domingo, 28 de fevereiro de 2010

Morre José Mindlin



08/09/1914 - 28/02/2010

Morre o bibliófilo e acadêmico José Mindlin, quinto ocupante da cadeira 29 da Academia Brasileira de Letras. Ele foi eleito em junho de 2006, na sucessão de Josué Montello.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Poema de Alberto Cohen


Calidoscópio


© Alberto Cohen


As palavras secaram em minha boca
e há tanta coisa, ainda, por dizer...
É o fim, talvez, de um tempo de poesia,
entressafra nos campos do sonhar.
Quando perdi o meu calidoscópio,
a profusão de imagens e de cores
que o menino me deu para espalhar?
Foi no dia em que eu soube que as estrelas
não eram manteúdas do luar,
e os vaga-lumes, brilhando na noite,
apenas pareciam pedacinhos
da luz que elas deviam ter no olhar.
Foi quando entendi que não eras fada,
princesinha encantada, Rapunzel,
e meus poemas pouco mais que tinta
que a caneta escorreu sobre o papel.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Poema de Caio Martins


Elegia Melancólica


© Caio Martins


Não sabes inventar flores.
Apenas existe em ti
a certeza de carregar absurdos
diante destas interrogações todas.

Máscaras grotescas te espiam
dançando em cima do muro.

Tocar violão, ler jornal
andar na rua gritando
música de carnaval...
Adianta, tudo isso?

Mistérios sorridentes
acenam a cada papel que o vento leva.

Pois que leve então o vento
todas as revoltas, todas as violências
que deixares escritas com fel.

Não chegarás a viver os tempos
onde não haja mais negócios
sempre negócios, amigos à parte.

Não chegarás a viver o tempo
de sentar na rua e cantar
por gosto, bobeira, vontade.

Dentre poucas coisas
(complexos, medos
traumas, desejos
teu relógio e a certeza da morte)
carregas em ti a certeza
de não saber inventar flores...

Tudo o mais não é impossível.



(Poema publicado com a autorização do autor)

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Celebrando Tom Jobim



Águas de Março



Tom Jobim
25.01.1927 – 08.12.1994


É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um caco de vidro, é a vida, é o sol
É a noite, é a morte, é um laço, é o anzol

É peroba do campo, é o nó da madeira
Caingá, candeia, é o Matita Pereira
É madeira de vento, tombo da ribanceira
É o mistério profundo, é o queira ou não queira

É o vento ventando, é o fim da ladeira
É a viga, é o vão, festa da cumeeira
É a chuva chovendo, é conversa ribeira
Das águas de março, é o fim da canseira

É o pé, é o chão, é a marcha estradeira
Passarinho na mão, pedra de atiradeira
É uma ave no céu, é uma ave no chão
É um regato, é uma fonte, é um pedaço de pão

É o fundo do poço, é o fim do caminho
No rosto o desgosto, é um pouco sozinho
É um estrepe, é um prego, é uma conta, é um conto
É um pingo pingando, é uma ponta é um ponto

É um peixe, é um gesto, é uma prata brilhando
É a luz da manhã, é o tijolo chegando
É a lenha, é o dia, é o fim da picada
É a garrafa de cana, o estilhaço na estrada

É o projeto da casa, é o corpo na cama
É o carro enguiçado, é a lama, é a lama
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um resto de mato, na luz da manhã

São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração
É uma cobra, é um pau, é João, é José
É um espinho na mão, é um corte no pé

São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um belo horizonte, é uma febre terçã

São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração.



quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

A Poesia de Luiz de Miranda



Amor de amar


Luiz de Miranda


Dispo-me dos pudores da forma
coloco meu ouvido no teu peito
e deixo-me levar
na emoção de quem procura
teu rosto na sombra
e te purifica te revela
te orvalhece te incendeia
e comparece em ti
com estas palavras
trazidas da alma

Se chegarei à poesia
não o sei
apenas escrevo estas linhas na água
para brilhar no céu
um dia
recolhidas pelas nuvens
ou espremidas a longo véu das chuvas

Agora desliza minha mão
a auscultar a memória da tua pele
a viver nela o tempo impensado
dos navios perdidos
viver na tua pele
todos os naufrágios
e renascer na palma
do amanhecer
Agora a vida é renascer
sempre em ti

Um pensamento fugidio
às festas da aurora
é teu nome em meu coração
a romper o silêncio
um risco de luz
transfigurado em tua face
é meu guia
e seguirei
cuidadoso
como um cão
e seguirei teu cheiro
pela noite imensa da paixão

Seguirei
até que te convertas
na própria tinta das palavras
e venhas a escrever
desde esta janela de espanto
que é o mundo
luz redonda de infinito

Seguirei contigo
ainda que estejas longe
e te desfaleças
noutra solidão
noutro minuto de esperança
e te consideres ausente
como são ausentes as distâncias
mas te chamarei baixinho
para te estelar
nas proximidades mais íntimas do amor
Para te estelar
na longitude dos espaços
das geografias
que o amor tem outro calendário
outro itinerário
E és tu, namorada,
que me dás a música dos versos
seu rebentar na carne



Do livro Amor de Amar (1986)

(Poema publicado com a autorização do autor)


quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Poema de Rizolete Fernandes



Casa inteira

Rizolete Fernandes


A casa
ainda inteira
passeia
sobre as águas baldias
da enchente
dos últimos dias

Recorrente desfile
que a todo-poderosa
a qualquer momento
sem aviso prévio
com porte pago
em módica aceitação
entrega em domicílio

Indigesta ceia
à nossa vontade
alheia


(Poema publicado com a autorização da autora)

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Terremoto no Haiti mata Zilda Arns




A médica pediatra e sanitarista Zilda Arns Neumann, fundadora e coordenadora internacional da Pastoral da Criança, morreu em consequência do terremoto que abalou o Haiti nesta terça-feira. Ela estava lá em missão humanitária.
Aos 75 anos, era também coordenadora nacional da Pastoral da Pessoa Idosa.

Mais informações

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Poema de Vieira Calado




O Voluntário Prisioneiro
Vieira Calado


Aqui cheguei
com a verdade do mar salgado
nas horas do pássaro primeiro
que atravessou o mar de lado a lado.

E aqui chorei
com a mágoa verdadeira
de não ser o voluntário prisioneiro
que ficou à espera a vida inteira.


(Poema publicado com a autorização do autor)

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Poema de Natal





Neste Natal quero paz nos corações.
Não aquela paz momentânea, doentia,
que só dura o tempo necessário
para a entrega dos presentes...

Não. Tem de ser eterna
a paz que eu espero!

Ela tem que durar
o tempo da humanidade,
o tempo da liberdade,
a idade da procura
por paz, amor e ventura.

Sim. Tem de ser eterna
a paz que eu espero!


© Márcia Sanchez Luz

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Márcia Sanchez Luz na Saciedade dos Poetas Vivos






Blocos Online lança hoje, no Dia Mundial do Escritor, a nona edição da Antologia “Saciedade dos Poetas Vivos" digital, contando com a participação de Clevane Pessoa, Débora Siqueira Bueno, Dora Tavares, Jania Souza, Jaqueline Serávia, João Nilo, Márcia Sanchez Luz, Mariana Pinto, Pam Orbacam, Pedro Du Bois, Regina Vilarinhos, Sandra Fonseca, Sandra Souza, Sônia Adarias Soares Bruno.

Convidados especiais: Celso Gutfreind, Elisa Lucinda e Wilson Bueno

Temática: Quatro Estações

Para acessar o livro, basta clicar na imagem da capa.