sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Soares Feitosa

À vista de ti















Nunca te vi, melhor que seja assim.

Teus cabelos seriam trinados ao vento?

Poderia eu dizer “treinados”, eles seriam — porque aí corre
o vento da tardinha — sempre me dizes
do vento.

Guardo teus papéis eu guardo.

Perco-os, justo que me percam.

Um cartãozinho..., teu, a te encontrar, azul...,
azul seria a saia de sair?

Ou, haverias de preferir uma roupinha amarela
e os olhos vagos de nenhuma palavra?

O que poderei dizer quando te encontrar?..., se.

Nestes tempos modernos, teria lugar para um silêncio?

Falarias?
De que nos diríamos?

Melhor que teus cabelos fiquem ao vento.

Ah, vento doce, da noite,
como me perfumas o hálito desta noite cedo.


Fonte: Jornal de Poesia