terça-feira, 22 de setembro de 2009

Soneto de Marco Bastos


SONETO POR UM AMOR MAIOR

© Marco Bastos


Tela de Marco Bastos


Quero o soneto como ninguém faz
Pelo amor que ainda aqui perdura
Em versos, trespassado por haicais,
Dourada filigrana, luz, moldura.

Falar ao amor que o amor se liquefaz
Sem embeber papéis, saliva pura.
Sem o querer torturas orientais
Água na pedra que um dia fura.

Cantar um canto, plena primavera.
Na chuva, arco, irisado barco.
Os nimbos voam - velas da quimera.

Nessa heresia um sapo, um charco.
Voa o amor, mera libélula era
Como li_belo - retesado arco!...

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Observação do autor: Soneto que incorpora nos tercetos dois haicais guilherminos (métrica 5/7/5, rimando o primeiro com o terceiro verso e contendo uma rima interna no segundo verso)

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plena primavera.
arco, irisado barco.
- velas da quimera.

um sapo, um charco.
mera libélula era
- retesado arco!...

© Marco Bastos