quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Soneto de Airo Zamoner



OBRA PRIMA

© Airo Zamoner

Extraído do livro "CICLO" e premiado pela página literária da Gazeta do Povo





Com meus dedos moldei a fria massa,
insípida, incolor e enfim disforme.
Suavemente aquele gesso enorme
Tornou-se estético, obtendo graça.

Por mais, porém, que eu lute e ainda faça;
por mais que aperfeiçoe e ainda a forme,
a massa é fria, é incolor e dorme!
O meu labor mais uma vez fracassa!

Então largo o cinzel, vou às estrelas!
(E que fartura de beleza há nelas
que me extasio em me quedar a vê-las),

E o seu luzir penetra nas janelas
e nas estátuas brinca. Ao envolvê-las
faz palpitar a vida em todas elas!



(soneto publicado com a autorização do autor)