quarta-feira, 13 de junho de 2007

Glauco Mattoso Site Oficial

SONETO ALTISSONANTE [227]

Barulho é o que se faz na poesia,
de dentro para fora do poema.
Se não for ruidoso o próprio tema,
a forma desafina a melodia.

Se o atonal virou monotonia,
resolve-se na crítica o problema.
É só polemizar, com tinta extrema,
se a pança deve estar ou não vazia.

A fome, última instância do organismo,
define o decibel do belo artístico,
que vai de zero a dez em ativismo.

A coisa se resume neste dístico:
Mais pintam de fatídico um abismo,
maior seu interesse e grau turístico.

(publicado com a autorização do autor)