Reminiscência arqueológica, Salvador Dalí
Quem
sou eu,
este
ser inerme,
que
faz da voz,
arma
contusa?
Quem
sou eu,
este
ser inerte,
que
mexe, remexe,
látego
impiedoso?
Quem
sou, afinal,
este
ser sereno,
que
num ímpeto se faz,
irascível
mordaz?
Oh,
cruel, inominado e controverso ser,
Verso,
reverso, homo erraticus et perdidit!
Acaso
uma criatura?
Erro
da Criação,
insigne
animal,
pedestal
de areia?
Quiçá
um dia,
de
tanto me procurar,
alcance,
almejo,
lugar
pra descansar.
Desta
busca infindável,
deste
contínuo rebuscar.
Neste
dia, quiçá, porvir,
Deus
se ponha a me perdoar.
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