terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Escrever

© Márcia Sanchez Luz


(Img: Jasmim-manga, de Márcia Sanchez Luz)






















Escrever é sorver a dor aos poucos,
é contar a si próprio o que bem sabe,
mas que aflige demais! Por ser tão louco,
faz que a alma, em torpor, logo desabe.

É cruel falar sobre o que machuca!
Mais cruel, entretanto, é não sentir
o que a vida oferece: pura luta
entre o ser complacente e o insurgir.

Se escrever é dar forma a certa ausência
na calada da noite ou mesmo dia,
vou seguir exaurindo a desavença.

Eis portanto o que faz a diferença
entre aquele que vive e contagia
e o que não sente a vida assim intensa.

Do livro "Porões Duendes"



quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Perdemos Nelson Mandela...


"Sonho com o dia em que todos levantar-se-ão e compreenderão que foram feitos para viverem como irmãos."

Nelson Mandela
18.07.1918 - 05.12.2013




O dia acorda e a estrela inda é visível,
pois que seu brilho a toda dor resiste
trazendo, à vida, o sonho que persiste.

(Trecho do soneto "Sonhos", de Márcia Sanchez Luz)



Para comentar, clique no link a seguir: http://copiamarciasanchezluz.wordpress.com/2013/12/05/perdemos-nelson-mandela/, já que o blogger não se manifesta com relação às minhas mensagens pedindo que me devolvam o espaço para comentários.

Obrigada.

Márcia Sanchez Luz

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

COMENTÁRIOS

PEÇO A QUEM QUISER COMENTAR AS POSTAGENS QUE CLIQUE NO LINK A SEGUIR - APÓS INÚMERAS TENTATIVAS DE CONTATO COM O BLOGGER PARA SOLUÇÃO DE PROBLEMAS, TAIS COMO AUSÊNCIA DO ESPAÇO PARA COMENTÁRIOS, DECIDI CRIAR UMA CÓPIA DESTE BLOG USANDO A PLATAFORMA DO WORDPRESS. 

http://copiamarciasanchezluz.wordpress.com/

OBRIGADA, 

MÁRCIA

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Márcia Sanchez Luz na antologia "Poesia para mudar o mundo"

Blocos Online, sempre com surpresas maravilhosas, lança hoje a Antologia "Poesia para mudar o mundo"


Vale a pena ler os poemas de 56 poetas que acreditam que a poesia pode mudar o mundo, que ela pode fazer com que as pessoas se tornem melhores, menos violentas, mais sensíveis, mais reflexivas, mais participativas, mais amorosas, mais atenciosas, mais criativas.

Link para a capa da antologia:
http://www.blocosonline.com.br/literatura/poesia/obrasdigitais/mudarmundo/01/index.php


PEÇO A QUEM QUISER COMENTAR AS POSTAGENS QUE CLIQUE NO LINK A SEGUIR - APÓS INÚMERAS TENTATIVAS DE CONTATO COM O BLOGGER PARA SOLUÇÃO DE PROBLEMAS, TAIS COMO AUSÊNCIA DO ESPAÇO PARA COMENTÁRIOS, DECIDI CRIAR UMA CÓPIA DESTE BLOG USANDO A PLATAFORMA DO WORDPRESS.

sábado, 2 de novembro de 2013

Jornada - soneto de Airo Zamoner

Jornada *

Airo Zamoner. Primavera de 2013


(Img: O Grito, de Edward Munch)



























A manhã que me açoita calores e gelos
era outrora só risos do alto da serra.
E se agora me finge tais beijos e apelos,
um escuro e arrogante final me descerra.

Se, tirana, me impinge a deixar meus valores
eu reluto que deles preciso no inverno
que me exaure das lutas vencidas. As dores,
estas que fiquem puras, ferventes, no inferno.

Sim! Deixo-os todos, meus órgãos digitais!
Não me olhes assim, de repente calada!
Tiram-me dos meus sonhos: estranhos metais.

Eu sei! Já não me cabe decidir mais nada!
Enquanto os pensamentos teimam, nos umbrais
publicam-se os anúncios do fim da jornada.

* Do livro em preparo "Últimos Sonetos"

(Soneto publicado com a autorização do autor)

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

O Colibri, de Luiz Eduardo Caminha

(Img: Beija-flor em pose histórica, Márcia Sanchez Luz) 

















O  C o l i b r i*
Luiz Eduardo Caminha

O colibri rouba,
No beijo,
O doce da flor.

Voa leve, jeitoso,
De galho em galho,
De flor em flor.

Poliniza, reproduz,
Faz da flor o fruto,
Do fruto, semente.

E faz, novamente,
O ciclo da vida,
Do doce da flor,
Do beijo... do amor.

O colibri voa, e rouba
No beijo,
O doce que é flor,
A flor que é fruto,
O fruto que é vida.
A vida que é... amor.

P.S.: ...E se não houvessem flores???

* Do Livro Reflexos

sábado, 14 de setembro de 2013

ANTOLOGIA “POESIA PARA MUDAR O MUNDO”





ANTOLOGIA “POESIA PARA MUDAR O MUNDO”
Mais uma iniciativa de Blocos Online

Este projeto não é para todos os poetas. É exclusivamente para aqueles que acham que a poesia pode mudar o mundo, que ela pode fazer com que as pessoas se tornem melhores, menos violentas, mais sensíveis, mais reflexivas, mais participativas, mais amorosas, mais atenciosas, mais criativas.
Esse projeto é apenas para os poetas que acham que a poesia pode transformar o mundo em um lugar melhor: mais arejado, mais digno, e que, através dela, as pessoas podem entender melhor seus sentimentos e suas vidas, questionando estereótipos, preconceitos e semeando o diálogo como forma de envolvimento social. Um projeto somente para os que acham que a palavra tem força e poder de derrubar barreiras, muros, fronteiras, contribuindo para um planeta mais lúdico e lúcido.
Nós, de Blocos online, acreditamos nesta proposta há dezessete anos na rede, e há mais tempo ainda antes do advento da internet. Cremos ardentemente na transformação do mundo através da literatura. Se você tem o mesmo objetivo, venha participar conosco deste amplo projeto de amor pela poesia, pela natureza, pela vida.

INFORMAÇÕES DO PROJETO “POESIA PARA MUDAR O MUNDO” 

• Publicação on line - Antologia digital. 
•  Cada poeta participará com um poema mais longo (de 28 versos), ou dois poemas de tamanho menor, ou até quatro poemas curtos, que totalizem no máximo este mesmo número de vinte e oito versos, além de uma biobibliografia de até 450 palavras e uma foto 3x4 (não pode ser maior do que este tamanho). Os poemas não precisam ser inéditos, porém precisam não estar ainda on line no nosso portal. Não serão aceitos poemas político-partidários ou ofensivos a qualquer pessoa ou religião.
• Quem preferir poema visual pode enviar duas (que caibam em uma página) ou um poema ilustrada. 
• Preço da participação: R$ 100,00 (pagamento por depósito bancário — serão fornecidos os dados aos que confirmarem a sua participação).
• Prazo limite para o envio: 18 de outubro de 2013, impreterivelmente.
• Lançamento: até final de novembro de 2013. 
• Organização: Leila Míccolis.
• Quem estiver interessado em participar comunique-se através de uma mensagem endereçada a mim, para o email:blocos@blocosonline.com.br
• Realização Blocos Online – pioneiro em literatura na Internet.


Os editores

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

PARA FAZER UM SONETO

Carlos Pena Filho* 


Tome um pouco de azul, se a tarde é clara,
e espere pelo instante ocasional.
Neste curto intervalo Deus prepara
e lhe oferta a palavra inicial.

Aí, adote uma atitude avara:
se você preferir a cor local,
não use mais que o sol de sua cara
e um pedaço de fundo de quintal.

Se não, procure a cinza e essa vagueza
das lembranças da infância, e não se apresse,
antes, deixe levá-lo a correnteza.

Mas ao chegar ao ponto em que se tece
Dentro da escuridão a vã certeza,
Ponha tudo de lado e então comece.


*Carlos Pena Filho, poeta do azul como ficou conhecido, era pernambucano do Recife, autor de “O tempo da busca”, “Memórias do Boi Serapião”. Foi um renovador do soneto na temática e, sobretudo, na linguagem, carregada de oralidade, essencialmente musical e de forte apelo pictórico.

Fonte: Jornal de Poesia, de Soares Feitosa

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Poeta Castrado, não!


José Carlos Ary dos Santos














Serei tudo o que disserem
por inveja ou negação:
cabeçudo, dromedário
fogueira de exibição
teorema, corolário
poema de mão em mão
lãzudo,  publicitário,
malabarista,  cabrão.
Serei tudo o que disserem:
Poeta castrado, não!

Os que entendem como eu
as linhas com que me escrevo,
reconhecem o que é meu
em tudo quanto lhes devo:
ternura, como já disse
sempre que faço um poema;
saudade que se partisse
me alagaria de pena;
e também uma alegria,
uma coragem serena
em renegar a poesia
quando ela nos envenena.

Os que entendem como eu
a força que tem um verso
reconhecem o que é seu
quando lhes mostro o reverso:

Da fome já não se fala…
é tão vulgar que nos cansa ...
mas que dizer de uma bala
num esqueleto de criança?

Do frio não reza a história…
a morte é branda e letal ...
mas que dizer da memória
de uma bomba de napalm?

E o resto que pode ser
o poema dia a dia? …
Um bisturi a crescer
nas coxas de uma judia;
um filho que vai nascer
parido por asfixia?! …
Ah não me venham dizer
que é fonética a poesia!

Serei tudo o que disserem
por temor ou negação:
Demagogo, mau profeta
falso médico, ladrão
prostituta, proxeneta
espoleta, televisão.
Serei tudo o que disserem:
Poeta castrado, não!

(Poema enviado por Eugénio de Sá)
  

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Celebrando Solano Trindade












24.07.1908 – 19.02.1974


Canta América

Não o canto de mentira e falsidade
que a ilusão ariana
cantou para o mundo
na conquista do ouro
nem o canto da supremacia dos derramadores de sangue
das utópicas novas ordens
de napoleônicas conquistas
mas o canto da liberdade dos povos
e do direito do trabalhador...


Eu gosto de ler gostando

Eu gosto de ler gostando,
gozando a poesia,
como se ela fosse
uma boa camarada,
dessas que beijam a gente
gostando de ser beijada.

Eu gosto de ler gostando
gozando assim o poema,
como se ele fosse
boca de mulher pura
simples boa libertada
boca de mulher que pensa...
dessas que a gente gosta
gostando de ser gostada.


Tem Gente com Fome

Trem sujo da Leopoldina
Correndo, correndo, parece dizer
Tem gente com fome, tem gente com fome
Tem gente com fome, tem gente com fome
Tem gente com fome, tem gente com fome
Tem gente com fome
Estação de Caxias
De novo a correr
De novo a dizer
Tem gente com fome, tem gente com fome
Tem gente com fome, tem gente com fome
Tem gente com fome, tem gente com fome
Tem gente com fome
Tantas caras tristes
Querendo chegar em algum destino
Em algum lugar
Sai das estações
Quando vai parando começa a dizer
Se tem gente com fome, dá de comer
Se tem gente com fome, dá de comer
Se tem gente com fome, dá de comer
Se tem gente com fome, dá de comer
Mas o trem irá todo autoritário
Manda o trem parar
- Shhhhiiiii!