quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Mosaicos do Cotidiano - Ronaldo Franco

Muito Lindo! Vale a pena. Sentimentos traduzidos no preto e no branco de nossa realidade, numa mescla de poesia, música e imagens.

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Auras

AURAS

Queria poder te contar
Meus mais loucos sonhos
Tão reais devaneios!
Viagens astrais...

Portais emanando a justiça
Palidamente escondida
Pelas mãos da humanidade
Torta, fria, desumana.

Infinitamente maiores
Do que jamais vislumbrara
Surgem auras, alvas auras!
Leves dançam, giram, voam.

Polidamente me chamam
Com natural cortesia.
Sussurram sons cristalinos
Como água e vento se amando.

Corre o tempo e o tempo clama
Retidão de sentimentos
Coração aberto ao vento
Lágrimas, doce momento.

Márcia Sanchez Luz ©

*Do Livro "No Verde dos Teus Olhos" - Editora Protexto, PR - 2007

Mil Perdões - Chico Buarque de Hollanda


Te perdôo
Por fazeres mil perguntas
Que em vidas que andam juntas
Ninguém faz
Te perdôo
Por pedires perdão
Por me amares demais
Te perdôo
Te perdôo por ligares
Pra todos os lugares
De onde eu vim
Te perdôo
Por ergueres a mão
Por bateres em mim
Te perdôo
Quando anseio pelo instante de sair
E rodar exuberante
E me perder de ti
Te perdôo
Por quereres me ver
Aprendendo a mentir (te mentir, te mentir)
Te perdôo
Por contares minhas horas
Nas minhas demoras por aí
Te perdôo
Te perdôo porque choras
Quando eu choro de rir
Te perdôo
Por te trair.

terça-feira, 14 de agosto de 2007

O Nascimento de Vênus



Clique na figura para ampliar O NASCIMENTO DE VÊNUS
Sandro Botticelli


A pintura representa a deusa Vênus emergindo do mar como mulher adulta, conforme descrito na mitologia grega.
No quadro, a deusa clássica Vênus emerge das águas em uma concha, sendo empurrada para a margem pelos Ventos D'oeste, símbolos das paixões espirituais, e recebendo, de uma Hora (as Horas eram as deusas das estações), uma manto bordado de flores. Alguns especialistas argumentam que a deusa nua não representaria a paixão terrena, carnal, e sim a paixão espiritual. Apresenta-se de forma similar a antigas estátuas de mármore (cujo candor teria inspirado o escultor do século XVIII Antonio Canova), esguia e com longos membros e traços harmoniosos.
O efeito causado pelo quadro, no entanto, foi um de paganismo, já que foi pintado em época em que a maioria da produção artística se atinha a temas católicos. Por isso, chega a ser surpreendente que o quadro tenha escapado das fogueiras de Savonarola, que consumiram outras tantas obras de Botticelli que teriam "influências pagãs".

Fonte: Wikipédia



segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Brasil, por Cazuza


BRASIL
Cazuza,George Israel e Nilo Roméro

Não me convidaram
Pra essa festa pobre
Que os homens armaram pra me convencer
A pagar sem ver
Toda essa droga
Que já vem malhada antes de eu nascer

Não me ofereceram
Nem um cigarro
Fiquei na porta estacionando os carros
Não me elegeram
Chefe de nada
O meu cartão de crédito é uma navalha

Brasil
Mostra tua cara
Quero ver quem paga
Pra gente ficar assim
Brasil
Qual é o teu negócio?
O nome do teu sócio?
Confia em mim

Não me convidaram
Pra essa festa pobre
Que os homens armaram pra me convencer
A pagar sem ver
Toda essa droga
Que já vem malhada antes de eu nascer

Não me sortearam
A garota do Fantástico
Não me subornaram
Será que é o meu fim?
Ver TV a cores
Na taba de um índio
Programada pra só dizer "sim, sim"

Brasil
Mostra a tua cara
Quero ver quem paga
Pra gente ficar assim
Brasil
Qual é o teu negócio?
O nome do teu sócio?
Confia em mim

Grande pátria desimportante
Em nenhum instante
Eu vou te trair
(Não vou te trair)

sábado, 11 de agosto de 2007

Carinhos Especiais


Amauri Tonussi escreveu:


Menina Márcia,
certamente que me lembro de sua primeira comunicação, em que você dizia estar publicando em uma antologia da qual participava também um poeta de que gosto muito, o Ledo Ivo. Aquele e-mail chegou em momento particularmente difícil, e eu não pude mesmo ler seus escritos, embora não tenha esquecido deles de forma alguma.
Pois foi com grande prazer (mesmo!), que li sua homenagem à Leila Míccolis. O de que mais gostei foi da simplicidade de expressão – fato muito pouco usual na poesia, e que a mim parece essencial a qualquer bom poema. A complicação ou a frase retorcida subtraem (mais que isso, roubam) o estado de poesia que o escritor deseja obter.
Outra qualidade que me chamou muito à atenção foi o fato de que seus versos contêm poesia. Parece óbvio, mas não é. Manuel Bandeira apontou muito esse fato; escrevem-se milhares de poemas, mas pouco são os que efetivamente contêm poesia, isto é, atingem o leitor de modo que o texto lido deixa de ser mera comunicação de idéia e abrem portas secretas de transcendência.
Veja seus últimos 2 versos; eles, entre outras coisas, têm base em uma idéia primária, que poderia ser dita assim:
Na vida nem tudo passa. Mas mesmo que tudo passasse, Leila, tu ficarias.
Na frase acima, a idéia permaneceu, mas despida de poesia. Tratar-se-ia de um enunciado sem ressonância, que se esgota no sentido mais imediato que pretende comunicar.
Quando você escreve

Se na vida tudo passasse,
Leila, tu ficarias! ,

a idéia acima expressa (sem poesia), torna-se portal aberto à comunicação de estados e situações que estão muito além dela. Por exemplo: toca-se na idéia de que a maioria das coisas, na vida, é passageira, e isso traz sentimento de perda a quem percebe tal fato. Outra idéia: na vida nem tudo passa, mas é preciso empreender um esforço de lucidez para perceber que as coisas não são exatamente como parecem. Ainda outra: atentando-se bem para a incômoda sensação de que as coisas passam e se perdem – e sendo afrontado pelo dano existencial que isso causa – é possível entrever que há seres/ou coisas que resistem a esse movimento migratório de abandono de tudo o que existe. Isso está estampado na existência (e na permanência) de Leila. Portanto, ela é uma espécie de contra-fluxo do que existe, particularmente das coisas negativas que são a maioria do que existe, e que são as coisas que passam. Aí está outra coisa bela em seu texto, pois “Leila” não é uma pessoa, mas um símbolo de resistência da beleza, do permanente, do que não nos é roubado a cada dia.
Mas deixemos de lado essas elucubrações. O que quero mesmo dizer é que gostei de seu texto e que espero que você faça muitos e muitos e muitos mais assim.
Grande beijo,
Amauri

Márcia Sanchez Luz - À Leila Míccolis


À Leila Míccolis

Dizem que
O mundo é pequeno...
Os instantes são breves...
Tudo na vida passa...
Mas se pequeno o mundo fosse,
de que modo tua grandeza ele abrigaria?
Se breves fossem os instantes,
como seria a extensão de tua amizade medida?
Se na vida tudo passasse,
Leila, tu ficarias!

Márcia Sanchez Luz
24 de junho de 2007

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

O Mundo de Sofia - Resenha Crítica


O MUNDO DE SOFIA (Jostein Gaarder)

O autor, através desse romance, que tem como personagem central uma adolescente comum, sem outras dúvidas que não as próprias de sua idade e época, descreve toda a trajetória do Homem em busca de explicações para sua existência. Ele utiliza como recurso, na trama, um professor de Filosofia, um major e sua filha.
No decorrer do romance ele faz uma explanação, em forma de diálogo entre o professor de Filosofia e a adolescente, sobre a História da Filosofia, assim como sobre todas as transformações sofridas pelo ser humano no decorrer dos tempos.
Sofia, a adolescente em questão, está prestes a completar quinze anos e se depara com questões relativas à origem do mundo, das relações entre as pessoas e de quanto sua e, portanto, nossa existência é efêmera.
As indagações que lhe são feitas a levam a se perceber como um ser histórico. Sua existência depende de sua ação na realidade em conjunto com as atitudes alheias, isto é, a partir da interação com o mundo, já que ela, em contato com as questões filosóficas, descobre que os fatos da vida, a natureza, devem ser admirados diariamente, a todo instante, pois o mundo está em constante transformação; não devemos, pois, nos habituar ao mundo. Devemos, sim, ser como crianças que sempre se impressionam, se admiram com o que vêem, pois estão sempre descobrindo coisas novas. Devemos estar no mundo em eterno estado de vigília, sempre alertas a novos fatos, e não como se estivéssemos dormindo enquanto a vida passa. A vida é um mistério a ser desvendado a todo instante.
Sofia começa a ler e, mais adiante, a dialogar com Alberto, seu professor de Filosofia, sobre todas as posturas filosóficas existentes na humanidade. Aprende que os mitos, superstições, explicações sobrenaturais são formas fáceis para explicar os acontecimentos da vida incompreensíveis ao ser humano. Mas estas acabam por mascarar a realidade, pois o Homem, ao acreditar em explicações tão simplistas e tão aquém de sua existência, acaba por se afastar da vida, vivendo a realidade como mero espectador. Assim, se as coisas não vão bem, não dão certo, atribuindo a causa a mitos, superstições, sobrenatural, o ser humano se exime de culpa frente aos problemas que o cercam. Entretanto, o autor, através de um questionamento permeado por um constante diálogo com Sofia, nos mostra que o que acontece no mundo é fruto de nossas atitudes. A história é feita pelos Homens, através de suas reflexões, diálogos e ações. O autor vai mostrando, através da História da Filosofia, que para interferirmos em nossa realidade devemos estar sempre indagando sobre os fatos, buscando nossas raízes históricas, pois a vida não é uma fatalidade, e sim algo construído pelos seres humanos em sua interação com seus semelhantes e através do tempo, sempre de forma contínua, nunca estagnada.
Dentre os filósofos estudados, é interessante ver Aristóteles e suas formas de felicidade, vistas como a realização plena do Homem enquanto tal; podemos observar que há muito existe a preocupação de que o Homem seja um cidadão livre, consciente e responsável por sua existência.
É importante citar o Oriente em suas buscas filosóficas. Assim, como disse Swami Vivekananda, “... é ateu aquele que não acredita em si mesmo.” (p. 155).
A “Lei da Inércia”, de Newton, pode muito bem ser aplicada à nossa vida, pois sempre existem fatos que nos obrigam a atuar em nossa realidade; entretanto, existem pessoas que permanecem inertes, indiferentes à realidade que as cerca, como se mudar ou não a maneira de pensar, de agir, de ver o mundo, em nada pudesse modificar o curso da história, o estado das coisas.
Nos dias de hoje, prega-se a necessidade de que todos tenham acesso à informação para que entendam a realidade e nela possam atuar de forma consciente, idéia que, se voltarmos na história, remonta a Lutero.
Ao falar do Barroco, o autor procura mostrar o quanto os ornamentos mascaram a realidade; nosso Carnaval, cheio de riquezas e pompas, é um exemplo típico de como o Estado é capaz de dominar os oprimidos: tal é a grandeza do luxo e da riqueza, que por quatro dias ou mais esquecemos como nossa realidade é cruel, como nossa sociedade é desigual e, assim, nos acomodamos a ela.
Ao mostrar as diversas correntes filosóficas, o autor nos faz perceber que, ao refletirmos, o fazemos a partir do que vemos e vivenciamos em nossa época e, assim, nossa reflexão não poderá ser eterna. A vida é uma somatória de momentos, e desta forma, o Homem se modifica a todo instante.
O autor também questiona nossa concepção de existência ao falar do niilismo, onde só existimos porque acreditamos neste fato, e também ao citar Sartre e seu existencialismo, quando afirma que “a existência precede a essência”, “existência não significa simplesmente estar vivo” (p. 486) e, assim, o ser humano, ao tomar consciência de sua existência, também se percebe responsável por ela.
Personagens de contos de fada surgem na vida de Sofia, assim como Sofia e Alberto surgem na vida de outros personagens. Através de Alberto, o autor sugere que “a filosofia é o oposto da magia” (p. 361); todavia, penso que filosofia é magia, a magia da capacidade de o ser humano se voltar para dentro de si e confrontar-se com o mundo em busca de explicações para sua existência.
Somos personagens, assim como Chapeuzinho Vermelho e muitos outros. Contudo, podemos escolher entre sermos meros espectadores da história que está sendo escrita ou sermos agentes desta história, isto é, escrevê-la em parceria com outros seres.
Somos capazes de tudo; de transformar o mundo; fazer dele um sonho que nunca se realizará, um pesadelo que só acabará com a morte – se quisermos ser meros fantoches, personagens criados por autores não bem intencionados, ou então escrever nossa própria história, onde nós seremos os personagens principais.
Não podemos deixar que o “major”, aquele que detém o poder de nossas vidas, escreva nosso destino, pois ele poderá dar cabo de nossa existência quando bem lhe convier.
Finalizando, “O Mundo de Sofia” é um romance fantástico do qual não queremos nos separar. Ele retrata com maestria a nossa existência.
É livro de cabeceira, para ser pesquisado constantemente.

Márcia Sanchez Luz ©

terça-feira, 7 de agosto de 2007

Entrevista de Leila Míccolis ao poeta Ulisses Tavares

ESPECIAL!

Leia a entrevista de Leila Míccolis ao poeta Ulisses Tavares, da Revista
"DISCUTINDO LITERATURA", edição número 13

Para visualizar melhor, clique em cima de cada figura

Raul Machado

A UM POETA

Poeta! Se em grandes lágrimas o pranto
Tua alma embebe, tua face inunda,
Sê como a terra dos canteiros, quanto
Mais orvalhada, tanto mais fecunda!

E enquanto o choro se extravasa, lento,
Da tua dor faze um motivo de arte!
Floresce em versos o teu sentimento!
Em fruito de oiro o coração reparte!

Sofres sem trégua? A vida te escurecia?
Marcas, de sangue generoso, os rastros?
Transforma o teu soluço em harmonia!
Rebenta as tuas lágrimas em astros!

Ilumina de um brilho, novo e ardente,
A noite e o horror de teus martírios puros!
Os céus se mostram infinitamente
Mais estrelados, quanto mais escuros...

Glorificar a dor é o teu destino!
No mundo da arte que se não profana,
Toda centelha do prazer divino
Nasce de um pouco da tristeza humana!

(enviado por Francisco Sanchez)

segunda-feira, 6 de agosto de 2007


E-MAILS

Como me atormenta esse silêncio!
Quando a dúvida me assola
Convido-te e duvido
Que não aceitarás.

Recusar seria loucura
Mistura quase indevida
De procura e inquietude
Não mudança de postura!

O que foi que se quebrou
Em meio a tantos e-mails
No emaranhado de fios
Que nossos sonhos permeiam?

O que foi que se perdeu
No tortuoso caminho
Da palavra que não soa?

Márcia Sanchez Luz ©


*Do Livro "No Verde dos Teus Olhos" - Editora Protexto, PR - 2007

domingo, 5 de agosto de 2007

Salvador Dalí

O Sonho

O Grande Masturbador


Para quem gosta de Salvador Dalí, segue uma sugestão:

Acesse http://www.daligallery.com/

É como se estivéssemos em uma galeria de arte!
Entre no elevador virtual e clique nos respectivos andares para visitar suas obras.

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

Márcia Sanchez Luz - Blocos - Poesia Brasileira Contemporânea

RESPOSTA

Vão te encontrar sorrindo, rindo de tudo que te fizeram.
Vão te encontrar blefando o mesmo blefe que te ensinaram.
Vão te encontrar jogando o mesmo jogo a que te expuseram.
(Vão sim, vão sim)

Vão te encontrar na noite, cantando o samba pra relaxar.
Vão te encontrar de dia, dançando a rumba pra distrair.
Vão te buscar de dia, de noite e sempre e vais dizer não.
(Vai não, vai não)

Vão te encontrar sereno, mais cedo ou tarde te procurar.
Hão de sentir tua ausência, nas noites frias junto ao luar.
Hão de chamar por ti, nos dias quentes, nas estiadas.
(Hão sim, hão sim)

Mas de rogado vais te fazer.
Jogue os retalhos do que sobrou.
Mostre tudo o que semeou.
Mostre a faca que te cortou.
Mostre o mundo que te encantou.
E mostre ao mundo o que te machucou..

Márcia Sanchez Luz ©