segunda-feira, 20 de maio de 2013

LANÇAMENTO DO LIVRO “DESFAMILIARES”, DE LEILA MÍCCOLIS


Livro: DESFAMILIARES – Obra poética de Leila Míccolis (1965-2012)
Autora: Leila Míccolis
Editora: Annablume (São Paulo)
Lançamento:  7 de junho  de 2013, Livraria da Travessa de Ipanema, às 19 horas
Páginas: 578


A OBRA

DESFAMILIARES traz a poesia de Leila Míccolis, reunindo suas obras individuais, as em parceria e os poemas esparsos em antologias nacionais de 1965 a 2012 e também Fortuna crítica: Affonso Romano de Sant’Anna, Angela Garcia, Carlos Nejar, Gilberto Mendonça Teles, Heloísa Buarque de Hollanda, Ignácio de Loyola Brandão, Ítalo Moriconi, Jair Ferreira dos Santos,  Nélida Piñon, Wilberth Clayton Ferreira Salgado. A capa é dos artistas pláticos: Urhacy Faustino e Mônica Banderas. Prefácio: Glauco Mattoso. 

Apresentação: Antonio Vicente Seraphim Pietroforte.

Sua produção poética não é acomodada ou suave, até porque sua autora é um dos ícones da Poesia dos Anos 70, que traz a insubordinação e o questionamento como algumas de suas características principais. Os poemas de Leila Míccolis são em geral transgressores, demolidores, irônicos, ferinos, críticos, cítricos, rebeldes, provocativos, mas bem-humorados. Inquietam, abalam, surpreendem. A obra de Míccolis, considerada uma das primeiras poetisas feministas brasileiras, contribui para a reflexão sobre a construção social da igualdade dos gêneros. Porém ela não se atém ao âmbito do universo feminino: vive amplamente o cotidiano do mundo contemporâneo – com suas perplexidades e contradições – interagindo com todos os grupos e setores da sociedade.

A AUTORA

Carioca, advogada (sem exercer atualmente a profissão), Mestra e Drª em Teoria Literária pela UFRJ (fazendo o pós-doutoramento), escritora, 30 livros editados (poesia e prosa), obras publicadas na França, México, Colômbia, África, Estados Unidos e Portugal, teatróloga, roteirista de cinema e escritora de novelas de TV, entre elas: “Kananga do Japão”, “Barriga de Aluguel” e “Mandacaru”. Ministra cursos on line de teledramaturgia. Elaborou verbetes para a “Enciclopédia de Literatura Brasileira” (MEC/OLAC) e também publicou: “Catálogo da Imprensa Alternativa”, 1986, pela RioArte/Prefeitura do RJ. Publicada na Revista Poesia Sempre (Biblioteca Nacional/MEC), consta do Banco de Dados Informatizados do Banco Itaú - Módulo Literatura Brasileira, Setor Literatura/ Brasileira/Poesia/Tendências Contemporâneas) e dos “Cadernos Poesia Brasileira” - vol. 4, “Poesia Contemporânea”, editado pela mesma instituição, 1997. Coedita Blocos, com Urhacy Faustino, revista impressa e eletrônica .

sábado, 4 de maio de 2013

SEIS ANOS DO BLOG MÁRCIA SANCHEZ LUZ


Remendos

© Márcia Sanchez Luz

(Img:Itzchak Tarkay)
 
Muitos são pequenos excertos
de grandes paixões
de poemas que falam
o que minha boca cala.
Muitos são pequenos remendos
de poucos retalhos
que consegui obter
a duras penas.
Poucos são grandes acertos
que me dispus a contar
nas noites de insônia
nos dias chuvosos
nublados
turvos
frios. 




terça-feira, 16 de abril de 2013

Um soneto de Nathan de Castro


Sina de Poeta

© Nathan de Castro


Nem tanto pelo sol, nem tanto pela chuva...
somente pra viver rabisco estes sonetos.
Nem tanto pelo mar, nem tanto pelos rios,
nem pelas madrugadas das noites escuras.

Saudade dos teus olhos, dos beijos de uva?
Do abraço, do sorriso e até dos desafetos?
Saudade dos canteiros, línguas e arrepios?
Dos sabores dos vinhos das nossas loucuras?

Nem tanto por teus olhos, mais pelo silêncio
de rebuscar momentos, sonhos e querências...
nem tanto pelo estrago aqui dentro do peito!

quero "o" poema... e a lua sabe a sua essência,
mas não conta o segredo e a minha sina, aceito.
Se sei poeta, vou morrer sem tê-lo feito!

quarta-feira, 27 de março de 2013

A poesia de Lígia Saavedra




"qual o sentir que me assume?
miro o pensar, abro a rua
da alma que sonha com a lua
do brilho "só teu", vagalume..."
 (Lígia Saavedra)


quinta-feira, 14 de março de 2013

Castro Alves, no Dia Nacional do Poeta

As duas flores













Castro Alves
(14.03.1847 – 06.07.1871)


São duas flores unidas,
São duas rosas nascidas
Talvez no mesmo arrebol,
Vivendo no mesmo galho,
Da mesma gota de orvalho,
Do mesmo raio de sol.

Unidas, bem como as penas
Das duas asas pequenas
De um passarinho do céu...
Como um casal de rolinhas,
Como a tribo de andorinhas
Da tarde no frouxo véu.

Unidas, bem como os prantos,
Que em parelha descem tantos
Das profundezas do olhar...
Como o suspiro e o desgosto,
Como as covinhas do rosto,
Como as estrelas do mar.

Unidas... Ai quem pudera
Numa eterna primavera
Viver, qual vive esta flor.
Juntar as rosas da vida
Na rama verde e florida,
Na verde rama do amor! 


terça-feira, 29 de janeiro de 2013

A MAIOR TRAGÉDIA DE NOSSAS VIDAS - Fabrício Carpinejar




A MAIOR TRAGÉDIA DE NOSSAS VIDAS

Morri em Santa Maria hoje.
Quem não morreu? Morri na Rua dos Andradas, 1925.
Numa ladeira encrespada de fumaça.
A fumaça nunca foi tão negra no Rio Grande do Sul.
 Nunca uma nuvem foi tão nefasta.
Nem as tempestades mais mórbidas e elétricas desejam sua companhia.
Seguirá sozinha, avulsa, página arrancada de um mapa.
A fumaça corrompeu o céu para sempre.
O azul é cinza, anoitecemos em 27 de janeiro de 2013.
As chamas se acalmaram às 5h30,
mas a morte nunca mais será controlada.
Morri porque tenho uma filha adolescente que demora a voltar para casa.
Morri porque já entrei em uma boate pensando como sairia dali em caso de incêndio.
Morri porque prefiro ficar perto do palco para ouvir melhor a banda.
Morri porque já confundi a porta de banheiro com a de emergência.
Morri porque jamais o fogo pede desculpas quando passa.
Morri porque já fui de algum jeito todos que morreram.
Morri sufocado de excesso de morte; como acordar de novo?
O prédio não aterrissou da manhã, como um avião desgovernado na pista.
A saída era uma só e o medo vinha de todos os lados.
Os adolescentes não vão acordar na hora do almoço.
 Não vão se lembrar de nada.
Ou entender como se distanciaram de repente do futuro.
Mais de duzentos e cinquenta jovens sem o último beijo da mãe, do pai, dos irmãos.
Os telefones ainda tocam no peito das vítimas estendidas no Ginásio Municipal.
As famílias ainda procuram suas crianças.
As crianças universitárias estão eternamente no silencioso.
Ninguém tem coragem de atender e avisar o que aconteceu.
As palavras perderam o sentido.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

A GRANDE MENTIRA

Lino Vitti

Não é mais o viver que seguir por atalho
desafiando a dor, em dores se estorcendo,
muitas vezes ao lado humanas feras vendo,
outras muitas, do amor, famélico espantalho.

Vai conosco um fantasma, esquálido e tremendo,
castigo do pecado – o peso do trabalho.
O homem labuta em vão, demais pesa-lhe o malho,
de mentira em mentira a gente vai morrendo.

Estúpida ilusão, nela se engolfa o homem,
fatídica e falaz foge a felicidade
enquanto a humanidade engrandece o abdomem.

Queimam-se sonhos mil ao longo do caminho,
vai-se a vida em fumaça e no altar da vaidade
a humanidade reza e endeusa o que é mesquinho.

(Soneto publicado com a autorização do autor) 

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

DESAFIOS DA VIDA

Humberto Rodrigues Neto
(Humberto - Poeta)

 
Se usas frases difíceis, cerra os lábios
e poupa à tua platéia o tom maçante:
se ali houver dez a comparar-te aos sábios,
cem haverá que te acharão pedante.

Não queiras  ter num filho o campeão
da escola, em teu orgulho exclusivista:
torná-lo um homem deve a educação,
e nunca fazer dele um especialista!

Teus dons não julgues por demais completos,
nem teu concurso em tudo imprescindível:
os cemitérios andam já repletos
de gente que era insubstituível!

(Poema enviado por email pelo autor)

domingo, 28 de outubro de 2012

ORFEU DILACERADO

Cicero Melo


Agora denomino e me diviso.
 
Minhas mãos e braços estão na janela,
Onde habitam as palavras verdes
E amarelas do vento ensandecido.

Minhas pernas estão na fronteira
Do prazer e da solidão.
Lá, as línguas não se desatam.
É o país das palavras vermelhas,
Onde a noite tece sua condescendência.

O tronco foi dilapidado no país dos amores inconclusos
Que devoram todas as cores.

A cabeça, ó deuses cegos e vazios,
Explodiu dentro de vós,
Vinha.

(Poema enviado pelo autor por email)

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Luto

© Márcia Sanchez Luz


(Img: Salvador Dalí)

 
 
 
 
 
 
 
 
 
Sinto tanta dor
que a dor parece querer
se esconder dentro de mim.



sábado, 18 de agosto de 2012

Márcia Sanchez Luz em "EisFluências"


Revista eisFluências publica Márcia Sanchez Luz, numa iniciativa de Marco Bastos, um dos colaboradores da mesma


 

A revista  está registrada no ISSN e na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro-Brasil)
ISSN 2177-5761

Direção:  Victor Jerónimo (Portugal/Brasil)
Direção Cultural: Carmo Vasconcelos (Portugal)
Responsável pela Redação: Mercedes Pordeus (Brasil)


terça-feira, 14 de agosto de 2012

Bertold Brecht


Poema da rosa

Bertold Brecht
Tradução de Augusto Boal



 












Há uma rosa linda
No meio do meu jardim
Dessa rosa cuida eu
Quem cuidará de mim?
De manhã desabrochou
À tarde foi escolhida
Pra de noite ser levada
De presente a minha amiga

Feliz de quem possui
Uma rosa em seu jardim
A minha amiga com certeza
Pensa agora só em mim
Quando sopra o vento frio
E o inverno gela o jardim
Eu tenho calor em casa
E fico quietinho assim

Feliz de quem tem o seu teto
Pra ajudar a sua amiga
A fugir do vento ruim
Que deixa gelado o jardim

(Poema extraído de Blocos Online)