quarta-feira, 23 de abril de 2008

A Máquina Mental





Apesar dos estudos sobre o cérebro e a inteligência, ainda há pouco conhecimento acerca de como o cérebro trabalha para produzir inteligência. Isto tem relação com o fato de que o cérebro possui cerca de 100 bilhões de células – praticamente o número de estrelas da Via Láctea.

Um dos mitos sobre a relação entre inteligência e cérebro é o de que os cérebros de pessoas muito inteligentes são, de alguma forma, fisicamente diferentes daqueles das pessoas comuns. No início do século XX, o cientista americano E.A. Spitzka produziu uma lista de pesos dos cérebros de homens famosos e importantes. O cérebro mais pesado era o do romancista russo Turgenev, com dois mil gramas. Entretanto, o cérebro de um outro grande gênio, Walt Whitman, pesou somente 1282 gramas.

Não existem diferenças significativas entre os níveis de inteligência de homens e mulheres. Entretanto, meninas abaixo de sete anos obtêm um coeficiente de inteligência um pouco mais alto que os meninos, sendo que o QI mais alto registrado é o de Marylin vos Savant, de 230. Contudo, homens e mulheres diferem na maneira como elaboram o pensamento. Em geral, as mulheres são mais habilidosas verbalmente, enquanto os homens se saem melhor em tarefas visual-espaciais.
As fibras que ligam as duas metades do cérebro são maiores nas mulheres do que nos homens. Isto pode explicar porque as mulheres conseguem passar do pensamento prático para o emocional mais rapidamente que os homens.

Portadores de problemas mentais sempre foram tratados extremamente mal. Há pouco mais de duzentos anos, os médicos faziam furos nos crânios de doentes mentais para libertar os “espíritos malignos”, ou então colocavam os pacientes em cadeiras giratórias para chacoalhar seus cérebros. A partir de 1930, as pessoas com problemas mentais recebiam terapia de choque e eram submetidas à lobotomia – remoção de parte do cérebro.

O cérebro precisa dez vezes mais de sangue do que os outros órgãos do corpo humano, pois ele não consegue armazenar glicose para uso posterior. Apesar de o cérebro de um adulto representar somente 2% do peso corpóreo, seu consumo de oxigênio é de 20% do total do corpo.

Existem similaridades entre cérebros e computadores. Computadores podem fazer cálculos complicados em velocidades incríveis. Mas eles trabalham de uma maneira pré-determinada, fixa, pois não conseguem fazer associações de memória. Se precisarmos de uma chave de fenda e não tivermos uma à mão, iremos pensar lateralmente e usar uma faca ou uma moeda em seu lugar. Computadores não fazem isso. Na verdade, dizem que um computador, quando se trata de ver, se mover e reagir a estímulos, não pode competir nem com o cérebro de uma mosca.

A maioria de nossos processos mentais são hábitos profundamente formados. Desafiar nosso cérebro a fazer coisas de modo diferente ajuda a desenvolvê-lo. Tente mudar as rotinas sempre que possível: pegue um ônibus ao invés de sair de carro, sente em uma cadeira diferente da que está acostumado, leia alguns textos de ponta cabeça, enfim, deixe seu cérebro fazer associações. Desta maneira, você estará pensando lateralmente.
Faça mais exercícios. Boa saúde e níveis adequados de condicionamento aumentam a energia de forma global, o que leva a um nível de concentração melhor.
Cozinhar é um exercício mental completo, pois precisa de habilidades matemáticas, organizacionais e científicas, além de desafiar a memória e a criatividade. Utilize, no início, receitas, e depois tente lembrar das quantidades, combinações, reações dos ingredientes, assim como do tempo de preparo.
Procure sempre ocupar sua mente com jogos, palavras cruzadas e quebra-cabeças. Habitue-se a decifrar códigos e expandir seu vocabulário ao mesmo tempo.


(Texto extraído de “Esquire Magazine”)


Tradução e adaptação de Márcia Sanchez Luz