróica Revista Escrita (SP), encomendou-me pela sua Editora Vertente, uma antologia com poetisas "não-alinhadas", ou seja, escritoras que não estivessem satisfeitas com a situação do mundo nem com a própria condição feminina. Reuni dez "Mulheres da Vida", título polêmico, próprio para mulheres que estavam na vida, questionando diversos aspectos sociais. O título, severamente criticado por direitistas, por esquerdistas tradicionalistas e até por centristas pseudo-moralistas, foi muito bem compreendido pelo público, que o interpretou corretamente, sem conotações depreciativas, como, aliás, eu previra mesmo que o fizesse.
Lancei a antologia no Rio de Janeiro e em várias capitais nordestinas, inclusive Recife e Natal. Quando cheguei em Fortaleza, nenhuma livraria queria aceitá-lo. Estávamos ainda sob o tacão da repressão e os livreiros receavam que a polícia aparecesse e fizesse das suas costumeiras gentilezas: invadisse a loja selvagemente, batesse nas pessoas, rasgasse livros, revirasse todas as prateleiras, instalasse o pânico. Ninguém queria correr este risco por lá. Para piorar, um jornalista que ouviu cantar o galo, mas não sabia onde (no caso, não lera o livro mas queria parecer bem informado), resolveu escrever que "Mulheres da Vida" era um relato autobiográfico de dez prostitutas. Eitcha! Aí danou-se tudo, fecharam-se de vez as portas de livrarias, pois todas eram muito decentes, de boa família e de fino trato.
Liguei para minha amiga Socorro Trindad, em Natal, uma das integrantes do livro (as outras eram: Norma Bengell, Isabel Câmara, Maria Amélia Mello, eu, Eunice Arruda, Aninha Franco, Many Tabachinik, Glória Perez e Réca Poletti). Relatei minha dificuldade e, depois de pensar um pouco, ela me sugeriu: "bom, se estão falando isto de nós e se as livrarias não aceitam o livro, então lance-o num prostíbulo"... Gostei da idéia. Dirigi-me a uma casa que achei simpática, nas imediações da Praça São Sebastião, e fui muito bem recebida lá. Maria Loura deu-me todas as facilidades para a realização do meu projeto, e, alguns dias depois, autografei o livro no Cabaré Estrela do Oriente.
O que devia ser lançamento, passou a ser algo diferente, inusitado, novo, com significados simbólicos: uma espécie de manifesto cultural, um ato de veemente protesto, chamando a atenção da mídia para o evento. Resultado: todos os jornais e televisões cobriram a "ousada manifestação cultural" e nunca tive um lançamento fora do Rio de Janeiro com tanta gente (inclusive foi lá que conheci Paulo Veras, saudoso parceiro, depois, no livro "Maus Antecedentes"). A intelectualidade em peso esteve presente, e também inúmeros políticos, que "hipotecaram sua solidariedade à nobre causa" literária. Vendi tanto livro que os exemplares que levei não foram suficiente; acabei vindo com mais de cento e cinqüenta encomendas pagas adiantadamente, mesmo os compradores sabendo que só receberiam o seu exemplar quase quinze dias depois, quando eu retornasse ao Rio.
O mais bonito de tudo, porém, foi a atitude da dona do bordel. Ela se sentia muito contente pelas altas personalidades em seu estabelecimento, é claro, mas estava mais comovida ainda pelo livro em si, por escritoras de nome não terem tido medo de serem "confundidas com elas". Eu raramente vi alguém pegar um exemplar com tanta consideração, com tanto respeito. Também raramente vi alguém ter uma interpretação tão simples e tão adequada de meus poemas. Era uma fase em que eu, propositadamente, queria chocar os bem-comportados, sacudir-lhes os ombros, e não media palavrões para agredir os puritanos. Pois ela, sem se importar com as palavras "de baixo calão" (afinal, costumava ouvi-la todas às noites justamente dos bem-comportados e dos puritanos), passou por elas com a maior naturalidade e se deteve no cerne da mensagem, que elas conheciam, na própria pele: o questionamento da condição feminina.
Maria Loura estabeleceu as "medidas de exceção" que achou compatíveis com a ocasião solene: a primeira delas foi a ordem expressa para que nenhuma de suas meninas trabalhasse, o que desmontou a imagem que tinham me dado, de que elas fossem extremamente interesseiras e mercenárias... Aquelas pelo menos, se fossem, teriam muito bem aproveitado a chance de triplicarem os lucros pela grande freguesia interessada nelas, já que o programa era insólito: compre um livro e leve uma menina... No entanto, todas diziam não. Trabalho, naquela noite, só de garçonetes, servindo as mesas, de copeiras, lavando a louça... Depois, Maria Loura continuou me supreendendo quando não aceitou o percentual da venda do livro, combinado anteriormente. Alegou que o consumo de comes e bebes fora mais do que suficiente, lucrara com isso e, principalmente, com a propaganda; por fim, no final da noite, ainda sentou-se com suas meninas e varou a madrugada me contando histórias, de alegria, de dor, de decepção, de esperança, e todas me tocaram profundamente, mudando em muito a imagem que eu tinha da "profissão mais antiga do mundo"....
Hoje, ao lembrar-me de Maria Loura e suas meninas do Cabaré Estrela do Oriente vem-me a mente a letra de Chico Buarque de Hollahda, em "Umas e Outras", quando uma freira e uma prostituta cruzam a mesma rua: "Mas toda santa madrugada/ quando uma já sonhou com Deus/ e a outra, triste namorada,/ coitada, já deitou com os seus,/ o acaso faz com que essas duas,/ que a sorte sempre separou,/ se cruzem pela mesma rua/ olhando-se com a mesma dor"... Não éramos freiras, naturalmente, mas, sem dúvida, mesmo com vidas tão diferentes, nos reconhecíamos, naquela noite, entre tantos sentimentos conflitantes oriundos de uma severa sociedade patriarcal.
Sempre me lembro deste lançamento com muito carinho, e o considero como sendo o melhor que já tive até hoje.

(publicado com a autorização da autora)

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Soneto de Airo Zamoner



OBRA PRIMA

© Airo Zamoner

Extraído do livro "CICLO" e premiado pela página literária da Gazeta do Povo





Com meus dedos moldei a fria massa,
insípida, incolor e enfim disforme.
Suavemente aquele gesso enorme
Tornou-se estético, obtendo graça.

Por mais, porém, que eu lute e ainda faça;
por mais que aperfeiçoe e ainda a forme,
a massa é fria, é incolor e dorme!
O meu labor mais uma vez fracassa!

Então largo o cinzel, vou às estrelas!
(E que fartura de beleza há nelas
que me extasio em me quedar a vê-las),

E o seu luzir penetra nas janelas
e nas estátuas brinca. Ao envolvê-las
faz palpitar a vida em todas elas!



(soneto publicado com a autorização do autor)

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Publicação do livro "No Verde dos Teus Olhos", de Márcia Sanchez Luz



Hoje tenho uma novidade muito especial e quero partilhar minha alegria com vocês:

A Editora Protexto, de Airo Zamoner, acaba de publicar meu livro de poesias "No Verde dos Teus Olhos".

Deixo aqui meu convite para que acessem minha página no site da Protexto.

O livro pode ser adquirido diretamente através do site da Editora:

http://www.protexto.com.br/livro.php?livro=145

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Glauco Mattoso, um Poeta Musical



SONETO 253

A RENATO RUSSO


Embora original, gênio, perito,
do nosso rock um raro uirapuru,
vivia ensimesmado e jururu,
talvez por não ser grego nem bonito.

Entendo a sua angústia e o seu conflito,
meu ídolo, meu mártir, meu guru!
Causou você, primeiro, um sururu;
depois, tristeza, e então calou seu grito.

Respeito quem é triste, ou aparenta.
Os outros grandes brincam: Raul, Rita,
ou cospem mera raiva barulhenta.

Cazuza também brinca, mas medita.
Arnaldo Antunes testa, experimenta.
Renato faz da dor a dor: maldita!


Glauco Mattoso ©

(Soneto publicado com a autorização do autor)

sábado, 17 de novembro de 2007

Poesia de Efigênia Coutinho - AVSPE


ARAUTO DE SONHOS E SAUDADES

Efigênia Coutinho


Vinde a mim, passado e presente,
Tecendo sonhos ,agarrados por imagens
Que creio e proclamo dissolutas.
Que ânsia remota, trêmula de arrelias,
Imprópria, pousou em teus lábios
Quais purpúreas dores duma paixão?
Sorveu da tua alma amor secular?
Mulher divindade...Divina idade...

Que agitação convulsiva de paixão,
Que desejo ardente,
Que temporal de estio te atam?
Que tempestuoso céus, que tormento,
Que clamor de viver, em suplício,
Que fazem de ti, guerreira formosa.

Relembras, diz-me, a doce primavera,
Que num nefasto gesto fostes raptada
Pelo canto dum Visigodo, ficando enamorada?
Pois eu, ao teu lado, passado e presente
Entrego tudo que tenho,
E me dispo para ser, melancolia,
Arauto de sonhos e saudades.

Outubro 2007

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Vinicius de Moraes


Soneto à Lua
(Vinicius de Moraes)


Por que tens, por que tens olhos escuros
E mãos lânguidas, loucas, e sem fim
Quem és, quem és tu, não eu, e estás em mim
Impuro, como o bem que está nos puros ?

Que paixão fez-te os lábios tão maduros
Num rosto como o teu criança assim
Quem te criou tão boa para o ruim
E tão fatal para os meus versos duros?

Fugaz, com que direito tens-me pressa
A alma, que por ti soluça nua
E não és Tatiana e nem Teresa:

E és tão pouco a mulher que anda na rua
Vagabunda, patética e indefesa
Ó minha branca e pequenina lua!

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Ciranda na AVSPE - Gosto de Ti



A partir da iniciativa da poeta Socorro Lima Dantas, da AVSPE, surgiu esta ciranda de trovas, com o tema "Gosto de Ti", da qual também participo.

Fica o convite para que leiam este nosso trabalho em conjunto.

É só clicar no título para acessar o site onde o mesmo se encontra.

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

João Evangelista Rodrigues


Estatuto-manifesto por uma pedagogia viva da liberdade


“No Sertão a pedra não sabe lecionar
e se lecionasse não ensinaria nada;
lá não se aprende a pedra: lá a pedra,
uma pedra de nascença, entranha a alma.”

João Cabral de Melo Neto


recomeça pela pedra
pela pedra branca
no túmulo de Cabral
a educação
o que aqui se inicia
...
a pedra líquida
liquefeita em cal
em calma de rio
no Jordão
sob a imposição das mãos
pelo o amor de outro João se batiza

recomeça na pedra a pedra a educação


João Evangelista Rodrigues

Aos mestres, dedico:

Ao educador brasileiro, Paulo Freire, com quem aprendi a liberdade de viver e de ler/escrever o mundo com olhos críticos e criativos.

À Noêmia Teixeira Rodrigues, minha mãe e primeira professora, educadora dedicada e exemplar.

Considerando os princípios da Declaração Universal dos Direitos Humanos, e os direitos inalienáveis dos cidadãos brasileiros, garantidos pela Constituição da Republica Federativa do Brasil de 1988, cria-se e se divulga o presente estatuto:

Fica decretado:

Art. 1º Que a vida seja um dom natural e a arte de viver, uma conquista permanente e inegociável Que todas as crianças, jovens e adolescentes, todos os alunos, de todos os níveis de ensino, tenham direito à liberdade de expressão, de manifestar seus pensamentos, seus desejos, suas angústias, suas tristezas e alegrias diante da vida, da realidade de seu país e de sua escola.

Art.2º Que o sol e a chuva, o vento e as estrelas, as geleiras e os mares e rios e as floretas pertençam a tosos os homens da Terra. Que todos os alunos sejam sujeitos e cidadãos do mundo, e que a todos os seus direitos correspondam deveres, em um processo mútuo de participação responsável, crítica e transformadora, pela construção do conhecimento e defesa do patrimônio físico, espiritual e intelectual e da memória da escola em que estudam, da sociedade onde atuam e do País onde vivem.

Art.3º Que o sonho não acabou e a história do mundo continua a ser escrita. Que mesmo em tempos de globalização, do advento de novas tecnologias e de um neoliberalismo, temporariamente triunfante, e de crise dos paradigmas científicos, éticos e estéticos, todos os estudantes tenham direito de pensar o mundo, de nele intervir e de sonhar com um futuro melhor para a humanidade.

Art.4º Que o Universo seja a casa do saber. Que a escola deva ser um espaço confortável e agradável, propício à construção coletiva da liberdade e do conhecimento, através de uma convivência respeitável e de trocas sinceras e justas entre seus atores – alunos, professores, gestores e funcionários - e dos diversos saberes e sabores que nela florescem.

Art.5º Que a palavra luz habite o mundo e mova a vida.Que a sala de aula não se restrinja a um quadrilátero rígido e árido, mas se expanda mundo afora, para, generosamente, dar e receber, de maneira democrática e plural, superando a distância entre teoria e prática, as diversas formas de conhecimento, de arte e de cultura existentes no vasto e inesgotável campo do universo.

Art. 6º Que a escuridão prometa fantasmas e ao mesmo tempo realce mais o brilho das constelações. Que a palavra educação não floresça no quintal do medo. Não possa introjetar em seu coração, sob qualquer pretexto, as causas do medo, isto é, o próprio medo, protagonista de modelos pedagógicos técno-burocráticos, em detrimento de uma visão educativa ampla e integradora, humana , viva e libertária.

Art.7º Que o homem seja o artífice do mundo em que vive. Que a arte e a cultura, a poesia e o prazer devam fazer parte do cotidiano das escolas, da mesma forma que o ar que respiramos, a água que bebemos e as linguagens através das quais nos comunicamos.

Art.8º Que o mundo da linguagem seja a plumagem, a razão e o vôo dos pássaros. Que todos os alunos tenham acesso à informação, ao conhecimento, à leitura, à arte e ao diálogo franco, em um ambiente lúdico, constituindo- se como sujeitos e agentes do processo de ensino-aprendizagem , em um mundo ameaçado pelo individualismo, pela violência, pela falta de ética na política, pelo desequilíbrio de poder no campo econômico-financeiro e geopolítico, pela destruição do Planeta pelo homem e pelo aquecimento global;

Art.9º Que a canção da vida seja composta em parceria e cantada por todos os seres de mãos dadas. Que a educação, em suas dimensões de ensino, pesquisa e extensão, não seja tratada como mercadoria, nem os alunos, como clientes ou objetos regidos pela lei de mercado. Que o ato educativo seja fator de construção da cidadania, de emancipação e autonomia dos estudantes, empenhados em se prepararem para a vida e para sua inserção no processo produtivo, cada vez mais exigente, dinâmico e competitivo, em escala mundial.

Art. 10º Que a vida valha pelo que conhecemos e amamos. Pelo que descobrimos e inventamos. Que o sol possa ser azul, ou vermelho, amarelo ou laranja, conforme seja a imaginação, o sentimento e a criatividade de quem o admira e o transfigura através dos meios de comunicação e de qualquer outra forma de expressão – como cinema, fotografia, literatura, xérox, teatro, música, Internet, grafite, desenho, charge, colagem ou pintura. Fica decretado que todos os seres da terra - animados ou inanimados, todos que andam, nadam, voam ou rastejam e mesmo a pedra inerte - todos sejamos irmãos e que tudo mereça respeito e proteção, de acordo com princípios e valores que norteiam a Ética do Cuidado. Todos habitamos a palavra Mundo, de todos e de qualquer mundo. Que todos sejamos mais serenos e sensatos, mais justos e sinceros, Que todos sejamos felizes.

João Evangelista Rodrigues

Jornalista, escritor e educador

domingo, 14 de outubro de 2007

Homenagem

Homenagem da AVSPE à Márcia Sanchez Luz


É com imensa alegria que hoje venho dizer que acabei de receber o título de Membro Efetivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores.

Clique no link para acessar.

Agradeço à Efigênia Coutinho e a todos da Academia por esta maravilhosa homenagem!

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Nunca Direi Que Te Amo - Soares Feitosa



Sem nenhum aviso,
as sardas de um rosto, vieram as sardas
e eram notícia de uma navegação morena;
uma voz rouquenha, como se abafasse
o grito súbito sobre este porto
de nenhum aviso.




Nunca lhe direi sobre o amor: jamais faria
declaração de posse às minhas mãos;
nenhum registro público hei de requerer
sobre meus pés; nem protocolos mandarei abrir
sobre meus braços;
mandato algum darei sobre meus olhos:
cega-me a crueldade desta posse.





De que haveria de falar, se a voz
me some nos contrastes deste aviso súbito?


Os segredos,
não os desvendarei —
as mãos, a voz, este "sim" —
porque
Ela,
subitamente a tua voz morena:
a flor, o vinho.


(poema publicado com a autorização do autor)


Gravura de Celito Medeiros

sexta-feira, 5 de outubro de 2007


DIFERENÇA

Meu mundo é violento e com razão:
na rua, se eu apanho, é covardia
em casa, se eu apanho, é educação...


SEGREDO

Os carros atropelam minha bola,
a empregada reclama do encerado
mamãe esconde sempre meus esqueites,
pois se eu caio
dou despesas e atrapalho.
Os adultos
— cá pra nós —
só dão trabalho.

(poemas publicados com a autorização da autora)

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Hoje é dia de São Francisco de Assis.

Senhor!
Fazei-me um instrumento de vossa paz
Onde houver ódio, que eu leve o amor
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão
Onde houver discórdia que eu leve a união
Onde houver dúvida que eu leve a fé
Onde houver erro que eu leve a verdade
Onde houver desespero que eu leve a esperança
Onde houver tristeza que eu leve a alegria
Onde houver treva que eu leve a luz!

Oh, Mestre!
Fazei que eu procure mais
Consolar que ser consolado
Compreender que ser compreendido
Amar que ser amado
Pois, é dando que se recebe
É perdoando que se é perdoado
E é morrendo que se vive
Para a Vida Eterna.

domingo, 30 de setembro de 2007

Sinfonia Lunar - Poema em Blocos Online


SINFONIA LUNAR

A lua brilha
Por entre as folhas da palmeira
Transpira luz
Em sua forma inteira.
Serena pele
Impele na magia
A corte audaz
De sua primazia.
Avenca breve
Transforma em maestria
Surge em silêncio
Em noite de magia.
Alcança intensas
E claras sinfonias
Exalta acordes
De lindas melodias.

Márcia Sanchez Luz ©



*Do Livro "No Verde dos Teus Olhos" - Editora Protexto, PR - 2007

sexta-feira, 28 de setembro de 2007


TESTE PARA ATORES E ATRIZES DIA 30/9, NO RIO

A Cia. de Atores Duplô seleciona atores e atrizes para reestréia do ousado espetáculo "DeFlora-te", a estrear dia 9 de novembro. Os testes serão realizados no dia 30/09/07, na Casa da Glória, Ladeira da Glória, 98, às 13 horas (serão distribuídas senhas a partir das 13 h. ) Comparecer ao teste com: Currículo com foto, Uma partitura corporal Um monólogo de 2 minutos (ambos com o universo do espetáculo) Maiores informações: http://www.atoresduplo.com.br/

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Homenagem da AVSPE a Leila Míccolis


Leila Míccolis
acaba de receber o título de membro efetivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores.

Clique no link e veja que linda homenagem!

terça-feira, 25 de setembro de 2007

Poesia em Blocos Online - Temática "In Memoriam"

INSANO FARDO

(À Raquel Krepechis Luz Severino, “in memoriam”)

Na floresta imensa
De teus desencantos
Onde a lua intensa
Te mostrou caminhos...
Fingiste não reconhecer
Na luz carinhos!
Afogaste o afago
Em amargo enfado
Recusaste o alento
A teu insano fardo
Preferiste a dor
À mão que se estendia
Tentando em vão
Trazer-te à luz do dia.

Márcia Sanchez Luz ©

*Do Livro "No Verde dos Teus Olhos" - Editora Protexto, PR - 2007

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Lançamento da Antologia "Saciedade dos Poetas Vivos" digital, volume 5, em mais uma iniciativa de Blocos Online, sob o comando de Leila Míccolis e Urhacy Faustino.

Poetas integrantes:

Clevane Pessoa, Christina Ramalho, Dora Dimolitsas, Dora Tavares, Évanes Pache, Jania Souza, Juçara Valverde, Luiz Otávio Oliani, Luiza Josefina Varaschin, Marco Faria, Marcos Freitas, Maria Helena Bandeira, Neuza Ladeira, Ricardo Alfaya e Vera Casa Nova.

Convidados especiais: Antonio Carlos Secchin e Geraldo Carneiro.

Blocos Online lança, agora, o quinto volume digital da Antologia, tão diferente da maioria, que é prestigiada por grandes nomes da literatura. Conheçam os poetas que a integram: • CLEVANE PESSOA – rionortegrandense, radicada em Belo Horizonte, 4 livros de poesia editados, 60 antologias, 19 e-books. Poeta Honoris Causa pelo Conjunto da Obra Poética de 50 anos, outorgada pelo Clube Brasileiro de Língua Portuguesa, que contempla os oito Países Lusófonos. Cônsul Z-C de Poetas del Mundo, em Belo Horizonte, e representante do Movimento Cultural aBrace (Brasil-Uruguai) • CHRISTINA RAMALHO - Sempre está envolvida com literatura, pintura e fotografia, é doutora em Letras pela UFRJ e professora da UFRN. Possui 15 livros publicados, além da participação em publicações diversas como poetisa, contista, cronista e crítica literária. • DORA DIMOLITSAS – Acreana, residente em São Paulo, laboratorista, com vários cursos de especialização em Hematologia Bioquímica, Hemoterapia, Citologia e Citoquimica, Bacteriologia, Puericultura e Educação Sanitária . Tem diversos cursos de Poesia e Teatro cursados na Casa das Rosas, Espaço Haroldo de Campos. • DORA TAVARES - Mineira, de Bom Sucesso, reside atualmente em Pedro Leopoldo. Formou-se em Jornalismo, na FAFI-BH, hoje, UNI-BH, é membro da Academia Municipalista de Letras de Minas Gerais – AMULMIG, representando seu município de origem. Poetisa (com 2 livros publicados) também escreve conto, crônica e literatura infantil. • ÉVANES PACHE - Nascida em Campo Grande/MS, é jornalista, contista e poeta. Atuou como roteirista de programas televisão. Publica suas poesias em sua página individual de Blocos e estréia em livro com Saciedade dos Poetas Vivos nº 5. • JANIA SOUZA – Poeta potiguar, artista plástica, ativista cultural, pacifista, bancária, economista, contadora. Filiada à Sociedade dos Poetas Vivos e Afins do RN – SPVA/RN, APPERJ, Clube dos Escritores de Piracicaba/SP e Movimento Poetas del Mundo. Organizou 4 volumes da Antologia Literária SPVA/RN, sociedade da qual é Diretora de Eventos. Membro titular da Comissão Normativa da Lei Municipal de Incentivo à Cultura Djalma Maranhão (biênios 2002/03 e 2004/05), eleita pelo Fórum Municipal de Cultura e Membro titular do Conselho Municipal de Cultura, em 2004. • JUÇARA VALVERDE – Gaúcha de Cruz Alta, residente no Rio, pintora, escultura Mestre em Endocrinologia FCM UERJ e médica no HUPE UERJ e do Hospital dos Servidores do Estado/MS. Coordenou diversos atividades culturais, inclusive a Semana das Artes nos Hospitais, de Humanização em Saúde e Cultural do Centro de Estudos do HSE MS e participa de diversos eventos poéticos, entre eles “Poeta da hora”, Projeto Leitura PUC/UNESCO. • LUIZ OTÁVIO OLIANI – Carioca, graduado em Letras e Direito. Participou de várias antologias e inúmeras publicações jornais e revistas de literatura. Como poeta, recebeu mais de 40 prêmios literários, a nível nacional e internacional. Atuou como editor, revisor e colunista da Revista Literária Sociedade dos Poetas Novos, SPN, de 2000 a 2003, tendo entrevistado grandes nomes da literatura contemporânea. • LUIZA JOSEFINA VARASCHIN – Nasceu em Vacaria, Rio Grande do Sul, residindo em Palmas, Paraná. Tem 2 livros de poesia editados e publicações em antologias, coletâneas, dicionários, nacionais e internacionais (Portugal, França, Índia, Espanha, Estados Unidos). Nuitos prêmios literários. Entre as diversas entidades a que pertence, é Membro Fundador da Academia Palmense de Letras e da Academia de Letras e Artes de Pato Branco, ambas do Paraná. É pesquisadora, professora no Curso de Letras do Centro Universitário Diocesano do Sudoeste do Paraná. • MARCO FARIA – Mineiro de Ibirité (Grande BH), fez Escola Livre de Teatro no Centro de Pesquisa Teatrais de BH, no Teatro do Sesi - Minas. Conheceu o Farinelli e por três anos trabalhou em um ritmo intenso como ator, produtor cultural e técnico de teatro. Aos 22 anos ingressou em Jovens Com Uma Missão (JOCUM), e faz parte dessa organização cristã até hoje, sendo ator, diretor e produtor artístico. • MARCOS FREITAS – Nasceu em Teresina, Piauí, residindo atualmente no Distrito Federal. Servidor Público Federal, é Especialista em Recursos Hídricos da Agência Nacional de Águas – ANA. Professor Universitário, poeta, contista. Tradutor, letrista. Participa, em Brasília – DF, do Coletivo de Poetas. Tem 4 livros de poesia e um de poesia e contos. Premiado em 3º lugar no Prêmio SESC de Poesia Carlos Drummond de Andrade, em 2006. É editor da Revista Eletrônica “emverso&pros@”. • MARIA HELENA BANDEIRA - Carioca, formada em jornalismo, artista plástica e escritora. Mais de 20 prêmios no Brasil e em Portugal, entre eles: Menção especial da União Brasileira dos Escritores por livro de poesia inédito e vencedora do Concurso de mini-Contos do site português Simetria. Seu conto O Especialista foi indicado para o prêmio Argos 2002. Colaboradora da revista Scarium de Fantástico e FC e do projeto Slev, publicando 2 e-books através dele. Sobrinha-neta do poeta Manuel Bandeira. • NEUZA LADEIRA – Nasceu em Belo Horizonte, Minas Gerais. Poeta e artista plástica. Foi militante nos movimentos políticos da década de 60, entrando para a clandestinidade, sendo torturada como prisioneira politica na ditadura militar. Tem um livro de poesia, com 212 páginas grafadas de imagens e letras, fez capas para muitos livros de poesia e de ficção, além de exposições na Assembléia Legislativa de Minas Gerais, Prefeitura Municipal de Belo Horizonte, entre outras. • RICARDO ALFAYA - Carioca, é Bacharel em Direito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, UFRJ, e em Comunicação Social, Jornalismo, pelas Faculdades Integradas Hélio Alonso. Escreve poesia, conto, crônica, artigo e ensaio, tendo obtido vários prêmios literários. Pratica também a Poesia Visual, com trabalhos em exposições no Brasil e no exterior. Publicou 1 livro solo e, participa das antologias Rios e Saciedade dos Poetas Vivos, impressa (3 vol.). É editor do Nozarte Informativo Cultural. • VERA CASA NOVA - Natural do Rio de Janeiro, mora em Belo Horizonte desde 1978. Ensaísta, com várias obras publicadas, p professora da Faculdade de Letras da UFMG, e pesquisadora de poéticas contemporâneas (CNPQ). 5 livros de poesia editados, e, atualmente tem programa na Rádio UFMG Educativa, chamado UM TOQUE DE POESIA, que vai ao ar todos os dias pela manhã e à noite. Os nossos dois convidados especiais deste volume são dois expoentes da poesia brasileira: • ANTONIO CARLOS SECCHIN – Nasceu no Rio de Janeiro. É Professor Doutor Titular de Literatura Brasileira da Faculdade de Letras da UFRJ, e professor convidado das Universidades de Barcelona, Bordeaux, Califórnia, Lisboa, Mérida, México, Los Angeles, Nápoles, Paris (Sorbonne), Rennes e Roma. Poeta, ensaísta autor, inclusive da obra João Cabral - a poesia do menos, ganhador de 3 prêmios nacionais, entre eles o Sílvio Romero, atribuído pela ABL em 1987. Dos 6 livros publicados, destaca Todos os ventos (poesia reunida, 2002), que obteve os prêmios da Fundação Biblioteca Nacional, da Academia Brasileira de Letras e do PEN Clube para melhor livro do gênero publicado no país em 2002. • GERALDO CARNEIRO - Mineiro, de Belo Horizonte, radicado no Rio. É poeta, letrista, ensaísta, tradutor de Shakespeare, dramaturgo, roteirista e analisador de textos da TV Globo. 7 livros de poesia, sendo o mais recente “A Lira dos cinqüenta anos”. É parceiro de Egberto Gismonti, Francis Hime, e outros compositores. Para o teatro tem peças com Bráulio Pedroso, Miguel Falabella e a ópera performática Manu Çaruê, com música de Wagner Tiso, escreveu as minisséries como O Sorriso do Lagarto (adaptação do romance homônimo de João Ubaldo Ribeiro), e participou da série Você Decide, da qual foi supervisor de texto.



segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Soneto Para Eugênia - Anibal Beça (em Suíte da Palavra)


SONETO PARA EUGÊNIA


Anibal Beça ©

O tempo que te alonga todo dia
é duração que colhes na paisagem,
tão distante e tão perto em ventania,
sitiando limites na viagem.

Desse mar que se afasta em maresia
o vago em teu olhar se faz aragem
nas vagas que se vão em vaga via
vigia de teus pés no vão das margens.

E o fio da teia vai fugindo fosco,
irreparável névoa pressentida
nos livros que não leste, nesses poucos

momentos que sobravam da medida.
Angústia de ponteiros, sol deposto,
no tédio das desoras foge a vida.


Vida que bem mereces por inteiro,
e é pouca a que te dou de companheiro.


(Este soneto chegou a mim por e-mail, enviado pelo próprio Anibal Beça)

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Fruta Boa (Milton Nascimento e Fernando Brant)

É maduro o nosso amor, não moderno
Fruto de alegria e dor, céu, inferno
Tão vivido o nosso amor, convivência
De felicidade e paciência
É tão bom...

O nosso amor comum é diverso
Divertido mesmo até, paraíso
Para quem conhece bem
Os caminhos
Do amor seu vai e vem
Quem conhece

Saboroso é o amor, fruta boa
Coração é o quintal da pessoa
É gostoso o nosso amor
Renovado é o nosso amor
Saboroso é o amor madurado de carinho

É pequeno o nosso amor, tão diário
É imenso o nosso amor, não eterno
É brinquedo o nosso amor, é mistério
Coisa séria mais feliz dessa vida.

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

domingo, 9 de setembro de 2007

Segunda Indicação "Prêmio Caneta de Ouro 'Poesias In Blog' 2007"


Fui novamente indicada ao "Prêmio Caneta de Ouro", desta vez por Cárlisson Galdino, com meu poema "Catarse".

Agradeço sua indicação, que muito me honra, e claro, confirmo minha participação!

Segue abaixo o convite:

Saluton,

Indiquei poesia sua intitulada "Catarse" para o prêmio Caneta de Ouro
(http://bardo.castelodotempo.com/blog/premio-caneta-de-ouro).

Bem, você já está participando do prêmio, mas só por formalidade,
confirme participar ou não com esta poesia também, pode ser? ;-)

[]s,

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Catarse - Poesia Temática em Blocos Online

CATARSE

Não te esgueires em falsete
Por não teres pra onde ir.
Pede ajuda, te suplico!
Não quero te ver cair.

Olha a rua que te cerca
Apura teus arredores
Acua-te se preciso!
Não vás perder teu juízo.

Se no entanto
Falseares
Não te abatas
Eu te imploro!

Corre e brada tua catarse
Porém foge de embustes
Não incenses frutos podres
Procura tua essência perdida.

Márcia Sanchez Luz ©

*Do Livro "No Verde dos Teus Olhos" - Editora Protexto, PR - 2007

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Blocos - Teatro - Notícias - 2007

SELEÇÃO PARA ATORES MASCULINOS - MUSICAL INFANTIL

Musical 'Vamos colorir o mundo urgente'.

Mais Informações: Tel: 11 6849-0821 Cel: 9695-6797 - Escreva para Kleber Gonçalves, e-mail: klebergoncalves@bol.com.br

Notícia enviada pelo Amilton Ferreira

Carlos Drummond de Andrade

AS SEM- RAZÕES DO AMOR

Carlos Drummond de Andrade


Eu te amo porque te amo,
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

LE METEQUE - GEORGES MOUSTAKI

Milton Nascimento - Beatriz

BEATRIZ

Milton Nascimento


Olha,
Será que ela é moça
Será que ela é triste
Será que é o contrário
Será que é pintura o rosto da atriz
Se ela dança no sétimo céu
Se ela acredita que é outro país
E se ela só decora o seu papel
E se eu pudesse entrar na sua vida

Olha,
Será que é de louça,
Será que é de éter
Será que é loucura,
Será que é cenário a casa da atriz
Se ela mora num arranha-céu,
E se as paredes são feitas de giz
E se ela chora num quarto de hotel
E se eu pudesse entrar na sua vida

Sim, me leva para sempre Beatriz
Me ensina a não andar com os pés no chão,
Para sempre é sempre por um triz
Ai, diz quantos desastres tem na minha mão
Diz se é perigoso a gente ser feliz

Olha,
Será que é uma estrela,
Será que é mentira
Será que é comédia,
Será que é divina a vida da atriz
Se ela um dia despencar do céu
E se os pagantes exigirem bis
E se o arcanjo passar o chapéu
E se eu pudesse entrar na sua vida.

sábado, 1 de setembro de 2007

O Fotógrafo

O FOTÓGRAFO

O fotógrafo é aquele
Que não foca obviedades.
Vai mais longe, encontra a alma
Apraz-se ao menor encanto
Que encontra em seu modelo.

O fotógrafo descreve
De modo sucinto e breve
As verdades escondidas
As melodias vividas
Por trás de velhas cortinas.

Ele finge que não vê
Escondido atrás das lentes
Os segredos mais distantes
As pendengas remitentes
As mais infames sordícies.

Ele trás à tona a beleza
A sujeira, quando encontra
A esperança amordaçada
A tristeza envergada
A beleza enturvada.

Márcia Sanchez Luz ©


*Do Livro "No Verde dos Teus Olhos" - Editora Protexto, PR - 2007

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Paternidade aos 90 anos

O fazendeiro indiano Nanu Ram Jogi posa para fotos com alguns de seus filhos, na quinta-feira, na vila de Paanchimli, na Índia.

Jogi se tornou o homem mais velho do mundo a ter um filho- seu 21º herdeiro nasceu no início deste mês, quando ele já tinha 90 anos.

O fazendeiro quer ter mais filhos até chegar aos 100 anos. Mas sua atual mulher - a quarta - diz que não quer mais crianças.


Fonte: Revista Veja Online

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Poesia Temática Mitológica em Blocos Online - Para Amar-te


PARA AMAR-TE


Se para amar-te
For preciso a bruma
Dar-te-ei o sol
Pra clarear teus dias

Se para amar-te
For preciso a seiva
Dar-te-ei o solo
Em que o alento brota

Se para amar-te
For preciso o canto
Dar-te-ei as cordas
Com que vocalizo

Se para amar-te
For preciso a lua
Dar-te-ei o orbe
Onde habita Artêmis

E se ainda assim
Achares que é pouco
Dar-te-ei minhas lágrimas
Cedidas por Netuno.


Márcia Sanchez Luz ©


*Do Livro "No Verde dos Teus Olhos" - Editora Protexto, PR - 2007

Concurso de Fotografias Revela a Arte na Ciência - BBCBrasil.com

CONCURSO DE FOTOGRAFIAS


Dentes de caracol de jardim, cristais de vitamina C e garras de morcego são alguns dos destaques da edição deste ano do concurso fotográfico britânico Visions of Science, ou Visões da Ciência, em tradução livre.

Os 32 finalistas, que vão de acadêmicos e médicos a fotógrafos amadores e estudantes, encontraram maneiras originais de retratar fenômenos científicos e naturais.

O resultado são imagens que ora lembram obras de arte abstratas ora parecem saídas de um filme de terror.

Fonte: BBCBrasil.com


Veja imagens da competição

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Nelson Mandela


Na presença de representantes da classe política britânica, o homem que não deixou que 27 anos de prisão destruíssem o sonho de uma África do Sul livre, assistiu à inauguração da sua estátua em Londres. Em frente ao parlamento britânico, Nelson Mandela foi homenageado com uma escultura de quase 3 metros de altura.

Clique no título para ler a reportagem na íntegra.

Poema de Manuel Bandeira - Desencanto


DESENCANTO
(Manuel Bandeira)

Eu faço versos como quem chora
De desalento... de desencanto...
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto.

Meu verso é sangue. Volúpia ardente...
Tristeza esparsa... remorso vão...
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração.

E nestes versos de angústia rouca
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.

- Eu faço versos como quem morre.

terça-feira, 28 de agosto de 2007

Passo da Vida

PASSO DA VIDA

Todo o espaço de tempo
Na régua ou no compasso
Do passo injusto da vida
Obriga-nos sempre a lutar.

Será que a cada instante,
No desenlace das horas
As horas custam a passar?

E todo o tempo perdido
Pedido feito ao luar
Que não se esvaia na noite
Acaba por acabar.

Márcia Sanchez Luz ©

segunda-feira, 27 de agosto de 2007


Viagem - Poesia em Blocos Online



VIAGEM

No nascer do sol
O expoente se inicia
Com a maldição do olhar.

E nas trevas ardentes
De chuvas que brotam
De mágoas intensas,
O sol desaparece
Num quebranto
De dor e amargura
Num espanto
De amor e ternura.

Márcia Sanchez Luz ©

Meus Indicados

Lista dos links e poemas por mim indicados para o "PRÊMIO CANETA DE OURO – POESIAS 'IN BLOG' 2007":

Faca Afiada - 06 de abril de 2007
http://chrisherrmann.blogspot.com/
"URGENTE" - 06 de julho de 2007
http://poesiadeluizacaetano.blogspot.com/
por encanto...por enquanto... - 03 de agosto de 2007
http://voodeariane.blogspot.com/
PAIXÃO - 06 de julho de 2007
http://ciceroalvernaz.blogspot.com
Guindaste - 12 de junho de 2007
http://casadeparagens.blogspot.com

sábado, 25 de agosto de 2007

Palavras ao Mar - Vicente de Carvalho

PALAVRAS AO MAR

(Vicente de Carvalho)

Mar, belo mar selvagem
Das nossas praias solitárias! Tigre
A que as brisas da terra o sono embalam,
A que o vento do largo eriça o pêlo!
Junto da espuma com que as praias bordas,
Pelo marulho acalentada, à sombra
Das palmeiras que arfando se debruçam
Na beirada das ondas - a minha alma
Abriu-se para a vida como se abre
A flor da murta para o sol do estio.

Quando eu nasci, raiava
O claro mês das garças forasteiras:
Abril, sorrindo em flor pelos outeiros,
Nadando em luz na oscilação das ondas,
Desenrolava a primavera de ouro;
E as leves garças, como olhas soltas
Num leve sopro de aura dispersadas,
Vinham do azul do céu turbilhonando
Pousar o vôo à tona das espumas...

É o tempo em que adormeces
Ao sol que abrasa: a cólera espumante,
Que estoura e brame sacudindo os ares,
Não os sacode mais, nem brame e estoura;
Apenas se ouve, tímido e plangente,
O teu murmúrio; e pelo alvor das praias,
Langue, numa carícia de amoroso,
As largas ondas marulhando estendes...

Ah! vem daí por certo
A voz que escuto em mim, trêmula e triste,
Este marulho que me canta na alma,
E que a alma jorra desmaiado em versos;
De ti, de tu unicamente, aquela
Canção de amor sentida e murmurante
Que eu vim cantando, sem saber se a ouvia,
Pela manhã de sol dos meus vinte anos.

Ó velho condenado
Ao cárcere das rochas que te cingem!
Em vão levantas para o céu distante
Os borrifos das ondas desgrenhadas.
Debalde! O céu, cheio de sol se é dia,
Palpitante de estrelas quando é noite,
Paira, longínquo e indiferente, acima
Da tua solidão, dos teus clamores...

Condenado e insubmisso
Como tu mesmo, eu sou como tu mesmo
Uma alma sobre a qual o céu resplende
- Longínquo céu - de um esplendor distante.
Debalde, o mar que em ondas te arrepelas,
Meu tumultuoso coração revolto
Levanta para o céu como borrifos,
Toda a poeira de ouro dos meus sonhos.

Sei que a ventura existe,
Sonho-a; sonhando a vejo, luminosa.
Como dentro da noite amortalhado
Vês longe o claro bando das estrelas;
Em vão tento alcançá-la, e as curtas asas
Da alma entreabrindo, subo por instantes...
O mar! A minha vida é como as praias,
E o sonho morre como as ondas voltam!

Mar, belo mar selvagem
Das nossas praias solitárias! Tigre
A que as brisas da terra o sono embalam,
A que o vento do largo eriça o pêlo!
Ouço-te às vezes revoltado e brusco,
Escondido, fantástico, atirando
Pela sombra das noites sem estrelas
A blasfêmia colérica das ondas...

Também eu ergo às vezes
Imprecações, clamores e blasfêmias
Contra essa mão desconhecida e vaga
Que traçou meu destino... Crime absurdo
O crime de nascer! Foi o meu crime.
E eu expio-o vivendo, devorado
Por esta angústia do meu sonho inútil.
Maldita a vida que promete e falta,
Que mostra o céu prendendo-nos à terra,
E, dando as asas, não permite o vôo!

Ah! cavassem-te embora
O túmulo em que vives - entre as mesmas
Rochas nuas que os flancos te espedaçam,
Entre as nuas areias que te cingem...
Mas fosses morto, morto para o sonho,
Morto para o desejo de ar e espaço,
E não pairasse, como um bem ausente,
Todo o infinito em cima de teu túmulo!

Fosse tu como um lago,
Como um lago perdido entre as montanhas:
Por só paisagem - áridas escarpas,
Uma nesga de céu como horizonte...
E nada mais! Nem visses nem sentisses
Aberto sobre ti de lado a lado
Todo o universo deslumbrante - perto
Do teu desejo e além do teu alcance!

Nem visses nem sentisses
A tua solidão, sentindo e vendo
A larga terra engalanada em pompas
Que te provocam para repelir-te;
Nem buscando a ventura que arfa em roda,
A onda elevasses para a ver tombando,
- Beijo que se desfaz sem ter vivido,
Triste flor que já brota desfolhada...

Mar, belo mar selvagem!
O olhar que te olha só te vê rolando
A esmeralda das ondas, debruada
Da leve fímbria de irisada espuma...
Eu adivinho mais: eu sinto... ou sonho
Um coração chagado de desejos
Latejando, batendo, restrugindo
Pelos fundos abismos do teu peito.

Ah, se o olhar descobrisse
Quanto esse lençol de águas e de espumas
Cobre, oculta, amortalha!... A alma dos homens
Apiedada entendera os teus rugidos,
Os teus gritos de cólera insubmissa,
Os bramidos de angústia e de revolta
De tanto brilho condenado à sombra,
De tanta vida condenada à morte!

Ninguém entenda, embora,
Esse vago clamor, marulho ou versos,
Que sai da tua solidão nas praias,
Que sai da minha solidão na vida...
Que importa? Vibre no ar, acode os ecos
E embale-nos a nós que o murmuramos...
Versos, marulho! Amargos confidentes
Do mesmo sonho que sonhamos ambos!

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Fui Indicada - Prêmio Caneta de Ouro - Poesias "In Blog" 2007



André L. Soares disse...

MÁRCIA SANCHEZ LUZ

Boa noite!

Por favor, leia com atenção!

É com base no modelo ‘Blog Day – Cinco Estrelas’, evento de sucesso idealizado pela Elza, do blog ‘NADA POR MIM’, que nós, ANDRÉ L. SOARES (do blog GRITOS VERTICAIS ) e RITA COSTA (do blog ALMA DE POESIA ), na condição de ORGANIZADORES (não participantes), lançamos agora o “PRÊMIO CANETA DE OURO – POESIAS ‘IN BLOG’ 2007”, com o objetivo maior de eleger, conforme o voto dos próprios ‘bloggers’, o ‘MELHOR POETA’ e o ‘MELHOR POEMA’ de 2007, postado em idioma PORTUGUÊS.

Acreditando que o intercâmbio de conhecimentos decorrente da leitura diversificada é benéfico ao desenvolvimento da poesia como um todo, o PRÊMIO CANETA DE OURO – POESIAS ‘IN BLOG’ 2007 objetiva, também, estimular a leitura, bem como a maior integração entre os ‘bloggers’ que escrevem poemas em idioma PORTUGUÊS.

A participação é opcional e gratuita, não implicando em quaisquer tipos de ônus aos participantes.

Assim, dando início ao “PRÊMIO CANETA DE OURO – POESIAS ‘IN BLOG’ 2007”, nós, André L. Soares e Rita Costa, Organizadores deste evento, indicamos o poema intitulado ‘NO VERDE DOS TEUS OLHOS.’ [ http://marciasl2001.blogspot.com/2007_07_01_archive.html ], postado em seu blog em 23.julho.2007, para ‘Concorrente Inaugural’, juntamente com mais outros 29 poemas. Por favor, leia com atenção as regras do concurso em: AQUI.

Caso aceite, confirme sua participação pelo email: canetadeouropoesia2007@gmail.com, para que possamos lhe enviar o conjunto de ‘arquivos do participante’ (‘regras’, ‘banner’ e ‘caixa de texto’).

Participe e nos ajude a construir um dos maiores eventos literários da Internet.
Gratos por sua atenção!


ANDRÉ L. SOARES e RITA COSTA.
Organizadores.

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Leitura Recomendada: Miscigenação não leva à democracia racial, diz sociólogo - O Globo Online

Toda Palavra


TODA PALAVRA

.......Anibal Beça ©



"Toda palavra guarda uma cilada"
......TORQUATO NETO


Toda palavra voa nebulosa
até chegar latente ao nosso chão.
Pousa sem pressa ou prece em mansa prosa
caída chuva breve de verão.

Toda palavra se abre generosa
para abrigar segredos num porão
lá onde sobram sombras sinuosas
levantando a poeira no perdão

Toda palavra veste-se vistosa
para fazer afagos na paixão
uma pantera em paz, porém tinhosa.

Toda palavra enfim é explosão
que o mundo só é mundo por osmose
pois há um outro ser no coração

(Este poema chegou a mim por e-mail, enviado pelo próprio Anibal Beça)

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Écoute


ÉCOUTE

Écoute le silence retrouvé
Parmis des bruits insistants
Que toujours nous remètent
À chercher la gloire de l’éxistence.

Écoute la parole reinseignée
Par des émotions revenues
Qui s’addressent à toi
Quelques fois.

Écoute l’émotion des bruits
Presque perdus
Dans l’immensité
De ton coeur.

Écoute les vents du nord
Et du sud, et de l’est
Et de l’ouest...

Ils sont les sons de ton âme !

Márcia Sanchez Luz ©

segunda-feira, 20 de agosto de 2007


(João Bosco / Aldir Blanc – 1979)
Intérprete: Elis Regina

Caía a tarde feito um viaduto
E um bêbado trajando luto
Me lembrou Carlitos
A lua, tal qual a dona do bordel,
Pedia a cada estrela fria
Um brilho de aluguel
E nuvens, lá no mata-borrão do céu,
Chupavam manchas torturadas, que sufoco!
Louco, o bêbado com chapéu-coco
Fazia irreverências mil pra noite do Brasil.
Meu Brasil.
Que sonha com a volta do irmão do Henfil.
Com tanta gente que partiu num rabo de foguete.
Chora a nossa pátria mãe gentil,
Choram Marias e Clarisses no solo do Brasil.
Mas sei que uma dor assim pungente
Não há de ser inutilmente, a esperança
Dança na corda bamba de sombrinha
E em cada passo dessa linha pode se machucar
Asas, a esperança equilibrista
Sabe que o show de todo artista
Tem que continuar…

Histórico:

Composta em 1979, tornou-se um símbolo da luta pela anistia, pela volta dos exilados e pela abertura política do regime militar.

Carlitos, personagem mais famoso de Charles Chaplin, representa a população oprimida, mas que ainda consegue manter o bom humor, denunciava as injustiças sociais de forma inteligente e engraçada.

A Equilibrista dançando na corda bamba, de sombrinha, é a esperança de todo um povo.

Henrique de Sousa Filho, conhecido como Henfil, foi um cartunista, quadrinista, jornalista e escritor brasileiro. Seu irmão, Herbert José de Sousa, conhecido como Betinho, foi um sociólogo e ativista dos direitos humanos brasileiros; concebeu e dedicou-se ao projeto Ação da Cidadania contra a Miséria e Pela Vida.

Com o golpe militar, em 1964, mobilizou-se contra a ditadura, sem nunca esquecer as causas sociais. Mas, com o aumento da repressão, foi obrigado a se exilar no Chile em 1971.
Maria era mãe de Betinho (irmão de Henfil) e Clarice, mulher do jornalista assassinado durante a ditadura, Vladimir Herzog.

Mas Marias e Clarisses, no plural, fazem referência às mães, irmãs ou mulheres de pessoas que se foram, ou mesmo deixaram o nosso país, lutando por um ideal, um sonho, de ver o Brasil livre para a informação e para a expressão das artes.


Texto de autoria de Cylene Dworzak Dalbon
Fonte: WordPress.com

Márcia Sanchez Luz - Blocos - Poesia Brasileira Contemporânea


MELODIA

Não há que negar
Nossas diferenças
Posto que existem
O claro e o escuro
Na mais densa mata
De todos os palcos
Desta melodia
Cujo nome é vida!
Transportada em redes
De luares rentes
Pois que a ti concedem
O clarão da alma
Da mais pura calma
Concebida em noites
De total silêncio
Onde a dor acaba
E o furor transcende
Transpassando a mente
Doce e saborosa
Pois que vicejante
Em tua fala quente
Que atordoa e mente!
Faz-se soberana
Como em ti emana
A presença humana...
Mãos que se entrelaçam
Entregando espaços
Antes tão restritos
A ínfimos laços!

Márcia Sanchez Luz ©

*Do Livro "No Verde dos Teus Olhos" - Editora Protexto, PR - 2007

domingo, 19 de agosto de 2007

A Tancredos, Joãos, Priscilas e Marias - Márcia Sanchez Luz - Crônicas - Blocos Online:

A TANCREDOS, JOÃOS, PRISCILAS E MARIAS

Na expressão de uma lágrima percorrendo nossos extremos, pôde-se ouvir um pavoroso estrondo evocando o grito de nossos corações.
De repente, uma única lágrima parecia dançar entre todos os corpos vivos, ao som de uma alucinante canção que nos fazia seguir o caminho irreversível da luta.

Fechando caminho para novos sigilos seguimos...
A cada estrondo, a cada lágrima, a cada grito.
Lágrimas caindo como um dominó, cujas peças pareciam não ter fim.

Salva de lágrimas.
Salva de tiros.

O peito aperta e enlaça a dor.
O ouvido encerra o ruído ensurdecedor.

Explodíamos, sem contenção.
Lágrimas aglomeradas assemelhavam-se a ondas gigantes.
O mar revolto, tomado pelas ondas, não mostrava um sinal sequer de paz.

Revolta patente atravessando corpos, machucando ventres, uivando em nossas cabeças já dilaceradas.
Não mais podíamos pensar...

O peito arde, o grito ecoa.
O pranto aperta a alma desperta!

E as ondas iam crescendo, trajando o som de metralhadoras.
Trovejava...
E o temor nos foi assolando...
E o barulho, ainda mais intenso, aludia a tambores prevendo a guerra.

Márcia Sanchez Luz ©

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Degelo Causado Pelo Aquecimento Global

Gaivotas pousam em iceberg, na Groenlândia

Fonte: AFP (Yahoo! Notícias)

Vinte Anos Sem Drummond


O AMOR ANTIGO
Carlos Drummond de Andrade

O amor antigo vive de si mesmo,
não de cultivo alheio ou de presença.
Nada exige, nem pede. Nada espera,
mas do destino vão nega a sentença.

O amor antigo tem raízes fundas,
feitas de sofrimento e de beleza.
Por aquelas mergulha no infinito,
e por estas suplanta a natureza.

Se em toda parte o tempo desmorona
aquilo que foi grande e deslumbrante,
o antigo amor, porém, nunca fenece
e a cada dia surge mais amante.

Mais ardente, mas pobre de esperança.
Mais triste? Não. Ele venceu a dor,
e resplandece no seu canto obscuro,
tanto mais velho quanto mais amor.


JOSÉ
Carlos Drummond de Andrade

E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?

E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio, - e agora?

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, José!

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, para onde?

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Mosaicos do Cotidiano - Ronaldo Franco

Muito Lindo! Vale a pena. Sentimentos traduzidos no preto e no branco de nossa realidade, numa mescla de poesia, música e imagens.

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Auras

AURAS

Queria poder te contar
Meus mais loucos sonhos
Tão reais devaneios!
Viagens astrais...

Portais emanando a justiça
Palidamente escondida
Pelas mãos da humanidade
Torta, fria, desumana.

Infinitamente maiores
Do que jamais vislumbrara
Surgem auras, alvas auras!
Leves dançam, giram, voam.

Polidamente me chamam
Com natural cortesia.
Sussurram sons cristalinos
Como água e vento se amando.

Corre o tempo e o tempo clama
Retidão de sentimentos
Coração aberto ao vento
Lágrimas, doce momento.

Márcia Sanchez Luz ©

*Do Livro "No Verde dos Teus Olhos" - Editora Protexto, PR - 2007

Mil Perdões - Chico Buarque de Hollanda


Te perdôo
Por fazeres mil perguntas
Que em vidas que andam juntas
Ninguém faz
Te perdôo
Por pedires perdão
Por me amares demais
Te perdôo
Te perdôo por ligares
Pra todos os lugares
De onde eu vim
Te perdôo
Por ergueres a mão
Por bateres em mim
Te perdôo
Quando anseio pelo instante de sair
E rodar exuberante
E me perder de ti
Te perdôo
Por quereres me ver
Aprendendo a mentir (te mentir, te mentir)
Te perdôo
Por contares minhas horas
Nas minhas demoras por aí
Te perdôo
Te perdôo porque choras
Quando eu choro de rir
Te perdôo
Por te trair.

terça-feira, 14 de agosto de 2007

O Nascimento de Vênus



Clique na figura para ampliar O NASCIMENTO DE VÊNUS
Sandro Botticelli


A pintura representa a deusa Vênus emergindo do mar como mulher adulta, conforme descrito na mitologia grega.
No quadro, a deusa clássica Vênus emerge das águas em uma concha, sendo empurrada para a margem pelos Ventos D'oeste, símbolos das paixões espirituais, e recebendo, de uma Hora (as Horas eram as deusas das estações), uma manto bordado de flores. Alguns especialistas argumentam que a deusa nua não representaria a paixão terrena, carnal, e sim a paixão espiritual. Apresenta-se de forma similar a antigas estátuas de mármore (cujo candor teria inspirado o escultor do século XVIII Antonio Canova), esguia e com longos membros e traços harmoniosos.
O efeito causado pelo quadro, no entanto, foi um de paganismo, já que foi pintado em época em que a maioria da produção artística se atinha a temas católicos. Por isso, chega a ser surpreendente que o quadro tenha escapado das fogueiras de Savonarola, que consumiram outras tantas obras de Botticelli que teriam "influências pagãs".

Fonte: Wikipédia



segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Brasil, por Cazuza


BRASIL
Cazuza,George Israel e Nilo Roméro

Não me convidaram
Pra essa festa pobre
Que os homens armaram pra me convencer
A pagar sem ver
Toda essa droga
Que já vem malhada antes de eu nascer

Não me ofereceram
Nem um cigarro
Fiquei na porta estacionando os carros
Não me elegeram
Chefe de nada
O meu cartão de crédito é uma navalha

Brasil
Mostra tua cara
Quero ver quem paga
Pra gente ficar assim
Brasil
Qual é o teu negócio?
O nome do teu sócio?
Confia em mim

Não me convidaram
Pra essa festa pobre
Que os homens armaram pra me convencer
A pagar sem ver
Toda essa droga
Que já vem malhada antes de eu nascer

Não me sortearam
A garota do Fantástico
Não me subornaram
Será que é o meu fim?
Ver TV a cores
Na taba de um índio
Programada pra só dizer "sim, sim"

Brasil
Mostra a tua cara
Quero ver quem paga
Pra gente ficar assim
Brasil
Qual é o teu negócio?
O nome do teu sócio?
Confia em mim

Grande pátria desimportante
Em nenhum instante
Eu vou te trair
(Não vou te trair)

sábado, 11 de agosto de 2007

Carinhos Especiais


Amauri Tonussi escreveu:


Menina Márcia,
certamente que me lembro de sua primeira comunicação, em que você dizia estar publicando em uma antologia da qual participava também um poeta de que gosto muito, o Ledo Ivo. Aquele e-mail chegou em momento particularmente difícil, e eu não pude mesmo ler seus escritos, embora não tenha esquecido deles de forma alguma.
Pois foi com grande prazer (mesmo!), que li sua homenagem à Leila Míccolis. O de que mais gostei foi da simplicidade de expressão – fato muito pouco usual na poesia, e que a mim parece essencial a qualquer bom poema. A complicação ou a frase retorcida subtraem (mais que isso, roubam) o estado de poesia que o escritor deseja obter.
Outra qualidade que me chamou muito à atenção foi o fato de que seus versos contêm poesia. Parece óbvio, mas não é. Manuel Bandeira apontou muito esse fato; escrevem-se milhares de poemas, mas pouco são os que efetivamente contêm poesia, isto é, atingem o leitor de modo que o texto lido deixa de ser mera comunicação de idéia e abrem portas secretas de transcendência.
Veja seus últimos 2 versos; eles, entre outras coisas, têm base em uma idéia primária, que poderia ser dita assim:
Na vida nem tudo passa. Mas mesmo que tudo passasse, Leila, tu ficarias.
Na frase acima, a idéia permaneceu, mas despida de poesia. Tratar-se-ia de um enunciado sem ressonância, que se esgota no sentido mais imediato que pretende comunicar.
Quando você escreve

Se na vida tudo passasse,
Leila, tu ficarias! ,

a idéia acima expressa (sem poesia), torna-se portal aberto à comunicação de estados e situações que estão muito além dela. Por exemplo: toca-se na idéia de que a maioria das coisas, na vida, é passageira, e isso traz sentimento de perda a quem percebe tal fato. Outra idéia: na vida nem tudo passa, mas é preciso empreender um esforço de lucidez para perceber que as coisas não são exatamente como parecem. Ainda outra: atentando-se bem para a incômoda sensação de que as coisas passam e se perdem – e sendo afrontado pelo dano existencial que isso causa – é possível entrever que há seres/ou coisas que resistem a esse movimento migratório de abandono de tudo o que existe. Isso está estampado na existência (e na permanência) de Leila. Portanto, ela é uma espécie de contra-fluxo do que existe, particularmente das coisas negativas que são a maioria do que existe, e que são as coisas que passam. Aí está outra coisa bela em seu texto, pois “Leila” não é uma pessoa, mas um símbolo de resistência da beleza, do permanente, do que não nos é roubado a cada dia.
Mas deixemos de lado essas elucubrações. O que quero mesmo dizer é que gostei de seu texto e que espero que você faça muitos e muitos e muitos mais assim.
Grande beijo,
Amauri

Márcia Sanchez Luz - À Leila Míccolis


À Leila Míccolis

Dizem que
O mundo é pequeno...
Os instantes são breves...
Tudo na vida passa...
Mas se pequeno o mundo fosse,
de que modo tua grandeza ele abrigaria?
Se breves fossem os instantes,
como seria a extensão de tua amizade medida?
Se na vida tudo passasse,
Leila, tu ficarias!

Márcia Sanchez Luz
24 de junho de 2007

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

O Mundo de Sofia - Resenha Crítica


O MUNDO DE SOFIA (Jostein Gaarder)

O autor, através desse romance, que tem como personagem central uma adolescente comum, sem outras dúvidas que não as próprias de sua idade e época, descreve toda a trajetória do Homem em busca de explicações para sua existência. Ele utiliza como recurso, na trama, um professor de Filosofia, um major e sua filha.
No decorrer do romance ele faz uma explanação, em forma de diálogo entre o professor de Filosofia e a adolescente, sobre a História da Filosofia, assim como sobre todas as transformações sofridas pelo ser humano no decorrer dos tempos.
Sofia, a adolescente em questão, está prestes a completar quinze anos e se depara com questões relativas à origem do mundo, das relações entre as pessoas e de quanto sua e, portanto, nossa existência é efêmera.
As indagações que lhe são feitas a levam a se perceber como um ser histórico. Sua existência depende de sua ação na realidade em conjunto com as atitudes alheias, isto é, a partir da interação com o mundo, já que ela, em contato com as questões filosóficas, descobre que os fatos da vida, a natureza, devem ser admirados diariamente, a todo instante, pois o mundo está em constante transformação; não devemos, pois, nos habituar ao mundo. Devemos, sim, ser como crianças que sempre se impressionam, se admiram com o que vêem, pois estão sempre descobrindo coisas novas. Devemos estar no mundo em eterno estado de vigília, sempre alertas a novos fatos, e não como se estivéssemos dormindo enquanto a vida passa. A vida é um mistério a ser desvendado a todo instante.
Sofia começa a ler e, mais adiante, a dialogar com Alberto, seu professor de Filosofia, sobre todas as posturas filosóficas existentes na humanidade. Aprende que os mitos, superstições, explicações sobrenaturais são formas fáceis para explicar os acontecimentos da vida incompreensíveis ao ser humano. Mas estas acabam por mascarar a realidade, pois o Homem, ao acreditar em explicações tão simplistas e tão aquém de sua existência, acaba por se afastar da vida, vivendo a realidade como mero espectador. Assim, se as coisas não vão bem, não dão certo, atribuindo a causa a mitos, superstições, sobrenatural, o ser humano se exime de culpa frente aos problemas que o cercam. Entretanto, o autor, através de um questionamento permeado por um constante diálogo com Sofia, nos mostra que o que acontece no mundo é fruto de nossas atitudes. A história é feita pelos Homens, através de suas reflexões, diálogos e ações. O autor vai mostrando, através da História da Filosofia, que para interferirmos em nossa realidade devemos estar sempre indagando sobre os fatos, buscando nossas raízes históricas, pois a vida não é uma fatalidade, e sim algo construído pelos seres humanos em sua interação com seus semelhantes e através do tempo, sempre de forma contínua, nunca estagnada.
Dentre os filósofos estudados, é interessante ver Aristóteles e suas formas de felicidade, vistas como a realização plena do Homem enquanto tal; podemos observar que há muito existe a preocupação de que o Homem seja um cidadão livre, consciente e responsável por sua existência.
É importante citar o Oriente em suas buscas filosóficas. Assim, como disse Swami Vivekananda, “... é ateu aquele que não acredita em si mesmo.” (p. 155).
A “Lei da Inércia”, de Newton, pode muito bem ser aplicada à nossa vida, pois sempre existem fatos que nos obrigam a atuar em nossa realidade; entretanto, existem pessoas que permanecem inertes, indiferentes à realidade que as cerca, como se mudar ou não a maneira de pensar, de agir, de ver o mundo, em nada pudesse modificar o curso da história, o estado das coisas.
Nos dias de hoje, prega-se a necessidade de que todos tenham acesso à informação para que entendam a realidade e nela possam atuar de forma consciente, idéia que, se voltarmos na história, remonta a Lutero.
Ao falar do Barroco, o autor procura mostrar o quanto os ornamentos mascaram a realidade; nosso Carnaval, cheio de riquezas e pompas, é um exemplo típico de como o Estado é capaz de dominar os oprimidos: tal é a grandeza do luxo e da riqueza, que por quatro dias ou mais esquecemos como nossa realidade é cruel, como nossa sociedade é desigual e, assim, nos acomodamos a ela.
Ao mostrar as diversas correntes filosóficas, o autor nos faz perceber que, ao refletirmos, o fazemos a partir do que vemos e vivenciamos em nossa época e, assim, nossa reflexão não poderá ser eterna. A vida é uma somatória de momentos, e desta forma, o Homem se modifica a todo instante.
O autor também questiona nossa concepção de existência ao falar do niilismo, onde só existimos porque acreditamos neste fato, e também ao citar Sartre e seu existencialismo, quando afirma que “a existência precede a essência”, “existência não significa simplesmente estar vivo” (p. 486) e, assim, o ser humano, ao tomar consciência de sua existência, também se percebe responsável por ela.
Personagens de contos de fada surgem na vida de Sofia, assim como Sofia e Alberto surgem na vida de outros personagens. Através de Alberto, o autor sugere que “a filosofia é o oposto da magia” (p. 361); todavia, penso que filosofia é magia, a magia da capacidade de o ser humano se voltar para dentro de si e confrontar-se com o mundo em busca de explicações para sua existência.
Somos personagens, assim como Chapeuzinho Vermelho e muitos outros. Contudo, podemos escolher entre sermos meros espectadores da história que está sendo escrita ou sermos agentes desta história, isto é, escrevê-la em parceria com outros seres.
Somos capazes de tudo; de transformar o mundo; fazer dele um sonho que nunca se realizará, um pesadelo que só acabará com a morte – se quisermos ser meros fantoches, personagens criados por autores não bem intencionados, ou então escrever nossa própria história, onde nós seremos os personagens principais.
Não podemos deixar que o “major”, aquele que detém o poder de nossas vidas, escreva nosso destino, pois ele poderá dar cabo de nossa existência quando bem lhe convier.
Finalizando, “O Mundo de Sofia” é um romance fantástico do qual não queremos nos separar. Ele retrata com maestria a nossa existência.
É livro de cabeceira, para ser pesquisado constantemente.

Márcia Sanchez Luz ©

terça-feira, 7 de agosto de 2007

Entrevista de Leila Míccolis ao poeta Ulisses Tavares

ESPECIAL!

Leia a entrevista de Leila Míccolis ao poeta Ulisses Tavares, da Revista
"DISCUTINDO LITERATURA", edição número 13

Para visualizar melhor, clique em cima de cada figura

Raul Machado

A UM POETA

Poeta! Se em grandes lágrimas o pranto
Tua alma embebe, tua face inunda,
Sê como a terra dos canteiros, quanto
Mais orvalhada, tanto mais fecunda!

E enquanto o choro se extravasa, lento,
Da tua dor faze um motivo de arte!
Floresce em versos o teu sentimento!
Em fruito de oiro o coração reparte!

Sofres sem trégua? A vida te escurecia?
Marcas, de sangue generoso, os rastros?
Transforma o teu soluço em harmonia!
Rebenta as tuas lágrimas em astros!

Ilumina de um brilho, novo e ardente,
A noite e o horror de teus martírios puros!
Os céus se mostram infinitamente
Mais estrelados, quanto mais escuros...

Glorificar a dor é o teu destino!
No mundo da arte que se não profana,
Toda centelha do prazer divino
Nasce de um pouco da tristeza humana!

(enviado por Francisco Sanchez)

segunda-feira, 6 de agosto de 2007


E-MAILS

Como me atormenta esse silêncio!
Quando a dúvida me assola
Convido-te e duvido
Que não aceitarás.

Recusar seria loucura
Mistura quase indevida
De procura e inquietude
Não mudança de postura!

O que foi que se quebrou
Em meio a tantos e-mails
No emaranhado de fios
Que nossos sonhos permeiam?

O que foi que se perdeu
No tortuoso caminho
Da palavra que não soa?

Márcia Sanchez Luz ©


*Do Livro "No Verde dos Teus Olhos" - Editora Protexto, PR - 2007

domingo, 5 de agosto de 2007

Salvador Dalí

O Sonho

O Grande Masturbador


Para quem gosta de Salvador Dalí, segue uma sugestão:

Acesse http://www.daligallery.com/

É como se estivéssemos em uma galeria de arte!
Entre no elevador virtual e clique nos respectivos andares para visitar suas obras.

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

Márcia Sanchez Luz - Blocos - Poesia Brasileira Contemporânea

RESPOSTA

Vão te encontrar sorrindo, rindo de tudo que te fizeram.
Vão te encontrar blefando o mesmo blefe que te ensinaram.
Vão te encontrar jogando o mesmo jogo a que te expuseram.
(Vão sim, vão sim)

Vão te encontrar na noite, cantando o samba pra relaxar.
Vão te encontrar de dia, dançando a rumba pra distrair.
Vão te buscar de dia, de noite e sempre e vais dizer não.
(Vai não, vai não)

Vão te encontrar sereno, mais cedo ou tarde te procurar.
Hão de sentir tua ausência, nas noites frias junto ao luar.
Hão de chamar por ti, nos dias quentes, nas estiadas.
(Hão sim, hão sim)

Mas de rogado vais te fazer.
Jogue os retalhos do que sobrou.
Mostre tudo o que semeou.
Mostre a faca que te cortou.
Mostre o mundo que te encantou.
E mostre ao mundo o que te machucou..

Márcia Sanchez Luz ©

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Fernando Pessoa

ANÁLISE

Tão abstrata é a idéia do teu ser
Que me vem de te olhar, que, ao entreter
Os meus olhos nos teus, perco-os de vista,
E nada fica em meu olhar, e dista
Teu corpo do meu ver tão longemente,
E a idéia do teu ser fica tão rente
Ao meu pensar olhar-te, e ao saber-me
Sabendo que tu és, que, só por ter-me
Consciente de ti, nem a mim sinto.
E assim, neste ignorar-me a ver-te, minto
A ilusão da sensação, e sonho,
Não te vendo, nem vendo, nem sabendo
Que te vejo, ou sequer que sou, risonho
Do interior crepúsculo tristonho
Em que sinto que sonho o que me sinto sendo.

Fernando Pessoa, 12-1911

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Blocos - Teatro - Notícias


TESTE PARA ATORES QUE SAIBAM CANTAR E TOCAR VIOLÃO


PRECISAMOS DE ATORES/MÚSICOS QUE SAIBAM CANTAR E TOCAR VIOLÃO PARA O MUSICAL INFANTIL ECOLÓGICO 'VAMOS COLORIR O MUNDO'.

Os interressados enviar curriculo com fotos para o E-mail - kgproducoes@yahoo.com.br , klebergoncalves@bol.com.br - Tel: 11 6849-0821 Cel: 9695-6797 - Falar com Kleber Gonçalves.

(Notícia enviada por Amilton Ferreira).

PRODUTORA PLAYART= CADASTRAMENTO DE ATORES E ATRIZES/SP

A Playart, nasceu com a proposta de prestar serviços em produções, eventos, cinema, televisão, comerciais etc., num processo de criação completa delineando a necessidade de seus clientes para um respectivo cronograma de trabalho. Fone: 11-6914-2681/9133-1981

www.playarteventos.com.br
E-mail:dorapay@terra.com.br
tribodobar@terra.com.br
A/C DORA GONÇALVES

(Notícia enviada por Amilton Ferreira)

segunda-feira, 30 de julho de 2007

A Ingmar Bergman, que hoje nos deixou

VIAGEM

No nascer do sol
O expoente se inicia
Com a maldição do olhar.
E nas trevas ardentes
De chuvas que brotam
De mágoas intensas,
O sol desaparece
Num quebranto
De dor e amargura
Num espanto
De amor e ternura.

Márcia Sanchez Luz ©

domingo, 29 de julho de 2007

Márcia Sanchez Luz - Blocos - Poesia Brasileira Contemporânea

Márcia Sanchez Luz - Blocos - Poesia Brasileira Contemporânea:

FILHO DO DESTINO

Ao longe se avistava uma mangueira
Onde se via um pequeno menino
Sentado sobre seus corpulentos galhos
Matando a fome e a sede do cotidiano.

De longe se avistava uma mangueira
Bem no meio de um lindo gramado
Onde corriam cães, galinhas e esquilos
Todos em perfeita harmonia primaveril.

O menino, pobre filho do destino,
Da mangueira fez seu pão de cada dia
E a cada dia que passava
Passava o dia a se esconder
De cada novo dia a amanhecer.

Márcia Sanchez Luz ©

sábado, 28 de julho de 2007

GENTE HUMILDE
(Garoto - Vinicius de Moraes - Chico Buarque/1969)

Tem certos dias
Em que eu penso em minha gente
E sinto assim
Todo o meu peito se apertar
Porque parece
Que acontece de repente
Feito um desejo de eu viver
Sem me notar
Igual a como
Quando eu passo no subúrbio
Eu muito bem
Vindo de trem de algum lugar
E aí me dá
Como uma inveja dessa gente
Que vai em frente
Sem nem ter com quem contar

São casas simples
Com cadeiras na calçada
E na fachada
Escrito em cima que é um lar
Pela varanda
Flores tristes e baldias
Como a alegria
Que não tem onde encostar
E aí me dá uma tristeza
No meu peito
Feito um despeito
De eu não ter como lutar
E eu que não creio
Peço a Deus por minha gente
É gente humilde
Que vontade de chorar.

sexta-feira, 27 de julho de 2007

Poemas de Leila Míccolis - ciclo ditaduras


CONTRADIÇÕES


Foi na vida que aprendi
a interpretar às avessas
os provérbios, pois na prática
as verdades são inversas:
quem não deve é quem mais teme,
há quem cale e não consinta,
e o diabo é exatamente
tão feio quanto se pinta.

(publicado com a autorização da autora)

quarta-feira, 25 de julho de 2007

Carta de uma Mãe que perdeu o filho na tragédia de Congonhas



A carta a seguir chegou até mim por e-mail, e achei por bem dividi-la com todos vocês que acessam este espaço.

Acredito que está mais do que na hora de fazermos uma reflexão a respeito de nossa função no mundo em que vivemos, para descobrirmos "a que" viemos nesta vida.

Não podemos mais assistir passivamente aos fatos trágicos que nos assolam diariamente e só lamentá-los.

Muita coisa há que ser mudada, e cabe a nós essa tarefa.

Como bem disse Vandré, "quem sabe faz a hora, não espera acontecer...".

Márcia Sanchez Luz



"Aos governantes e à família brasileira,

Perdi o meu único filho.

Ninguém, a não ser outra mãe que tenha passado por semelhante tragédia, pode ter experimentado dor maior.

Mesmo sem ter sido dada qualquer publicidade à missa que ontem oferecemos à alma de meu filho, Luís Fernando Soares Zacchini, mais de cem pessoas compareceram. Em todos os olhos havia lágrimas. Lágrimas sinceras de dor, de saudade, de empatia. Meus olhos refletiam todos os prantos derramados por ele, por mim, por seu filhinho, por sua esposa, por todos parentes e amigos. Por todos os sacrificados na catástrofe do Aeroporto de Congonhas.

Há muito eu sabia que desastres aéreos iriam acontecer. Sabia que os vôos neste país não oferecem segurança no céu e na terra. Que no Brasil a voracidade de vender bilhetes aéreos superou o respeito à vida humana. A culpa é lançada sobre um número insuficiente de mal remunerados operadores aéreos ou sobre as condições das turbinas dos aviões. Um Governo alheio a vaias é responsável pelo desmonte de uma das mais respeitáveis e confiáveis empresas aéreas do mundo, a VARIG, em benefício da TAM, desde então, a principal provedora de bilhetes pagos pelo Governo. Que a opinião pública é desviada para supostos erros de bodes expiatórios, permitindo aos ambíguos incompetentes que nos governam continuarem sua ação impune. Que nossos aeroportos não têm condições de atender à crescente demanda de vôos cujo preço é o mais caro do mundo. Quando os usuários aguardam uma explicação, à falta de respeito ao cidadão juntam-se o escárnio e a cruel vulgaridade de uma ministra recomendando aos viajantes prejudicados que relaxem e gozem. Assuntos de alcova não condizentes com a reta postura moral e respeito exigidos no exercício de cargos públicos. Assessores do presidente deste país eximem-se da responsabilidade e do compromisso com a segurança de nosso povo exibindo gestos pornográficos. Gestos mais apropriados a bordéis do que a gabinetes presidenciais. Ao invés de se arrependerem de uma conduta chula, incompatível com a dignidade de um povo doce e amável como o brasileiro, ainda alardeiam indignação, único sentimento ao alcance dos indignos. Aqueles que deveriam comandar a responsabilidade pelo tráfego aéreo no Brasil nada fazem exceto conchavos. Aceitam as vantagens de um cargo sem sequer diferenciarem caixa preta de sucata. Tanto que oneraram e humilharam o país ao levar o material errado para ser examinado em Washington. Essas são as mesmas autoridades agraciadas com louvor e condecorações do Governo em nome do povo brasileiro, enquanto toda a nação, no auge de sofrimento, chorava a perda de seus filhos.

Tudo isto eu sabia. A mim, bastava-me minha dor, bastava meu pranto, bastava o sofrimento dos que me amam, dos que amaram meu filho. Nenhum choro ou lamento iria aumentar ou minorar tanta tristeza. Dores iguais ou maiores que a minha, de outras mães, dos pais, filhos e amigos dos mortos necessitam de consolo. A solidariedade e amor ao próximo obrigam-nos a esquecer a própria dor.

Não pensei, contudo, que teria de passar por mais um insulto: ouvir a falsidade de um presidente, sob a forma de ensaiadas e demagógicas palavras de conforto. Um texto certamente encomendado a um hábil redator, dirigido mais à opinião pública do que a nossos corações, ao nosso luto, às nossas vítimas. Palavras que soaram tão falsas quanto a forçada e patética tentativa que demonstrou ao simular uma lágrima. Não, francamente eu não merecia ter de me submeter a mais essa provação nem necessitava presenciar a estúpida cena: ver o chefe da nação sofismar um sofrimento que não compartilhava conosco.

Senhores governantes: há dias vejo o mundo através de lágrimas amargas mas verdadeiras. Confundem-se com as lágrimas sinceras e puras de todos os corações amigos. Há dias, da forma mais dolorosa possível, aprendi o que é o verdadeiro amor. O amor humano, o Amor Divino. O amor é inefável, o amor é um sentimento despojado de interesse, não recorre a histriônicas atitudes políticas.

Não jorra das bocas, flui do coração!

E que Deus nos abençoe!

Adi Maria Vasconcellos Soares

Porto Alegre, 21 de julho de 2007."

(enviado por Jailson Sanchez)