sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Presidenciáveis - Casa dos Políticos JÁ!


Em show, Rita Lee sugere que presidenciáveis vão ao Big Brother



Na estréia do show "Yê Yê Yê de Bamba", em São Paulo, a cantora e ativista Rita Lee teve uma daquelas idéias brilhantes, dignas de seu gênio criativo. Reclamando da inutilidade de programas como o Big Brother, ela deu a seguinte sugestão:

"Colocar todos os pré-candidatos à presidência da República trancados em uma casa, debatendo e discutindo seus respectivos programas de governo. Sem marqueteiros, sem máscaras e sem discursos ensaiados. Toda semana o público vota e elimina um. No final do programa o vencedor ganharia o cargo público máximo do país. Além de acabar com o enfadonho e repetitivo horário político, a população conheceria o verdadeiro caráter dos candidatos."

A idéia não é incrivelmente boa?

Se você também gostou, mande essa mensagem para os amigos e faça coro pela campanha:

Casa dos Políticos JÁ!

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Escrever


Burle Marx - Entranhas


Escrever é sorver a dor aos poucos,
é contar a si próprio o que bem sabe,
mas que aflige demais! Por ser tão louco,
faz que a alma, em torpor, logo desabe.

É cruel falar sobre o que machuca!
Mais cruel, entretanto, é não sentir
o que a vida oferece: pura luta
entre o ser complacente e o insurgir.

Se escrever é dar forma a certa ausência
na calada da noite ou mesmo dia,
vou seguir exaurindo a desavença.

Eis portanto o que faz a diferença
entre aquele que vive e contagia
e o que não sente a vida assim intensa.


© Márcia Sanchez Luz

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Crônicas - Airo Zamoner


REBELDIA
© Airo Zamoner

- Espere aí! Você não está querendo dizer que o que me falta é rebeldia, está?
- Estou!
- Isso é inacreditável! Tive uma vida regrada. Tudo certinho no lugar. Me formei, fiz mestrado, doutorado, pós-doutorado e trabalho diuturnamente em pesquisas vitais para a humanidade... Não sou estúpido pra jogar tudo isso pro alto!
- Estou tentando ajudar a explicar essa sua sensação... Você está aqui agora, em pleno horário de expediente, sentado comigo neste banco público... Por quê?
- Já disse antes! Não me sinto bem!
- E o médico?
- Não é coisa de médico...
- Então, voltamos ao início. Vou falar agora com todas as letras...
- Estou ouvindo...
- Está faltando rebeldia em você!
- Eu sou um cumpridor de normas...
- Nunca pensou em ser um criador de normas?
- Como?
- Que normas você cumpre?
- Todas as normas, ora essa! Administrativas, trânsito, civis, penais, constitucionais...
- E as normas pessoais?
- Que normas pessoais?
- Aquelas que você criou há sei lá quantos anos...
- Eu criei? Tá maluco?
- Eu não! Você, sim! São essas normas que estão incomodando aí dentro de você.
- Que normas são essas? Eu não sou criador de normas...
- É sim! Que norma você segue quando levanta de manhã, antes do horário que você gostaria?
- São minhas obrigações funcionais. Não fui eu quem as criou!
- Quem criou a norma que determinou que você deveria trabalhar nesse emprego? Casar com aquela mulher? Ter esse número de filhos? Fazer esse plano de saúde? Morar nesta cidade? Ter esses amigos? Sentar agora aqui neste banco? Conversar comigo? Obedecer aos seus chefes? Sofrer as chantagens do cargo? Aceitar as chantagens pra não perder alguma coisa?
- ... ?!
- Quem?
- Ora essa! Isso é armadilha! O senhor está me confundindo...
- Não tem confusão, não! Falta rebeldia! Pra você. Pra todo mundo, falta rebeldia! Não falo de rebeldia de palavras. Isso está todo mundo fazendo. Falo de rebeldia mesmo! Virar a mesa, a cadeira, a casa, a cidade. Virar tudo!

- O senhor é doido...Não respondi. Ele ficou quieto. Muito quieto. Braços cruzados, olhando o chão quebrado e sujo da calçada. Não se mexia, nem eu. Foram longos cinco minutos...
- Eu poderia ser professor de surf ao invés de física quântica... Estaria morando na praia...Levantou lerdo como uma lesma. Nem descruzou os braços para andar. Nem tirou os olhos do chão e foi indo...Voltei ao meu jornal. Levei mais de uma hora pra ler tudo. Esperava o engraxate. Ele chegou. Sorria como sempre, exalando alegria:
- Oi, doutor! Vai um lustro aí?Ele ligou o rádio e a música parou de repente.
- Notícia extraordinária! Uma residência de alvenaria, inexplicavelmente esta manhã, virou de alicerces para o ar. Sabe-se que o proprietário é um professor de física quântica. Seus moradores não foram encontrados.

- O doutor está se sentindo bem? Está meio branco!

(Crônica publicada com a autorização do autor)

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Artes Visuais - Celito Medeiros


Aula Inaugural de Artes Visuais, com Celito Medeiros - UNOPAR, Londrina PR

A Pintura por Computador no cenário contemporâneo das artes visuais.
É esse o tema de aula inaugural de 2008 do curso de Artes Visuais da Unopar, que será apresentada no dia 22 de fevereiro, no Auditório Alcides Buenos (campus do Jardim Piza), pelo artista plástico Celito Medeiros.

O evento é destinado aos alunos, comunidade acadêmica e também à comunidade externa, e tem como objetivo apresentar e debater a pintura digital como uma nova forma de expressão artística.
Para isso, ninguém melhor que Celito Medeiros.

Artista plástico de renome internacional com mais de 200 exposições individuais e 4.300 pinturas tradicionais e digitais, Medeiros é precursor mundial da Pintura por Computador. Fez sua primeira obra dessa categoria em um computador Sharp de mesa em 1978. E registrou sua técnica de Artes Plásticas Digitais CM na Biblioteca Nacional em nome de todos os artistas do planeta.

Com um vasto currículo de realizações e prêmios, o catarinense Celito Medeiros reside atualmente em Curitiba e também é engenheiro, escritor, poeta, com 43 livros editados, em solo e participações com outros autores.
Filho de família de agricultores, estudou música e tocou diversos instrumentos, fez peças de teatro, cantou em coral, pintou artes sacras e escreveu em diversos estilos.

É artista "TOP TEN" nos Estados Unidos, tendo sido o primeiro no ranking, entre mais de 15 mil artistas e 250 mil obras, da Art Wanted, a maior exposição de artes e artistas, com 97 galerias associadas e representações no mundo todo, totalizando cerca de cinco mil galerias.
Prêmio da Academia de Ciências, Letras e Artes - Paris 2007.

SERVIÇO:

Aula Inaugural do curso de Artes Visuais 2008 da Unopar: A pintura digital no cenário contemporâneo das artes visuais.

Palestrante: artista plástico Celito Medeiros (www.celitomedeiros .com)

Dia: 22/02/2008

Horário: das 19h30 às 22h30

Local: Auditório Alcides Bueno - Campus Piza

Público alvo: Alunos do curso de Artes Visuais, comunidade acadêmica da Unopar e comunidade externa.

Assessoria de Imprensa - (43) 3371 7712)

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Canto Triste, de Manoel Virgílio


Se canto o canto que canto,
se rimo a rima que rimo,
é p'ra exaltar teu encanto,
ver se de ti me aproximo.

Se penso em ti todo o tempo,
se estás nos versos que verso,
o tempo p'ra mim é perverso,
cada momento, um tormento.

Se me dói uma dor tão intensa,
é porque em mim nunca pensas,
e o teu desamor, deploro.

Se rio meu riso tão triste,
pois a tristeza ainda insiste,
chorar meu choro, não choro.


© Manoel Virgílio


* Do livro "Mulher Estelar: sonetos" - All Print Editora, SP - 2005

(Publicado com a autorização do autor, que me presenteou com esta bela obra)

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Soneto em Blocos Online

Blocos Online publica, desde ontem, com chamada de capa, o soneto "Seixos Transparentes", de Márcia Sanchez Luz, com ilustração de Celito Medeiros.

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Contradança



Sou feito a bailarina que descansa,
entregue após a valsa que entristece
e que a faz, sorrateira em esperanças,
refrear o desejo que emudece.

Tão pouco sei de mim e de você!
(Do riso pulsa a veia latejante)
O espelho em que me vejo é tão clichê!
Reflete até o espaço itinerante!

Assim, quando acordar da contradança,
aguardarei o olhar que me envaidece
e que me faz corar e me enternece.

E entardecendo a dor que não fenece
meus olhos, de cansaço, vão se unir.
À espera, movimento não padece.


© Márcia Sanchez Luz

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Verbo Conectar


Conjugação

(À (D)eficiência do Speedy...)


Eu me conecto
Tu te conectas
Ele se conecta
Nós nos conectamos?
Vós vos conectais...
Eles não nos conectam.


© Márcia Sanchez Luz

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Ano Novo

Ano Novo
De muita alegria
saúde
esperança.

Tudo no mundo é energia.

Então

Troquemos nossas energias.
Que elas se entrelacem
trazendo paz e união.
Façamos nossas orações
para um mundo melhor
onde findem as guerras
os desentendimentos
a discórdia
a miséria
as mazelas.
Que todos possamos
nos dar as mãos
para nos fortalecermos
e nos tornarmos seres cada dia melhores.
Que a compreensão reine aliada ao amor
trazendo a todos muita saúde, paz, luz e harmonia.



© Márcia Sanchez Luz

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Fim de Ano, Natal e Ano Novo

Que todos, neste Natal, possamos nos unir em busca de paz e luz, alegrando os corações dos homens.
E que 2008 seja um ano de realizações e alegria para a humanidade.

Leila Míccolis, em prosa


RECUERDOS DO CEARÁ

Leila Míccolis


Em 1977, deixei a advocacia cheia de garra pela literatura, Ágape que até hoje não perdi, embora seja um pouco mais moderada do que há vinte e dois anos. Logo no ano seguinte, em 1978, Wladyr Nader, da então heróica Revista Escrita (SP), encomendou-me pela sua Editora Vertente, uma antologia com poetisas "não-alinhadas", ou seja, escritoras que não estivessem satisfeitas com a situação do mundo nem com a própria condição feminina. Reuni dez "Mulheres da Vida", título polêmico, próprio para mulheres que estavam na vida, questionando diversos aspectos sociais. O título, severamente criticado por direitistas, por esquerdistas tradicionalistas e até por centristas pseudo-moralistas, foi muito bem compreendido pelo público, que o interpretou corretamente, sem conotações depreciativas, como, aliás, eu previra mesmo que o fizesse.
Lancei a antologia no Rio de Janeiro e em várias capitais nordestinas, inclusive Recife e Natal. Quando cheguei em Fortaleza, nenhuma livraria queria aceitá-lo. Estávamos ainda sob o tacão da repressão e os livreiros receavam que a polícia aparecesse e fizesse das suas costumeiras gentilezas: invadisse a loja selvagemente, batesse nas pessoas, rasgasse livros, revirasse todas as prateleiras, instalasse o pânico. Ninguém queria correr este risco por lá. Para piorar, um jornalista que ouviu cantar o galo, mas não sabia onde (no caso, não lera o livro mas queria parecer bem informado), resolveu escrever que "Mulheres da Vida" era um relato autobiográfico de dez prostitutas. Eitcha! Aí danou-se tudo, fecharam-se de vez as portas de livrarias, pois todas eram muito decentes, de boa família e de fino trato.
Liguei para minha amiga Socorro Trindad, em Natal, uma das integrantes do livro (as outras eram: Norma Bengell, Isabel Câmara, Maria Amélia Mello, eu, Eunice Arruda, Aninha Franco, Many Tabachinik, Glória Perez e Réca Poletti). Relatei minha dificuldade e, depois de pensar um pouco, ela me sugeriu: "bom, se estão falando isto de nós e se as livrarias não aceitam o livro, então lance-o num prostíbulo"... Gostei da idéia. Dirigi-me a uma casa que achei simpática, nas imediações da Praça São Sebastião, e fui muito bem recebida lá. Maria Loura deu-me todas as facilidades para a realização do meu projeto, e, alguns dias depois, autografei o livro no Cabaré Estrela do Oriente.
O que devia ser lançamento, passou a ser algo diferente, inusitado, novo, com significados simbólicos: uma espécie de manifesto cultural, um ato de veemente protesto, chamando a atenção da mídia para o evento. Resultado: todos os jornais e televisões cobriram a "ousada manifestação cultural" e nunca tive um lançamento fora do Rio de Janeiro com tanta gente (inclusive foi lá que conheci Paulo Veras, saudoso parceiro, depois, no livro "Maus Antecedentes"). A intelectualidade em peso esteve presente, e também inúmeros políticos, que "hipotecaram sua solidariedade à nobre causa" literária. Vendi tanto livro que os exemplares que levei não foram suficiente; acabei vindo com mais de cento e cinqüenta encomendas pagas adiantadamente, mesmo os compradores sabendo que só receberiam o seu exemplar quase quinze dias depois, quando eu retornasse ao Rio.
O mais bonito de tudo, porém, foi a atitude da dona do bordel. Ela se sentia muito contente pelas altas personalidades em seu estabelecimento, é claro, mas estava mais comovida ainda pelo livro em si, por escritoras de nome não terem tido medo de serem "confundidas com elas". Eu raramente vi alguém pegar um exemplar com tanta consideração, com tanto respeito. Também raramente vi alguém ter uma interpretação tão simples e tão adequada de meus poemas. Era uma fase em que eu, propositadamente, queria chocar os bem-comportados, sacudir-lhes os ombros, e não media palavrões para agredir os puritanos. Pois ela, sem se importar com as palavras "de baixo calão" (afinal, costumava ouvi-la todas às noites justamente dos bem-comportados e dos puritanos), passou por elas com a maior naturalidade e se deteve no cerne da mensagem, que elas conheciam, na própria pele: o questionamento da condição feminina.
Maria Loura estabeleceu as "medidas de exceção" que achou compatíveis com a ocasião solene: a primeira delas foi a ordem expressa para que nenhuma de suas meninas trabalhasse, o que desmontou a imagem que tinham me dado, de que elas fossem extremamente interesseiras e mercenárias... Aquelas pelo menos, se fossem, teriam muito bem aproveitado a chance de triplicarem os lucros pela grande freguesia interessada nelas, já que o programa era insólito: compre um livro e leve uma menina... No entanto, todas diziam não. Trabalho, naquela noite, só de garçonetes, servindo as mesas, de copeiras, lavando a louça... Depois, Maria Loura continuou me supreendendo quando não aceitou o percentual da venda do livro, combinado anteriormente. Alegou que o consumo de comes e bebes fora mais do que suficiente, lucrara com isso e, principalmente, com a propaganda; por fim, no final da noite, ainda sentou-se com suas meninas e varou a madrugada me contando histórias, de alegria, de dor, de decepção, de esperança, e todas me tocaram profundamente, mudando em muito a imagem que eu tinha da "profissão mais antiga do mundo"....
Hoje, ao lembrar-me de Maria Loura e suas meninas do Cabaré Estrela do Oriente vem-me a mente a letra de Chico Buarque de Hollahda, em "Umas e Outras", quando uma freira e uma prostituta cruzam a mesma rua: "Mas toda santa madrugada/ quando uma já sonhou com Deus/ e a outra, triste namorada,/ coitada, já deitou com os seus,/ o acaso faz com que essas duas,/ que a sorte sempre separou,/ se cruzem pela mesma rua/ olhando-se com a mesma dor"... Não éramos freiras, naturalmente, mas, sem dúvida, mesmo com vidas tão diferentes, nos reconhecíamos, naquela noite, entre tantos sentimentos conflitantes oriundos de uma severa sociedade patriarcal.
Sempre me lembro deste lançamento com muito carinho, e o considero como sendo o melhor que já tive até hoje.

(publicado com a autorização da autora)

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Soneto de Airo Zamoner



OBRA PRIMA

© Airo Zamoner

Extraído do livro "CICLO" e premiado pela página literária da Gazeta do Povo





Com meus dedos moldei a fria massa,
insípida, incolor e enfim disforme.
Suavemente aquele gesso enorme
Tornou-se estético, obtendo graça.

Por mais, porém, que eu lute e ainda faça;
por mais que aperfeiçoe e ainda a forme,
a massa é fria, é incolor e dorme!
O meu labor mais uma vez fracassa!

Então largo o cinzel, vou às estrelas!
(E que fartura de beleza há nelas
que me extasio em me quedar a vê-las),

E o seu luzir penetra nas janelas
e nas estátuas brinca. Ao envolvê-las
faz palpitar a vida em todas elas!



(soneto publicado com a autorização do autor)