terça-feira, 23 de junho de 2009

Poema de Jorge Sader Filho




Recado


Jorge Cortás Sader Filho



Papel, se alguém perguntar,

Diga que as coisas vão bem.

Que ainda posso falar

O que na cabeça me vem.


Que a Vida vai passando

Como é de se esperar.
E eu sempre teimando

Insisto no meu lugar.

Desistir não posso nem devo;
Não há lugar pra fraqueza
Se no contorno d’alma o relevo
Não me mostra tibieza.


Papel, se alguém perguntar,

Diga que as coisas vão bem,

Que ainda posso amar
As coisas que o mundo tem.


Diga também, por favor,
Que embora com a alma ferida

Ainda sinto o ardor,

Nas veias da minha Vida.