sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Morre o escritor Condorcet Aranha

CONTRATEMPO


Condorcet Aranha
29.01.1940 - 19.11.2010

Não sei quando começou o tempo,
Sequer, o tempo que ele durará,
Mas, eu preciso perceber, em tempo,
Qual é o tempo que terei, no tempo,
Para fazer o que pretendo, a tempo.

Não vou passar aqui somente um tempo,
Na infinidade que o tempo tem?
Se aproveitar o tempo e me tornar saudade,
No coração aberto de um outro alguém,
Deixo-o na vida para novo tempo.

Então somando todos nossos tempos,
Se, prosseguirmos a tornar saudade,
Nossas saudades, formarão um tempo,
Por tanto tempo que nem sei contar,
Porque por certo não terei mais tempo.

Então, enquanto não me acaba o tempo,
Até ficar apenas como uma saudade,
Vou me manter no máximo do tempo,
Para aumentar a soma das saudades,
Salvo aconteça, assim... Um contratempo!

Se não deixar meu tempo no antetempo,
Vou consumi-lo até nos entretempos,
Para curtir milhões de passatempos.
Mas, se eu partir no “raio” de um destempo,
Serei saudade, apenas, do meu tempo.



(Poema extraído de sua página pessoal em Blocos Online, onde poderá ser homenageado com a leitura de seus poemas)