Este canto é para os que se encantam com a poesia, com a vida, com a natureza, com a alma humana, em suas mais diversas facetas.
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terça-feira, 12 de fevereiro de 2013
sexta-feira, 27 de abril de 2012
EVOLUTION - poema de Caio Martins
EVOLUTION
© Caio Martins
![]() |
(Img: Explosão nuclear - web)
|
Já podemos explodir
- dizem os jornais -
o planeta centenas de vezes,
o planeta centenas de vezes,
- Que coisa!... uma só seria demais...
Ao léu pasta o gado
ao matadouro
pasta o gado...
O poeta é um saltimbanco
o poema é um vagabundo
que pode um verso inútil
contra um míssil nuclear?
A bomba de nêutrons
derreterá a arte
ninguém dá parte
e pelas avenidas se entulham
androides enlatados
em conserva, entalados
cuja sobrevivência é um vício
cuja inconsciência é um ofício.
Ao léu pasta o gado
ao matadouro
pasta o gado...
No espaço sideral há brilhos
sinistros de metais
enquanto a vida abaixo escorre
condenada
desenfreada
por trilhos virtuais.
Ao léu pasta o gado
ao matadouro
pasta o gado...
No limite do planeta
os limites por um triz
a liberdade ancilosada
é velha locomotiva a vapor
se decompondo nas pradarias
enquanto em órbitas, estelares
espaciais engenhos reluzentes
se (de)codificam, frenéticos
sobre os destinos do planeta
e seus piolhos patéticos...
Ao léu pasta o gado
ao matadouro
pasta o gado...
(26/06/1987 - Pensão da Zulmira)
(Poema publicado com a autorização do autor)
sexta-feira, 22 de julho de 2011
Caio Martins
DESCOMPASSO
Para Jeanne
(img: linga-3 - christian coigny)
Por que temer, mulher, que eu me desfaça
nas guerras de teu mundo incoerente
que dilaceram teus véus de inocente
essência elementar, com tua graça?
Quisera fosse o mundo indiferente
a tal ardor sutil mas que ameaça
a ordem do universo enquanto traça
vitrais de cicatrizes indecentes.
Desatas tuas bandeiras e sidérea
orbitas aos desmandos do que eu faço
só por querer-te assim tão louca e séria.
E vai-se enfim a noite em descompasso
de dança calcinada e já cinérea
enquanto dormes, farta, em meu cansaço.
Fonte: Caio Martins - Poemas e Crônicas
Para Jeanne
(img: linga-3 - christian coigny)
Por que temer, mulher, que eu me desfaça
nas guerras de teu mundo incoerente
que dilaceram teus véus de inocente
essência elementar, com tua graça?
Quisera fosse o mundo indiferente
a tal ardor sutil mas que ameaça
a ordem do universo enquanto traça
vitrais de cicatrizes indecentes.
Desatas tuas bandeiras e sidérea
orbitas aos desmandos do que eu faço
só por querer-te assim tão louca e séria.
E vai-se enfim a noite em descompasso
de dança calcinada e já cinérea
enquanto dormes, farta, em meu cansaço.
Fonte: Caio Martins - Poemas e Crônicas
terça-feira, 5 de julho de 2011
RÉQUIEM GRANÍTICO
Caio Martins
Menina vadia
brincando de pedra
cadê tua impudícia
teu jeito de cio?
A pedra é inútil
a pedra é amorfa
a pedra é tão fria
a pedra é estática
a pedra errática
tem oclusões vaginais
tem pedrinha hepática
por beber sonhos demais.
Quer ser celebridade
quer invadir a cidade
nua nos jornais...
A pedra quer ser escultura
a pedra quer ser pintura
a pedra quer ser partitura
quer ser imagem de santa
beijada no pé, num altar
quer ser a heroína
da hecatombe universal.
No meio da vida
nua se viu
no meio do peito
da cama do poeta...
... e armou o capeta.
Vai ver que de tanto
brincar que era pedra
no enleio do ato
chutou o amor
que virou, de repente,
pedrinha miúda
num pé de sapato...
(Vila Mirim, 01/12/1966 - Pensão da Zulmira, 14/06/1987.)
| The Dream - Inga Nielsen |
Menina vadia
brincando de pedra
cadê tua impudícia
teu jeito de cio?
A pedra é inútil
a pedra é amorfa
a pedra é tão fria
a pedra é estática
a pedra errática
tem oclusões vaginais
tem pedrinha hepática
por beber sonhos demais.
Quer ser celebridade
quer invadir a cidade
nua nos jornais...
A pedra quer ser escultura
a pedra quer ser pintura
a pedra quer ser partitura
quer ser imagem de santa
beijada no pé, num altar
quer ser a heroína
da hecatombe universal.
No meio da vida
nua se viu
no meio do peito
da cama do poeta...
... e armou o capeta.
Vai ver que de tanto
brincar que era pedra
no enleio do ato
chutou o amor
que virou, de repente,
pedrinha miúda
num pé de sapato...
(Vila Mirim, 01/12/1966 - Pensão da Zulmira, 14/06/1987.)
domingo, 6 de junho de 2010
PLÁGIO, PLÁGIO!
- Pega ladrão!
Poderia começar este texto falando sobre caçar plagiadores, mas estes nem precisam ser caçados. Afinal, eles são a espécie mais desprezível e mais fácil de ser encontrada no universo virtual. Pessoas inescrupulosas, dotadas de completa falta de imaginação, têm como único trabalho digitar “control c” e “control v” (leia-se “copiar” e “colar”) e sair pela internet se promovendo com criação alheia, isto é, nomeando-se autor da mesma. Isto é plágio, crime previsto pela Lei n.º 9.610, de 19/02/98 (Lei dos Direitos Autorais). E, como em toda lei, existem punições para quem as burla.
O que um autor leva dias, meses ou anos para produzir acaba nas mãos de delinquentes intelectuais. E o que isto tem de diferente de qualquer outro roubo? Nada! Roubo é roubo, não importa por qual meio ele se efetivou. O resultado é o mesmo: o direito de um cidadão é violado. Combater essa prática é obrigação de todo leitor consciente, de todo autor autêntico.
Foi o que ocorreu com o livro "O Carro de Boi", escrito em 1997 por Caio Martins e publicado pela Editora Romus Artes Gráficas, copiado na íntegra e postado na web por sujeitos sem nenhum escrúpulo nem ética. Abaixo, menciono a obra original e o "link" para a página. Vale a pena conhecer. Para os plagiários, somente há que dizer: - Pega ladrão!
© Márcia Sanchez Luz
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O CARRO DE BOI (1)
Caio Martins
Tem carro de boi, e tem carreta. Carreta, ou carroção, tem roda raiada e é muda, não canta. Carro de boi tem roda inteira, e canta para se ouvir de léguas, seja gaita, pombo ou baixão . É coisa de sertanejo, é uma saudade doída de um tempo onde se ia devagar, mas havia mais tempo para ver e entender as coisas. Saber de carro de boi, é mexer com magia, é entender a alma da madeira e do ferro, da terra e do fogo, da água e do ar... [...]
(1) Veja o texto completo em:
http://caiovmartins.blogspot.com/p/o-carro-de-boi.html
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
Poema de Caio Martins
Elegia Melancólica

© Caio Martins
Não sabes inventar flores.
Apenas existe em ti
a certeza de carregar absurdos
diante destas interrogações todas.
Máscaras grotescas te espiam
dançando em cima do muro.
Tocar violão, ler jornal
andar na rua gritando
música de carnaval...
Adianta, tudo isso?
Mistérios sorridentes
acenam a cada papel que o vento leva.
Pois que leve então o vento
todas as revoltas, todas as violências
que deixares escritas com fel.
Não chegarás a viver os tempos
onde não haja mais negócios
sempre negócios, amigos à parte.
Não chegarás a viver o tempo
de sentar na rua e cantar
por gosto, bobeira, vontade.
Dentre poucas coisas
(complexos, medos
traumas, desejos
teu relógio e a certeza da morte)
carregas em ti a certeza
de não saber inventar flores...
Tudo o mais não é impossível.
(Poema publicado com a autorização do autor)
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