2.279 - SONETO A LEILA MÍCCOLIS
Que tem de pequenina, tem de terna.
Concentra em si um pouquinho da maneira
de cada mulher brava brasileira:
Pagu, Tarsila, Anita. Ela é moderna.
Por décadas de luta, já governa
o mundo alternativo, farta feira
de arte, em vibrações de feiticeira:
Assim é Leila Míccolis, eterna.
Respeito a seus direitos ela cobra.
Ao bom comportamento é sempre avessa.
À fácil caretice não se dobra.
A frase lapidar dessa cabeça
é verso que resume grande obra:
"Falo do óbvio, antes que me esqueça."
Do livro: "Geléia de Rococó - Sonetos Barrocos", Edições Ciência do Acidente, SP, 1999
Fonte: Site de Leila Míccolis
Este canto é para os que se encantam com a poesia, com a vida, com a natureza, com a alma humana, em suas mais diversas facetas.
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quinta-feira, 21 de julho de 2011
quinta-feira, 22 de novembro de 2007
Glauco Mattoso, um Poeta Musical

SONETO 253
A RENATO RUSSO
Embora original, gênio, perito,
do nosso rock um raro uirapuru,
vivia ensimesmado e jururu,
talvez por não ser grego nem bonito.
Entendo a sua angústia e o seu conflito,
meu ídolo, meu mártir, meu guru!
Causou você, primeiro, um sururu;
depois, tristeza, e então calou seu grito.
Respeito quem é triste, ou aparenta.
Os outros grandes brincam: Raul, Rita,
ou cospem mera raiva barulhenta.
Cazuza também brinca, mas medita.
Arnaldo Antunes testa, experimenta.
Renato faz da dor a dor: maldita!
Glauco Mattoso ©
(Soneto publicado com a autorização do autor)
segunda-feira, 23 de julho de 2007
Glauco Mattoso Site Oficial
Glauco Mattoso Site Oficial:
SONETO 234 CONFESSIONAL
Amar, amei. Não sei se fui amado,
pois declarei amor a quem odiara
e a quem amei jamais mostrei a cara,
de medo de me ver posto de lado.
Ainda odeio quem me tem odiado:
devolvo agora aquilo que declara.
Mas quem amei não volta, e a dor não sara.
Não sobra nem a crença no passado.
Palavra voa, escrito permanece,
garante o adágio vindo do latim.
Escrito é que nem ódio, só envelhece.
Se serve de consolo, seja assim:
Amor nunca se esquece, é que nem prece.
Tomara, pois, que alguém reze por mim...
(publicado com a autorização do autor)
SONETO 234 CONFESSIONAL
Amar, amei. Não sei se fui amado,
pois declarei amor a quem odiara
e a quem amei jamais mostrei a cara,
de medo de me ver posto de lado.
Ainda odeio quem me tem odiado:
devolvo agora aquilo que declara.
Mas quem amei não volta, e a dor não sara.
Não sobra nem a crença no passado.
Palavra voa, escrito permanece,
garante o adágio vindo do latim.
Escrito é que nem ódio, só envelhece.
Se serve de consolo, seja assim:
Amor nunca se esquece, é que nem prece.
Tomara, pois, que alguém reze por mim...
(publicado com a autorização do autor)
sexta-feira, 13 de julho de 2007
Glauco Mattoso - Sonetodos - UOL
Glauco Mattoso - Sonetodos - UOL:
*6 BILACAMONIA [1977]
cheguei partiste
e triste descontente
tinhas a alma no céu eternamente
e a alma na terra sempre triste
e paramos de súbito onde subiste
da vida desta vida se consente
a tua mão amor ardente
tive da luz que viste
hoje pode merecer-te
nem o pranto que me ficou
nem mágoa sem remédio de perder-te
e eu solitário anos encurtou
vendo a ver-te
na extrema curva de meus olhos te levou
(publicado com a autorização do autor)
*6 BILACAMONIA [1977]
cheguei partiste
e triste descontente
tinhas a alma no céu eternamente
e a alma na terra sempre triste
e paramos de súbito onde subiste
da vida desta vida se consente
a tua mão amor ardente
tive da luz que viste
hoje pode merecer-te
nem o pranto que me ficou
nem mágoa sem remédio de perder-te
e eu solitário anos encurtou
vendo a ver-te
na extrema curva de meus olhos te levou
(publicado com a autorização do autor)
quarta-feira, 13 de junho de 2007
Glauco Mattoso Site Oficial
SONETO FORMATADO [724]
Um som não se traduz por um sinal
ou letra, mas um signo se traduz
por sons de várias cores e reluz,
profundo, no mais negro ermo abissal.
Um soro é uma mistura de água e sal.
As cores são mistura de olho e luz.
Em preto e preto um quadro hoje compus,
que, exposto, é um arco-íris virtual.
Qualquer formato é plástico ao poeta
que move na intermídia sua pena
imersa em tinta etérea: um clique à seta.
Enquanto a micropágina é pequena,
o dígito é gigante, e quem deleta
deleita-se por mim na visão plena.
(publicado com a autorização do autor)
SONETO FORMATADO [724]
Um som não se traduz por um sinal
ou letra, mas um signo se traduz
por sons de várias cores e reluz,
profundo, no mais negro ermo abissal.
Um soro é uma mistura de água e sal.
As cores são mistura de olho e luz.
Em preto e preto um quadro hoje compus,
que, exposto, é um arco-íris virtual.
Qualquer formato é plástico ao poeta
que move na intermídia sua pena
imersa em tinta etérea: um clique à seta.
Enquanto a micropágina é pequena,
o dígito é gigante, e quem deleta
deleita-se por mim na visão plena.
(publicado com a autorização do autor)
Glauco Mattoso Site Oficial
SONETO ALTISSONANTE [227]
Barulho é o que se faz na poesia,
de dentro para fora do poema.
Se não for ruidoso o próprio tema,
a forma desafina a melodia.
Se o atonal virou monotonia,
resolve-se na crítica o problema.
É só polemizar, com tinta extrema,
se a pança deve estar ou não vazia.
A fome, última instância do organismo,
define o decibel do belo artístico,
que vai de zero a dez em ativismo.
A coisa se resume neste dístico:
Mais pintam de fatídico um abismo,
maior seu interesse e grau turístico.
(publicado com a autorização do autor)
SONETO ALTISSONANTE [227]
Barulho é o que se faz na poesia,
de dentro para fora do poema.
Se não for ruidoso o próprio tema,
a forma desafina a melodia.
Se o atonal virou monotonia,
resolve-se na crítica o problema.
É só polemizar, com tinta extrema,
se a pança deve estar ou não vazia.
A fome, última instância do organismo,
define o decibel do belo artístico,
que vai de zero a dez em ativismo.
A coisa se resume neste dístico:
Mais pintam de fatídico um abismo,
maior seu interesse e grau turístico.
(publicado com a autorização do autor)
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