segunda-feira, 27 de agosto de 2007


Viagem - Poesia em Blocos Online



VIAGEM

No nascer do sol
O expoente se inicia
Com a maldição do olhar.

E nas trevas ardentes
De chuvas que brotam
De mágoas intensas,
O sol desaparece
Num quebranto
De dor e amargura
Num espanto
De amor e ternura.

Márcia Sanchez Luz ©

Meus Indicados

Lista dos links e poemas por mim indicados para o "PRÊMIO CANETA DE OURO – POESIAS 'IN BLOG' 2007":

Faca Afiada - 06 de abril de 2007
http://chrisherrmann.blogspot.com/
"URGENTE" - 06 de julho de 2007
http://poesiadeluizacaetano.blogspot.com/
por encanto...por enquanto... - 03 de agosto de 2007
http://voodeariane.blogspot.com/
PAIXÃO - 06 de julho de 2007
http://ciceroalvernaz.blogspot.com
Guindaste - 12 de junho de 2007
http://casadeparagens.blogspot.com

sábado, 25 de agosto de 2007

Palavras ao Mar - Vicente de Carvalho

PALAVRAS AO MAR

(Vicente de Carvalho)

Mar, belo mar selvagem
Das nossas praias solitárias! Tigre
A que as brisas da terra o sono embalam,
A que o vento do largo eriça o pêlo!
Junto da espuma com que as praias bordas,
Pelo marulho acalentada, à sombra
Das palmeiras que arfando se debruçam
Na beirada das ondas - a minha alma
Abriu-se para a vida como se abre
A flor da murta para o sol do estio.

Quando eu nasci, raiava
O claro mês das garças forasteiras:
Abril, sorrindo em flor pelos outeiros,
Nadando em luz na oscilação das ondas,
Desenrolava a primavera de ouro;
E as leves garças, como olhas soltas
Num leve sopro de aura dispersadas,
Vinham do azul do céu turbilhonando
Pousar o vôo à tona das espumas...

É o tempo em que adormeces
Ao sol que abrasa: a cólera espumante,
Que estoura e brame sacudindo os ares,
Não os sacode mais, nem brame e estoura;
Apenas se ouve, tímido e plangente,
O teu murmúrio; e pelo alvor das praias,
Langue, numa carícia de amoroso,
As largas ondas marulhando estendes...

Ah! vem daí por certo
A voz que escuto em mim, trêmula e triste,
Este marulho que me canta na alma,
E que a alma jorra desmaiado em versos;
De ti, de tu unicamente, aquela
Canção de amor sentida e murmurante
Que eu vim cantando, sem saber se a ouvia,
Pela manhã de sol dos meus vinte anos.

Ó velho condenado
Ao cárcere das rochas que te cingem!
Em vão levantas para o céu distante
Os borrifos das ondas desgrenhadas.
Debalde! O céu, cheio de sol se é dia,
Palpitante de estrelas quando é noite,
Paira, longínquo e indiferente, acima
Da tua solidão, dos teus clamores...

Condenado e insubmisso
Como tu mesmo, eu sou como tu mesmo
Uma alma sobre a qual o céu resplende
- Longínquo céu - de um esplendor distante.
Debalde, o mar que em ondas te arrepelas,
Meu tumultuoso coração revolto
Levanta para o céu como borrifos,
Toda a poeira de ouro dos meus sonhos.

Sei que a ventura existe,
Sonho-a; sonhando a vejo, luminosa.
Como dentro da noite amortalhado
Vês longe o claro bando das estrelas;
Em vão tento alcançá-la, e as curtas asas
Da alma entreabrindo, subo por instantes...
O mar! A minha vida é como as praias,
E o sonho morre como as ondas voltam!

Mar, belo mar selvagem
Das nossas praias solitárias! Tigre
A que as brisas da terra o sono embalam,
A que o vento do largo eriça o pêlo!
Ouço-te às vezes revoltado e brusco,
Escondido, fantástico, atirando
Pela sombra das noites sem estrelas
A blasfêmia colérica das ondas...

Também eu ergo às vezes
Imprecações, clamores e blasfêmias
Contra essa mão desconhecida e vaga
Que traçou meu destino... Crime absurdo
O crime de nascer! Foi o meu crime.
E eu expio-o vivendo, devorado
Por esta angústia do meu sonho inútil.
Maldita a vida que promete e falta,
Que mostra o céu prendendo-nos à terra,
E, dando as asas, não permite o vôo!

Ah! cavassem-te embora
O túmulo em que vives - entre as mesmas
Rochas nuas que os flancos te espedaçam,
Entre as nuas areias que te cingem...
Mas fosses morto, morto para o sonho,
Morto para o desejo de ar e espaço,
E não pairasse, como um bem ausente,
Todo o infinito em cima de teu túmulo!

Fosse tu como um lago,
Como um lago perdido entre as montanhas:
Por só paisagem - áridas escarpas,
Uma nesga de céu como horizonte...
E nada mais! Nem visses nem sentisses
Aberto sobre ti de lado a lado
Todo o universo deslumbrante - perto
Do teu desejo e além do teu alcance!

Nem visses nem sentisses
A tua solidão, sentindo e vendo
A larga terra engalanada em pompas
Que te provocam para repelir-te;
Nem buscando a ventura que arfa em roda,
A onda elevasses para a ver tombando,
- Beijo que se desfaz sem ter vivido,
Triste flor que já brota desfolhada...

Mar, belo mar selvagem!
O olhar que te olha só te vê rolando
A esmeralda das ondas, debruada
Da leve fímbria de irisada espuma...
Eu adivinho mais: eu sinto... ou sonho
Um coração chagado de desejos
Latejando, batendo, restrugindo
Pelos fundos abismos do teu peito.

Ah, se o olhar descobrisse
Quanto esse lençol de águas e de espumas
Cobre, oculta, amortalha!... A alma dos homens
Apiedada entendera os teus rugidos,
Os teus gritos de cólera insubmissa,
Os bramidos de angústia e de revolta
De tanto brilho condenado à sombra,
De tanta vida condenada à morte!

Ninguém entenda, embora,
Esse vago clamor, marulho ou versos,
Que sai da tua solidão nas praias,
Que sai da minha solidão na vida...
Que importa? Vibre no ar, acode os ecos
E embale-nos a nós que o murmuramos...
Versos, marulho! Amargos confidentes
Do mesmo sonho que sonhamos ambos!

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Fui Indicada - Prêmio Caneta de Ouro - Poesias "In Blog" 2007



André L. Soares disse...

MÁRCIA SANCHEZ LUZ

Boa noite!

Por favor, leia com atenção!

É com base no modelo ‘Blog Day – Cinco Estrelas’, evento de sucesso idealizado pela Elza, do blog ‘NADA POR MIM’, que nós, ANDRÉ L. SOARES (do blog GRITOS VERTICAIS ) e RITA COSTA (do blog ALMA DE POESIA ), na condição de ORGANIZADORES (não participantes), lançamos agora o “PRÊMIO CANETA DE OURO – POESIAS ‘IN BLOG’ 2007”, com o objetivo maior de eleger, conforme o voto dos próprios ‘bloggers’, o ‘MELHOR POETA’ e o ‘MELHOR POEMA’ de 2007, postado em idioma PORTUGUÊS.

Acreditando que o intercâmbio de conhecimentos decorrente da leitura diversificada é benéfico ao desenvolvimento da poesia como um todo, o PRÊMIO CANETA DE OURO – POESIAS ‘IN BLOG’ 2007 objetiva, também, estimular a leitura, bem como a maior integração entre os ‘bloggers’ que escrevem poemas em idioma PORTUGUÊS.

A participação é opcional e gratuita, não implicando em quaisquer tipos de ônus aos participantes.

Assim, dando início ao “PRÊMIO CANETA DE OURO – POESIAS ‘IN BLOG’ 2007”, nós, André L. Soares e Rita Costa, Organizadores deste evento, indicamos o poema intitulado ‘NO VERDE DOS TEUS OLHOS.’ [ http://marciasl2001.blogspot.com/2007_07_01_archive.html ], postado em seu blog em 23.julho.2007, para ‘Concorrente Inaugural’, juntamente com mais outros 29 poemas. Por favor, leia com atenção as regras do concurso em: AQUI.

Caso aceite, confirme sua participação pelo email: canetadeouropoesia2007@gmail.com, para que possamos lhe enviar o conjunto de ‘arquivos do participante’ (‘regras’, ‘banner’ e ‘caixa de texto’).

Participe e nos ajude a construir um dos maiores eventos literários da Internet.
Gratos por sua atenção!


ANDRÉ L. SOARES e RITA COSTA.
Organizadores.

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Leitura Recomendada: Miscigenação não leva à democracia racial, diz sociólogo - O Globo Online

Toda Palavra


TODA PALAVRA

.......Anibal Beça ©



"Toda palavra guarda uma cilada"
......TORQUATO NETO


Toda palavra voa nebulosa
até chegar latente ao nosso chão.
Pousa sem pressa ou prece em mansa prosa
caída chuva breve de verão.

Toda palavra se abre generosa
para abrigar segredos num porão
lá onde sobram sombras sinuosas
levantando a poeira no perdão

Toda palavra veste-se vistosa
para fazer afagos na paixão
uma pantera em paz, porém tinhosa.

Toda palavra enfim é explosão
que o mundo só é mundo por osmose
pois há um outro ser no coração

(Este poema chegou a mim por e-mail, enviado pelo próprio Anibal Beça)

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Écoute


ÉCOUTE

Écoute le silence retrouvé
Parmis des bruits insistants
Que toujours nous remètent
À chercher la gloire de l’éxistence.

Écoute la parole reinseignée
Par des émotions revenues
Qui s’addressent à toi
Quelques fois.

Écoute l’émotion des bruits
Presque perdus
Dans l’immensité
De ton coeur.

Écoute les vents du nord
Et du sud, et de l’est
Et de l’ouest...

Ils sont les sons de ton âme !

Márcia Sanchez Luz ©

segunda-feira, 20 de agosto de 2007


(João Bosco / Aldir Blanc – 1979)
Intérprete: Elis Regina

Caía a tarde feito um viaduto
E um bêbado trajando luto
Me lembrou Carlitos
A lua, tal qual a dona do bordel,
Pedia a cada estrela fria
Um brilho de aluguel
E nuvens, lá no mata-borrão do céu,
Chupavam manchas torturadas, que sufoco!
Louco, o bêbado com chapéu-coco
Fazia irreverências mil pra noite do Brasil.
Meu Brasil.
Que sonha com a volta do irmão do Henfil.
Com tanta gente que partiu num rabo de foguete.
Chora a nossa pátria mãe gentil,
Choram Marias e Clarisses no solo do Brasil.
Mas sei que uma dor assim pungente
Não há de ser inutilmente, a esperança
Dança na corda bamba de sombrinha
E em cada passo dessa linha pode se machucar
Asas, a esperança equilibrista
Sabe que o show de todo artista
Tem que continuar…

Histórico:

Composta em 1979, tornou-se um símbolo da luta pela anistia, pela volta dos exilados e pela abertura política do regime militar.

Carlitos, personagem mais famoso de Charles Chaplin, representa a população oprimida, mas que ainda consegue manter o bom humor, denunciava as injustiças sociais de forma inteligente e engraçada.

A Equilibrista dançando na corda bamba, de sombrinha, é a esperança de todo um povo.

Henrique de Sousa Filho, conhecido como Henfil, foi um cartunista, quadrinista, jornalista e escritor brasileiro. Seu irmão, Herbert José de Sousa, conhecido como Betinho, foi um sociólogo e ativista dos direitos humanos brasileiros; concebeu e dedicou-se ao projeto Ação da Cidadania contra a Miséria e Pela Vida.

Com o golpe militar, em 1964, mobilizou-se contra a ditadura, sem nunca esquecer as causas sociais. Mas, com o aumento da repressão, foi obrigado a se exilar no Chile em 1971.
Maria era mãe de Betinho (irmão de Henfil) e Clarice, mulher do jornalista assassinado durante a ditadura, Vladimir Herzog.

Mas Marias e Clarisses, no plural, fazem referência às mães, irmãs ou mulheres de pessoas que se foram, ou mesmo deixaram o nosso país, lutando por um ideal, um sonho, de ver o Brasil livre para a informação e para a expressão das artes.


Texto de autoria de Cylene Dworzak Dalbon
Fonte: WordPress.com

Márcia Sanchez Luz - Blocos - Poesia Brasileira Contemporânea


MELODIA

Não há que negar
Nossas diferenças
Posto que existem
O claro e o escuro
Na mais densa mata
De todos os palcos
Desta melodia
Cujo nome é vida!
Transportada em redes
De luares rentes
Pois que a ti concedem
O clarão da alma
Da mais pura calma
Concebida em noites
De total silêncio
Onde a dor acaba
E o furor transcende
Transpassando a mente
Doce e saborosa
Pois que vicejante
Em tua fala quente
Que atordoa e mente!
Faz-se soberana
Como em ti emana
A presença humana...
Mãos que se entrelaçam
Entregando espaços
Antes tão restritos
A ínfimos laços!

Márcia Sanchez Luz ©

*Do Livro "No Verde dos Teus Olhos" - Editora Protexto, PR - 2007

domingo, 19 de agosto de 2007

A Tancredos, Joãos, Priscilas e Marias - Márcia Sanchez Luz - Crônicas - Blocos Online:

A TANCREDOS, JOÃOS, PRISCILAS E MARIAS

Na expressão de uma lágrima percorrendo nossos extremos, pôde-se ouvir um pavoroso estrondo evocando o grito de nossos corações.
De repente, uma única lágrima parecia dançar entre todos os corpos vivos, ao som de uma alucinante canção que nos fazia seguir o caminho irreversível da luta.

Fechando caminho para novos sigilos seguimos...
A cada estrondo, a cada lágrima, a cada grito.
Lágrimas caindo como um dominó, cujas peças pareciam não ter fim.

Salva de lágrimas.
Salva de tiros.

O peito aperta e enlaça a dor.
O ouvido encerra o ruído ensurdecedor.

Explodíamos, sem contenção.
Lágrimas aglomeradas assemelhavam-se a ondas gigantes.
O mar revolto, tomado pelas ondas, não mostrava um sinal sequer de paz.

Revolta patente atravessando corpos, machucando ventres, uivando em nossas cabeças já dilaceradas.
Não mais podíamos pensar...

O peito arde, o grito ecoa.
O pranto aperta a alma desperta!

E as ondas iam crescendo, trajando o som de metralhadoras.
Trovejava...
E o temor nos foi assolando...
E o barulho, ainda mais intenso, aludia a tambores prevendo a guerra.

Márcia Sanchez Luz ©

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Degelo Causado Pelo Aquecimento Global

Gaivotas pousam em iceberg, na Groenlândia

Fonte: AFP (Yahoo! Notícias)

Vinte Anos Sem Drummond


O AMOR ANTIGO
Carlos Drummond de Andrade

O amor antigo vive de si mesmo,
não de cultivo alheio ou de presença.
Nada exige, nem pede. Nada espera,
mas do destino vão nega a sentença.

O amor antigo tem raízes fundas,
feitas de sofrimento e de beleza.
Por aquelas mergulha no infinito,
e por estas suplanta a natureza.

Se em toda parte o tempo desmorona
aquilo que foi grande e deslumbrante,
o antigo amor, porém, nunca fenece
e a cada dia surge mais amante.

Mais ardente, mas pobre de esperança.
Mais triste? Não. Ele venceu a dor,
e resplandece no seu canto obscuro,
tanto mais velho quanto mais amor.


JOSÉ
Carlos Drummond de Andrade

E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?

E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio, - e agora?

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, José!

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, para onde?