terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Um soneto de João Justiniano da Fonseca


A FATURA DO TEMPO

João Justiniano da Fonseca
Em 06.2. 2012. 8 horas


(Img: Last Judgement, de Kandinsky)


O tempo está cobrando muito caro
e não dispensa juros de um minuto.
É rei, é imperador, dono absoluto
não tem nobreza e é por demais, avaro.

- Senhor, maneira um pouco o teu disparo,
dá mais espaço e ar a esse conduto.
Não doa tanto a idade! Eu pouco escuto,
tropeço, enxergo mal, é escasso o faro!

Custo tão alto desmerece a vida.
Suaviza então a pena da ferida,
até à hora final e o barro eterno.

Basta que fique por lembrança apenas
igual às leves asas das falenas,
o amor e a luz de algum soneto terno.

(Soneto enviado por email pelo autor)

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Evento Poetas AVSPE 2012


(Tela de Celito Medeiros)


Efigênia Coutinho, Presidente da AVSPE, nos brinda, em mais uma edição primorosa, com um novo evento que reúne diversos poetas. Vale a pena conferir!

http://www.avspe.eti.br/AvspePoetas2012/indice.htm (todos os poetas)
http://www.avspe.eti.br/AvspePoetas2012/MarciaSanchezLuz.htm (minha página)

Obrigada e parabéns pelo belíssimo trabalho, Efigênia!

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

POEMA



© Rogel Samuel


Não posso reter os teus traços
Nem as notas de teu tema
Pois tua música se esquece
Como as vozes do poema
Da paixão, que mais um traço
Foi do azul de minha pena,
E quando te vir já será garço
O repique da tua cena
e o afastado abraço...
(oriunda onda a que cerca de aço
me levarão tuas algemas?)


(Poema publicado com a autorização do autor)

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Concurso literário homenageia Jorge Amado


A UBE - União Brasileira de Escritores (Núcleo Bahia), apóia a iniciativa que promove a literatura baiana e valoriza os autores locais

Estão abertas, até 30 de maio, as inscrições para a oitava edição do “Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus”, o qual faz homenagem ao escritor Jorge Amado, que completaria 100 anos em 10 de agosto de 2012. Autor de dezenas de obras traduzidas pelo mundo todo, Amado é o autor baiano mais famoso e lido por pessoas de todas as idades. O Núcleo Baiano da UBE, na pessoa do coordenador Carlos Souza, se junta a esta ação, com o objetivo de fortalecer a literatura do estado da Bahia e prestar um tributo a Jorge Amado.
O concurso literário promovido pelo jornalista Valdeck Almeida de Jesus é uma iniciativa divulgada no Eixo 4 do Plano Nacional do Livro e Leitura, do Ministério da Cultura e já publicou quase 1100 poetas do mundo todo, desde 2005. Em 2011 a edição foi em homenagem a autores baianos e teve mais de mil inscritos, cujas crônicas serão lançadas na Bienal do Livro de São Paulo, em agosto, mesmo mês de nascimento de Jorge Amado.
Para 2012 serão aceitas redações inéditas (artigos, crônicas ou resenhas) ou já publicadas sobre a vida e/ou obra de Jorge Amado. Serão aceitos, também, textos sobre escritores e poetas de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Macau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste. Outros temas serão aceitos como: redações sobre assuntos africanos, Copa do Mundo de Futebol de 2014 e sobre escritores de outras partes do mundo, desde que os textos sejam escritos em língua portuguesa. Inscrições até 30 de maio de 2012.


Maiores informações no site www.galinhapulando.com


terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Maria Bethânia - Prêmio Shell - Sonho Impossível



Sonhar mais um sonho impossível
Lutar quando é fácil ceder
Vencer o inimigo invencível
Negar quando a regra é vender

Sofrer a tortura implacável
Romper a incabível prisão
Voar num limite improvável
Tocar o inacessível chão

É minha lei, é minha questão
Virar este mundo, cravar este chão
Não me importa saber
Se é terrível demais
Quantas guerras terei que vencer
Por um pouco de paz

E amanhã se este chão que eu beijei
For meu leito e perdão
Vou saber que valeu
Delirar e morrer de paixão

E assim, seja lá como for
Vai ter fim a infinita aflição
E o mundo vai ver uma flor
Brotar do impossível chão.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

SILÊNCIOS

© Caio Martins

Para Jeanne




(Img: Márcia Sanchez Luz)


Te amo...

A memória, faca
laica
- insaciável, transitória -
quebra seus pertences
sem contar com glórias.

Fecha seus claustros
- insondáveis pergaminhos -
e cala
a trajetória tensa do sentir
árdua, impenetrável bala.

Contemplo teu olhar
- inquietante arquitetura -
e me diluo aos segundos
de cada século
em que perduras...

A memória insiste
- indecifrável sintonia -
e cala.
Não há tempo, lugar,
nem sinfonias...

Nas luzes de prenúncios
- inda que desande o caos -
te calas...
Sabes que te amarei
ao som de teus silêncios...



(Poema publicado com a autorização do autor)

domingo, 4 de dezembro de 2011

FILHOS NOSSOS

Cicero Melo



(img: Wassily Kandinsky)


Os filhos amadurecem os pais.
Amadurecem,
amadurecem,
até que os apodrecem.

(Publicado com a autorização do autor)

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Saciedade dos Poetas Vivos 13


PREFÁCIO


O Volume é o nº 13, o lançamento é no "Dia das Bruxas" e o exorcismo é a poesia — nada melhor do que a ação da alquimia poética para transmutar nefastas vibrações e benzer o mundo. Afinal, além dos poetas não viverem hoje nas nuvens (será que viveram algum dia?) também não sobrevoam o mundo montados em vassouras voadoras: têm a consciência de pés fincados na terra e sabem-se seres mágicos sim, mas com a magia que existe inerente a toda a criação. Por isto, nesta edição, escolhemos um tema telúrico: Terra, Homem e Animais — temática que à primeira vista pode parecer por demais ampla, mas que contém uma ligação sutil entre os elementos deste trinômio, mesmo que eles pareçam independentes e autônomos: como falar em Terra sem interligá-la ao humano, que, mesmo sendo racional, é uma raça de animais? Um engloba o outro, a exemplo das Matrioshkas, bonecas russas que, à perfeição, encaixam-se umas dentro das outras, a maior contendo todas as demais.

Terra, Homem e Animais comemoram cinco anos de projeto e estamos alegres com estas nossas Bodas de Madeira — somos madeira de lei, própria para construções: forte e resistente às intempéries. Não conhecemos na Internet qualquer outro projeto semelhante, reunindo em um único selo e durante tão longo período, tantos nomes expressivos e de prestígio de nossa cultura. Neste volume, reverenciamos Manuel de Barros e Pedro Lyra, dois poetas consagrados internacionalmente — aliás, pela primeira vez, o processo foi inverso: primeiro cogitamos os nomes dos homenageados, depois da temática que ambos têm em comum. A cada edição, ficamos mais sensibilizados pela acolhida e pelo respeito que o nome de Blocos Online inspira nos meios literários. É uma sensação maravilhosa para nós editores e esperamos que também o seja para nossos autores e leitores.

No presente volume, selecionamos mais quinze poetas que se dedicaram a aprofundar o tema proposto, tendo cada qual privilegiado um aspecto, uma dimensão preponderante: Ana as florações e estações; Cícero, as faces míticas da terra enquanto matéria-prima; Clevane, uma terra serena e em paz; Esther, a terra rica de metáforas; Fernando, a contemplação da natureza; Flavio Gimenez, a terra internalizada; Flávio Mota, a crítica à matança e a antolhos; Gerson, a ação humana tantas vezes destrutiva e violenta; Jayme, a terra-memória individual; Maria Helena, a abundância da vida; Paola, as colheitas humanas; Rogel, as paisagens afetivas; Sandra, a terra enquanto resistência e renovação; Sidnei, a ação depredadora e predatória contra a natureza viva; Xenia, a procura da verdade e do equilíbrio interior. Eis a Terra entrelaçando tudo no todo, poeticamente.

Através da Saciedade dos Poetas Vivos Digital comemoramos nossa ininterrupta busca poética até à saciedade; assim sendo, é hora de erguermos um brinde a todos os que fazem parte deste projeto, e também a todos os que, mesmo em off, nos incentivaram a prosseguir e a contornar as pedras no meio do caminho — qualquer semelhança com o célebre poema de Drummond, que hoje inclusive faria 99 anos de idade, não é mera coincidência. Somos mais de 150 poetas vivos reunidos. Infelizmente Wilson Bueno não está mais fisicamente entre nós (vítima que foi de um assalto em 31/10/2009, praticamente um ano após ter participado de nossa antologia com seus belíssimos rengas sobre as "Quatro Estações"). No entanto, enquanto ele estiver presente em nossa memória e em nossa afeição, viverá — "Saudades nunca não passam", como ele próprio escreveu.

É festa em nossos corações. Por tudo que vivenciamos intensamente neste espaço e neste quinquênio, e por mais um ano de congraçamento poético, nos sentimos vitoriosos, felizes e plenamente realizados.
Celebremos!


Leila Míccolis


Lançamento oficial: 31 de outubro de 2011
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Créditos:

Editores: Urhacy Faustino e Leila Míccolis
Capa: Vande Rotta Gomide
Título: Eduardo Feijó Netto Machado
Seleção de textos: Leila Míccolis
Revisão: dos autores
Webmaster: Urhacy Faustino