sexta-feira, 30 de novembro de 2012

DESAFIOS DA VIDA

Humberto Rodrigues Neto
(Humberto - Poeta)

 
Se usas frases difíceis, cerra os lábios
e poupa à tua platéia o tom maçante:
se ali houver dez a comparar-te aos sábios,
cem haverá que te acharão pedante.

Não queiras  ter num filho o campeão
da escola, em teu orgulho exclusivista:
torná-lo um homem deve a educação,
e nunca fazer dele um especialista!

Teus dons não julgues por demais completos,
nem teu concurso em tudo imprescindível:
os cemitérios andam já repletos
de gente que era insubstituível!

(Poema enviado por email pelo autor)

domingo, 28 de outubro de 2012

ORFEU DILACERADO

Cicero Melo


Agora denomino e me diviso.
 
Minhas mãos e braços estão na janela,
Onde habitam as palavras verdes
E amarelas do vento ensandecido.

Minhas pernas estão na fronteira
Do prazer e da solidão.
Lá, as línguas não se desatam.
É o país das palavras vermelhas,
Onde a noite tece sua condescendência.

O tronco foi dilapidado no país dos amores inconclusos
Que devoram todas as cores.

A cabeça, ó deuses cegos e vazios,
Explodiu dentro de vós,
Vinha.

(Poema enviado pelo autor por email)

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Luto

© Márcia Sanchez Luz


(Img: Salvador Dalí)

 
 
 
 
 
 
 
 
 
Sinto tanta dor
que a dor parece querer
se esconder dentro de mim.



sábado, 18 de agosto de 2012

Márcia Sanchez Luz em "EisFluências"


Revista eisFluências publica Márcia Sanchez Luz, numa iniciativa de Marco Bastos, um dos colaboradores da mesma


 

A revista  está registrada no ISSN e na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro-Brasil)
ISSN 2177-5761

Direção:  Victor Jerónimo (Portugal/Brasil)
Direção Cultural: Carmo Vasconcelos (Portugal)
Responsável pela Redação: Mercedes Pordeus (Brasil)


terça-feira, 14 de agosto de 2012

Bertold Brecht


Poema da rosa

Bertold Brecht
Tradução de Augusto Boal



 












Há uma rosa linda
No meio do meu jardim
Dessa rosa cuida eu
Quem cuidará de mim?
De manhã desabrochou
À tarde foi escolhida
Pra de noite ser levada
De presente a minha amiga

Feliz de quem possui
Uma rosa em seu jardim
A minha amiga com certeza
Pensa agora só em mim
Quando sopra o vento frio
E o inverno gela o jardim
Eu tenho calor em casa
E fico quietinho assim

Feliz de quem tem o seu teto
Pra ajudar a sua amiga
A fugir do vento ruim
Que deixa gelado o jardim

(Poema extraído de Blocos Online)


segunda-feira, 30 de julho de 2012

Celebrando o nascimento de Mario Quintana

(Mario Quintana - 30.07.1906 - 05.05.1994)


















Os poemas abaixo são de Mario Quintana


AMOR

Quando duas pessoas fazem amor
Não estão apenas fazendo amor
Estão dando corda ao relógio do mundo.


BILHETE

Se tu me amas, ama-me baixinho
Não o grites de cima dos telhados
Deixa em paz os passarinhos
Deixa em paz a mim!
Se me queres,
enfim,
tem de ser bem devagarinho, Amada,
que a vida é breve, e o amor mais breve ainda...



DO AMOROSO ESQUECIMENTO

Eu, agora - que desfecho!
Já nem penso mais em ti...
Mas será que nunca deixo
De lembrar que te esqueci?


O LUAR

O luar,
é a luz do Sol que está sonhando
O tempo não pára!
A saudade é que faz as coisas pararem no tempo...
...os verdadeiros versos não são para embalar,
mas para abalar...
A grande tristeza dos rios é não poderem levar a tua imagem...



TROVA

Coração que bate-bate...
Antes deixes de bater!
Só num relógio é que as horas
Vão passando sem sofrer.



segunda-feira, 23 de julho de 2012

A poesia de Cecília Villanova


CANTO DE AMOR AO POEMA

















Mas, não emudecerão
Meus pensamentos
Nem secará a tinta de sangue
Que goteja de minhas mãos.
O poema, em mim, inunda
Tal qual um rio
Feito de lágrimas,
Águas Claras ...
De onde emerge vida.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Poema de Théo Drummond

CUIDADO

THÉO DRUMMOND

(Img: Márcia Sanchez Luz)










CUIDADO, MEU PENSAMENTO,
SOU COMO A ÁRVORE SIM,
E O TEMPO PARECE O VENTO
QUE TEM O DESTINO RUIM
DE SEPARAR O QUE TENTO
CONSERVAR JUNTO DE MIM:
- AS FOLHAS QUE NUM MOMENTO
VÃO TER, NA QUEDA, O SEU FIM.

QUANDO CAIREM NO CHÃO

segunda-feira, 9 de julho de 2012

De Luiz de Miranda para Juareiz Correya


SONETO IMPROVISADO PARA JUAREIZ CORREYA
Luiz de Miranda
















Dou graças de luz por ti e por Palmares,
e palmilho o sonho de quem vive
entre engenhos de amor e arte.
És onde vejo o canto do bemtevi,
os gorjeios de Ascenso e Hermilo
que levam no vento só aquilo
que no coração é pura paixão,
nós noturnos, imensos e lisos
que a brisa alteia do Recife,
e me torna forte no sul a alma
de um jeito que me alucina,
menina de rios e mar sagrado.
Juareiz, leva contigo o abraço
feito de amigo jogado no espaço.

(Porto Alegre, começo da tarde de domingo, 9 de novembro de 2008).

terça-feira, 3 de julho de 2012

FEITO AVE

Edir Pina de Barros










Nos ermos entre a rosa e seus espinhos
existe um mundo denso, indecifrável,
cortado por veredas, mil caminhos,
etéreo como os sonhos. Impalpável!

Um mundo onde o tempo é interminável,
sem sentimentos sórdidos, mesquinhos...
sem dores. Sem penares. Inefável!
Aonde vamos todos, aos pouquinhos...

E assim a vida explode no universo,
transcende a vil matéria, voa aos céus
cortando seus espaços, feito nave.

Quando o poeta canta e chora em verso
esgarça desse mundo, seus mil véus
e voa nos seus céus, qual fosse ave.


(Soneto enviado pela autora)

domingo, 24 de junho de 2012

"Turbilhão no céu" recebe Prêmio Bem Te Vi

 


Prêmio Cultural Bem Te Vi agracia, este ano, três destaques do livro Melhores da Poesia Brasileira.



Anjo, de Ray Nonato
Vestimenta, de Clau Assi
Turbilhão no Céu, de Márcia Sanchez Luz

terça-feira, 19 de junho de 2012

Márcia Sanchez Luz em "Melhores da Poesia Brasileira"







Organização: Jane Rossi e Monica Rosenberg

Autores convidados:

Thiago De Menezes - Prefácio
Wilson de Oliveira Jasa - Apresentação
Adelaide Ortiz
Alzira Andrade
Amarilis Pazini Aires
Andrea Lucia
Ataíde Lemos

José Antônio Gama De Souza - Balzac
Bebe - Elisabeth Zamboneti Rylko  
Brenda Mar(Que)S Pena
Celina Vasques
Clau Assi
Cláudio Bento
Clevane Pessoa de Araújo Lopes
Cler Ruwer
Conceição Bentes
Dimythryus
Deslanieve Daspet
Dorothy De Castro
Dyandreia Valverde Portugal
Luna Freire
Elcio José de Moraes
Elias Akhenaton
Edvaldo Marcelo Vieira da Silva
Edvaldo Rosa
Eugenio Santana

Scoffeald Mik
Emilia De Paula

Fabiano Fernandes Garcez
Fabio Ramos

Flor de Esperança
Helena Frontine
Hortência Lopes
Irsemis
Wiezel Benedick
Izabel Marques
Jaak Bosmans
Janaina Rossi
Jane Rossi
Jenario De Fátima

Jiselda Oliveira
João Udine Vasconcelos

Joaquim Moncks
Jorge Luiz Vargas
José Bonifácio

Júlio Teixeira de Lima
Katia Pérola
Leila Ullmann
Luiz Carlos Costa Paula
Machado De Carlos
Márcia Sanchez Luz
Marçal Filho
Maia De Melo Lopo
Manuel Paulo

Maria Dolores Pimentel de Rezende
Maria Helena Sleutjes
Maria Moreira
Maria Zimbrunes Dutra

Marco Llobus
Marco Antonio Orsi
Marcus Rios
Marleninha Castilho
Marilia Abduani
Marisa De Medeiros
Marta Bittencout
Mírian Warttusch
Monica Rosenberg
Mora Alves
Neide Cardoso
Neneca Barbosa
Nice Ventura
Osvaldo Antônio Begiato
Osmar Vasconcelos
Homenino Poeta
Raimundo Nonato
Raquel Dias
Regina Pessoa
Regina Kreft
Rô Lopes
Rosângela de Souza Goldoni
Rossana Monteiro
Sá De Freitas
Selene de Lima Maria (Selene Antunes)
Simone Cristina
Sônia Maria Nunes
Télio Diniz
Teresa Improta Monnier
Terezinha Oliveira
Terezinha Werson
Valdeck Almeida De Jesus
Valquíria Cordeiro Goulart Gonçalves
Washington Ramos
Zeza Marqueti


domingo, 10 de junho de 2012

Travessias


"O espetáculo foi criado a partir das técnicas da Dramaturgia do Desejo, desenvolvida pela Cia. Silvana Abreu desde 2003. Essa metodologia implica em criação colaborativa, baseada em treinamento corporal intensivo e estudos interdisciplinares, desenvolvendo uma dramaturgia contemporânea que rompe o limite entre ficção e realidade, em busca de um acontecimento teatral atualizado, intenso, vivo e vibrante.
Com o tema inicial proposto pela diretora – Travessias – os atores-performers elaboraram imagens e narrativas simbólicas sobre suas experiências em situações de atravessamento. Nascimento, amadurecimento, paixão, amor, vida e morte se moldaram no corpo de cada um, a partir de suas vivências únicas pelos diversos rituais de passagem da vida. Essas imagens foram reunidas em composições dinâmicas até maturar numa dramaturgia mais ampla, provocando cada criador a viver realmente uma Travessia durante o processo de criação do espetáculo, além de ritualizar esse acontecimento durante a apresentação pública.
Abordamos então, simbolicamente, as diversas situações limites em que uma pessoa pode se deparar durante a vida e como ela enfrenta, resiste, luta, supera, atravessa e chega a um novo patamar da própria existência, ultrapassando fronteiras que pareciam intransponíveis. A coragem de enfrentar e se lançar a essa travessia, se despojando dos velhos recursos e padrões conhecidos e assumindo todos os riscos. Do outro lado, talvez o nada, talvez a alegria absurda do encontro com a própria vida em intensidade redobrada, compartilhada no rito teatral."

Mais informações no site: http://www.silvanaabreu.com/

sábado, 9 de junho de 2012

A Bruxa, de Drummond

Carlos Drummond de Andrade



(Img: Márcia Sanchez Luz)


Nesta cidade do Rio,
de dois milhões de habitantes,
estou sozinho no quarto,
estou sozinho na América.

Estarei mesmo sozinho?
Ainda há pouco um ruído
anunciou vida ao meu lado.
Certo não é vida humana,
mas é vida. E sinto a bruxa
presa na zona de luz.

De dois milhões de habitantes!
E nem precisava tanto...
Precisava de um amigo,
desses calados, distantes,
que lêem verso de Horácio
mas secretamente influem
na vida, no amor, na carne.
Estou só, não tenho amigo,
e a essa hora tardia
como procurar amigo?

E nem precisava tanto.
Precisava de mulher
que entrasse neste minuto,
recebesse este carinho,
salvasse do aniquilamento
um minuto e um carinho loucos
que tenho para oferecer.

Em dois milhões de habitantes,
quantas mulheres prováveis
interrogam-se no espelho
medindo o tempo perdido
até que venha a manhã
trazer leite, jornal e clama.
Porém a essa hora vazia
como descobrir mulher?

Esta cidade do Rio!
Tenho tanta palavra meiga,
conheço vozes de bichos,
sei os beijos mais violentos,
viajei, briguei, aprendi.
Estou cercado de olhos,
de mãos, afetos, procuras.
Mas se tento comunicar-me
o que há é apenas a noite
e uma espantosa solidão.

Companheiros, escutai-me!
Essa presença agitada
querendo romper a noite
não é simplesmente a bruxa.
É antes a confidência
exalando-se de um homem.


Fonte: Portal São Francisco