Este canto é para os que se encantam com a poesia, com a vida, com a natureza, com a alma humana, em suas mais diversas facetas.
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
domingo, 15 de janeiro de 2012
quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
Concurso literário homenageia Jorge Amado
A UBE - União Brasileira de Escritores (Núcleo Bahia), apóia a iniciativa que promove a literatura baiana e valoriza os autores locais
Estão abertas, até 30 de maio, as inscrições para a oitava edição do “Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus”, o qual faz homenagem ao escritor Jorge Amado, que completaria 100 anos em 10 de agosto de 2012. Autor de dezenas de obras traduzidas pelo mundo todo, Amado é o autor baiano mais famoso e lido por pessoas de todas as idades. O Núcleo Baiano da UBE, na pessoa do coordenador Carlos Souza, se junta a esta ação, com o objetivo de fortalecer a literatura do estado da Bahia e prestar um tributo a Jorge Amado.
O concurso literário promovido pelo jornalista Valdeck Almeida de Jesus é uma iniciativa divulgada no Eixo 4 do Plano Nacional do Livro e Leitura, do Ministério da Cultura e já publicou quase 1100 poetas do mundo todo, desde 2005. Em 2011 a edição foi em homenagem a autores baianos e teve mais de mil inscritos, cujas crônicas serão lançadas na Bienal do Livro de São Paulo, em agosto, mesmo mês de nascimento de Jorge Amado.
Para 2012 serão aceitas redações inéditas (artigos, crônicas ou resenhas) ou já publicadas sobre a vida e/ou obra de Jorge Amado. Serão aceitos, também, textos sobre escritores e poetas de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Macau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste. Outros temas serão aceitos como: redações sobre assuntos africanos, Copa do Mundo de Futebol de 2014 e sobre escritores de outras partes do mundo, desde que os textos sejam escritos em língua portuguesa. Inscrições até 30 de maio de 2012.
Maiores informações no site www.galinhapulando.com
terça-feira, 3 de janeiro de 2012
Maria Bethânia - Prêmio Shell - Sonho Impossível
Sonhar mais um sonho impossível
Lutar quando é fácil ceder
Vencer o inimigo invencível
Negar quando a regra é vender
Sofrer a tortura implacável
Romper a incabível prisão
Voar num limite improvável
Tocar o inacessível chão
É minha lei, é minha questão
Virar este mundo, cravar este chão
Não me importa saber
Se é terrível demais
Quantas guerras terei que vencer
Por um pouco de paz
E amanhã se este chão que eu beijei
For meu leito e perdão
Vou saber que valeu
Delirar e morrer de paixão
E assim, seja lá como for
Vai ter fim a infinita aflição
E o mundo vai ver uma flor
Brotar do impossível chão.
quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
sexta-feira, 16 de dezembro de 2011
SILÊNCIOS
© Caio Martins
Para Jeanne

(Img: Márcia Sanchez Luz)
Te amo...
A memória, faca
laica
- insaciável, transitória -
quebra seus pertences
sem contar com glórias.
Fecha seus claustros
- insondáveis pergaminhos -
e cala
a trajetória tensa do sentir
árdua, impenetrável bala.
Contemplo teu olhar
- inquietante arquitetura -
e me diluo aos segundos
de cada século
em que perduras...
A memória insiste
- indecifrável sintonia -
e cala.
Não há tempo, lugar,
nem sinfonias...
Nas luzes de prenúncios
- inda que desande o caos -
te calas...
Sabes que te amarei
ao som de teus silêncios...
(Poema publicado com a autorização do autor)
Para Jeanne

(Img: Márcia Sanchez Luz)
Te amo...
A memória, faca
laica
- insaciável, transitória -
quebra seus pertences
sem contar com glórias.
Fecha seus claustros
- insondáveis pergaminhos -
e cala
a trajetória tensa do sentir
árdua, impenetrável bala.
Contemplo teu olhar
- inquietante arquitetura -
e me diluo aos segundos
de cada século
em que perduras...
A memória insiste
- indecifrável sintonia -
e cala.
Não há tempo, lugar,
nem sinfonias...
Nas luzes de prenúncios
- inda que desande o caos -
te calas...
Sabes que te amarei
ao som de teus silêncios...
(Poema publicado com a autorização do autor)
domingo, 4 de dezembro de 2011
FILHOS NOSSOS
terça-feira, 1 de novembro de 2011
Saciedade dos Poetas Vivos 13
O Volume é o nº 13, o lançamento é no "Dia das Bruxas" e o exorcismo é a poesia — nada melhor do que a ação da alquimia poética para transmutar nefastas vibrações e benzer o mundo. Afinal, além dos poetas não viverem hoje nas nuvens (será que viveram algum dia?) também não sobrevoam o mundo montados em vassouras voadoras: têm a consciência de pés fincados na terra e sabem-se seres mágicos sim, mas com a magia que existe inerente a toda a criação. Por isto, nesta edição, escolhemos um tema telúrico: Terra, Homem e Animais — temática que à primeira vista pode parecer por demais ampla, mas que contém uma ligação sutil entre os elementos deste trinômio, mesmo que eles pareçam independentes e autônomos: como falar em Terra sem interligá-la ao humano, que, mesmo sendo racional, é uma raça de animais? Um engloba o outro, a exemplo das Matrioshkas, bonecas russas que, à perfeição, encaixam-se umas dentro das outras, a maior contendo todas as demais.
Terra, Homem e Animais comemoram cinco anos de projeto e estamos alegres com estas nossas Bodas de Madeira — somos madeira de lei, própria para construções: forte e resistente às intempéries. Não conhecemos na Internet qualquer outro projeto semelhante, reunindo em um único selo e durante tão longo período, tantos nomes expressivos e de prestígio de nossa cultura. Neste volume, reverenciamos Manuel de Barros e Pedro Lyra, dois poetas consagrados internacionalmente — aliás, pela primeira vez, o processo foi inverso: primeiro cogitamos os nomes dos homenageados, depois da temática que ambos têm em comum. A cada edição, ficamos mais sensibilizados pela acolhida e pelo respeito que o nome de Blocos Online inspira nos meios literários. É uma sensação maravilhosa para nós editores e esperamos que também o seja para nossos autores e leitores.
No presente volume, selecionamos mais quinze poetas que se dedicaram a aprofundar o tema proposto, tendo cada qual privilegiado um aspecto, uma dimensão preponderante: Ana as florações e estações; Cícero, as faces míticas da terra enquanto matéria-prima; Clevane, uma terra serena e em paz; Esther, a terra rica de metáforas; Fernando, a contemplação da natureza; Flavio Gimenez, a terra internalizada; Flávio Mota, a crítica à matança e a antolhos; Gerson, a ação humana tantas vezes destrutiva e violenta; Jayme, a terra-memória individual; Maria Helena, a abundância da vida; Paola, as colheitas humanas; Rogel, as paisagens afetivas; Sandra, a terra enquanto resistência e renovação; Sidnei, a ação depredadora e predatória contra a natureza viva; Xenia, a procura da verdade e do equilíbrio interior. Eis a Terra entrelaçando tudo no todo, poeticamente.
Através da Saciedade dos Poetas Vivos Digital comemoramos nossa ininterrupta busca poética até à saciedade; assim sendo, é hora de erguermos um brinde a todos os que fazem parte deste projeto, e também a todos os que, mesmo em off, nos incentivaram a prosseguir e a contornar as pedras no meio do caminho — qualquer semelhança com o célebre poema de Drummond, que hoje inclusive faria 99 anos de idade, não é mera coincidência. Somos mais de 150 poetas vivos reunidos. Infelizmente Wilson Bueno não está mais fisicamente entre nós (vítima que foi de um assalto em 31/10/2009, praticamente um ano após ter participado de nossa antologia com seus belíssimos rengas sobre as "Quatro Estações"). No entanto, enquanto ele estiver presente em nossa memória e em nossa afeição, viverá — "Saudades nunca não passam", como ele próprio escreveu.
É festa em nossos corações. Por tudo que vivenciamos intensamente neste espaço e neste quinquênio, e por mais um ano de congraçamento poético, nos sentimos vitoriosos, felizes e plenamente realizados.
Celebremos!
Leila Míccolis
Lançamento oficial: 31 de outubro de 2011
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Créditos:
Editores: Urhacy Faustino e Leila Míccolis
Capa: Vande Rotta Gomide
Título: Eduardo Feijó Netto Machado
Seleção de textos: Leila Míccolis
Revisão: dos autores
Webmaster: Urhacy Faustino
Capa: Vande Rotta Gomide
Título: Eduardo Feijó Netto Machado
Seleção de textos: Leila Míccolis
Revisão: dos autores
Webmaster: Urhacy Faustino
sexta-feira, 28 de outubro de 2011
31 de outubro: Dia D Drummond

Em 31 de outubro de 1902 nascia, em Itabira do Mato Dentro - MG, Carlos Drummond de Andrade, que ganha um "Dia D" em sua homenagem na próxima segunda-feira.
Vamos nos juntar a esta homenagem e ler alguns de seus poemas. No final, um vídeo de "Poema de sete faces" na voz de Paulo Autran.
A falta que ama
Carlos Drummond de Andrade
Entre areia, sol e grama
o que se esquiva se dá,
enquanto a falta que ama
procura alguém que não há.
Está coberto de terra,
forrado de esquecimento.
Onde a vista mais se aferra,
a dália é toda cimento.
A transparência da hora
corrói ângulos obscuros:
cantiga que não implora
nem ri, patinando muros.
Já nem se escuta a poeira
que o gesto espalha no chão.
A vida conta-se inteira,
em letras de conclusão.
Por que é que revoa à toa
o pensamento, na luz?
E por que nunca se escoa
o tempo, chaga sem pus?
O inseto petrificado
na concha ardente do dia
une o tédio do passado
a uma futura energia.
No solo vira semente?
Vai tudo recomeçar?
É falta ou ele que sente
o sonho do verbo amar?
Para Sempre
Carlos Drummond de Andrade
Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
terça-feira, 11 de outubro de 2011
Cantiga de muito longe para Caio Martins
© Luiz de Miranda

(Img: Mare Serenitatis, Inga Nielsen)
Queria te falar do amanhecer
nestes fundos anos de silêncio
onde haveria a poesia
a órbita astral de teus olhos
de luminosa tristeza
a palidez aquosa
dos teus olhos feitos de estrada
Onde andará a sombra
da tua ternura
para me encontrar na vida
ávida
e te apertar em vinho
num brinde ao amanhecer
e renascer na solidão
que a distância
escreve na luz.
Queria te falar do amanhecer
nestes fundos anos de silêncio
mas onde andará tua mão
de amigo e poema
a revelar noutro caminho
o mágico estalar das palavras.

(Img: Mare Serenitatis, Inga Nielsen)
Queria te falar do amanhecer
nestes fundos anos de silêncio
onde haveria a poesia
a órbita astral de teus olhos
de luminosa tristeza
a palidez aquosa
dos teus olhos feitos de estrada
Onde andará a sombra
da tua ternura
para me encontrar na vida
ávida
e te apertar em vinho
num brinde ao amanhecer
e renascer na solidão
que a distância
escreve na luz.
Queria te falar do amanhecer
nestes fundos anos de silêncio
mas onde andará tua mão
de amigo e poema
a revelar noutro caminho
o mágico estalar das palavras.
segunda-feira, 3 de outubro de 2011
sábado, 1 de outubro de 2011
Ruth Escobar, por Isabel Vasconcellos
A lembrança mais marcante que tenho de Ruth Escobar – respeitada, é claro, toda a inestimável contribuição que ela tem dado à cultura brasileira, ao teatro e à luta política das mulheres – é a de uma reunião num partido político, há muitos anos atrás, onde ela disse que as mulheres se negavam a ir à política porque consideravam-na “suja” demais. No entanto – dizia ela – é preciso que as mulheres tomem coragem e metam a mão na merda.
Ruth era conhecida, no tempo da Ditadura, pelos censores, como “a portuguesa louca”. Ela tinha um burro, que ficava em seu teatro, a quem chamou de “Ernesto” , o mesmo nome do General Geisel, que ocupava a presidência do país por eleição indireta e fazia as vezes de ditador. Juca Chaves também ironizava Geisel, de origem germânica, dizendo que o Brasil era governado por um pastor alemão.
Maria Ruth dos Santos nasceu no Porto, filha de uma costureira e pai desconhecido. Veio para o Brasil aos 18 anos, em 1951. Casou-se com o dramaturgo, Carlos Henrique Escobar e, com ele, foi para a França em 1958,estudar interpretação.
Ao voltar ao Brasil, Ruth montou sua própria companhia teatral e, em 1964, tinha um "teatro" num ônibus e levava as peças ao povo mais pobre da perfireria paulistana. É de 1964 também a fundação do Teatro Ruth Escobar, um marco na história cultural da cidade.
Separou-se de Escobar e se casou com Wladimir Cardoso, um arquiteto que acabou se tornando o seu cenógrafo.
“Cemitério de Automóveis”, em 1968 e “O Balcão” de Jean Genet, são montagens teatrais que elevam o nome de Ruth às alturas no cenário nacional. "O Balcão" levou todos os prêmios daquele ano.
Nos anos 1970 o teatro brasileiro cresceu. Mas com peças vazias, de puro entretenimento e que apostavam sua bilheteria na presença, em cena, de astros da televisão. Mas não foi assim no Ruth Escobar, que continuava a apresentar peças de primeiríssima linha.
Durante toda a Ditadura Militar, Ruth e seu teatro sofreram atentados, ameaças de bombas, até de assassinato. Em vez de se apavorar, Ruth continuava produzindo, discursando na rua e invadindo gabinetes de autoridades para protestar contra o regime militar, isso numa época que ninguém ousava reclamar nem da fila do banco.
Na década de 1980 o teatro ficou em segundo plano na sua vida. Agora, a bola da vez era a política. Ruth foi eleita deputada estadual por duas vezes consecutivas e, em 1985, tornou-se a primeira presidente do recém criado Conselho Nacional dos Direitos da Mulher.
Lançou o livro “Maria Ruth – Uma Autobiografia”, em 1987, reafirmamdo sua postura de vanguarda e mostrando que toda a sua atividade cultural está ligada ao seu pensamento político.
Voltou ao Teatro em 1990, produzindo sucessos internacionais.
Mais tarde, em 1997,vendeu seu teatro à Associação dos Produtores de Espetáculos Teatrais do Estado de São Paulo (apetesp), casou-se com um americano e foi morar nos States.
Quando voltou, comprou uma briga feia para reaver o teatro.
Ruth teve cinco filhos, de três casamentos diferentes.
Em 2000, recebeu o diagnóstico de Alzheimer. Em 2006 foi interditada judicialmente por uma filha, que temia os aproveitadores que poderiam arrancar de uma Ruth já não tão lúcida todos os seus bens.
Hoje seus bens estão indispníveis por ordem judicial e ela, sem recursos, é obrigada a recorrer ao SUS para tratar de sua saúde debilitada. Dizem que a justiça é cega.
Isabel Vasconcellos é escritora, jornalista, produtora e apresentadora de Rádio e TV
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