terça-feira, 8 de maio de 2012

ALGUM DE VOCÊS ME PEDIU UM SONETO?












Maria João Brito de Sousa


Ouves o Sol a rir, junto à tapada?
Nem sei por que me apresso a despedir
Se acabo de inventar um sol a rir
E assim, quase a partir, nem me dói nada…

Destas conversas - sempre à hora errada! -
Dizendo o que não posso definir
Ou evocando um tempo de partir
Que um dia quis levar-me antecipada,

Deixo este não-sei-quê que não me assusta,
Que me leva e me traz – pouco me custa… –
E acaba por gravar-me um verso ou dois

Que a chibata me vibra, em marca adusta,
Como se fosse só pr`a tornar justa
A dor, menor, que irei sentir depois…


(Soneto publicado com a autorização da autora)

sexta-feira, 27 de abril de 2012

EVOLUTION - poema de Caio Martins

EVOLUTION

© Caio Martins


(Img: Explosão nuclear - web)



















Já podemos explodir
- dizem os jornais -
o planeta centenas de vezes,
- Que coisa!... uma só seria demais...

Ao léu pasta o gado
ao matadouro
pasta o gado...

O poeta é um saltimbanco
o poema é um vagabundo
que pode um verso inútil
contra um míssil nuclear?
A bomba de nêutrons
derreterá a arte
ninguém dá parte
e pelas avenidas se entulham
androides enlatados
em conserva, entalados
cuja sobrevivência é um vício
cuja inconsciência é um ofício.

Ao léu pasta o gado
ao matadouro
pasta o gado...

No espaço sideral há brilhos
sinistros de metais
enquanto a vida abaixo escorre
condenada
desenfreada
por trilhos virtuais.

Ao léu pasta o gado
ao matadouro
pasta o gado...

No limite do planeta
os limites por um triz
a liberdade ancilosada
é velha locomotiva a vapor
se decompondo nas pradarias
enquanto em órbitas, estelares
espaciais engenhos reluzentes
se (de)codificam, frenéticos
sobre os destinos do planeta
e seus piolhos patéticos...

Ao léu pasta o gado
ao matadouro
pasta o gado...

(26/06/1987 - Pensão da Zulmira)


(Poema publicado com a autorização do autor)



sexta-feira, 23 de março de 2012

Aos 80, Chico Anysio se despede desta vida...




Monólogo Mundo Moderno

Chico Anysio


E vamos falar do mundo, mundo moderno
marco malévolo
mesclando mentiras
modificando maneiras
mascarando maracutaias
majestoso manicômio
meu monólogo mostra
mentiras, mazelas, misérias, massacres
miscigenação
morticínio, maior maldade mundial
madrugada, matuto magro, macrocéfalo
mastiga média morna
monta matumbo malhado
munindo machado, martelo
mochila murcha
margeia mata maior
manhazinha move moinho
moendo macaxeira
mandioca
meio-dia mata marreco
manjar melhorzinho
meia-noite mima mulherzinha mimosa
maria morena
momento maravilha
motivação mútoa
mas monocórdia mesmice
muitos migram
mastilentos
maltrapilhos
morarão modestamente
malocas metropolitanas
mocambos miseráveis
menos moral
menos mantimentos
mais menosprezo
metade morre
mundo maligno
misturando mendigos maltratados
menores metralhados
militares mandões
meretrizes marafonas
mocinhas, meras meninas,
mariposas
mortificando-se moralmente
modestas moças maculadas
mercenárias mulheres marcadas
mundo medíocre
milionários montam mansões magníficas
melhor mármore
mobília mirabolante
máxima megalomania
mordomo, mercedez, motorista, mãos
magnatas manobrando milhões
mas maioria morre minguando!
moradia meiágua, menos, marquise
mundo maluco
máquina mortífera
mundo moderno melhore
melhore mais
melhore muito
melhore mesmo
merecemos
maldito mundo moderno
mundinho merda!

quarta-feira, 21 de março de 2012

Feito Raro

© Márcia Sanchez Luz

Pelo Dia Mundial da Poesia


(Img: Márcia Sanchez Luz)
















Embora tudo se transforme
e entorne à terra a água que transborda
transfigurando a única certeza inerte
que embota a alma de tristeza incerta

Embora tudo o tempo apague
e o riso doce transpareça a crença
de uma criança que se agita em festa
desfigurando a lógica que açoita

Embora tudo não se aquiete agora
e a dor que assola não se locomova
na ausência tosca de uma lamparina
ardendo em fogo que nunca se apaga

Eu quero o ar não rarefeito
o feito raro de uma estrela
que atrelada a um minotauro
traga mitos e matrizes
se enlaçando em cicatrizes
entranhadas, renitentes.

sábado, 3 de março de 2012

Poema de Leila Míccolis

Arco-íris e trovões

(Imagem cedida por Leila Míccolis)













Só o céu consegue o tento
de ser bravo e colorido
ao mesmo tempo.


Leila Míccolis



(Poema publicado com a autorização da autora)

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Um soneto de João Justiniano da Fonseca


A FATURA DO TEMPO

João Justiniano da Fonseca
Em 06.2. 2012. 8 horas


(Img: Last Judgement, de Kandinsky)


O tempo está cobrando muito caro
e não dispensa juros de um minuto.
É rei, é imperador, dono absoluto
não tem nobreza e é por demais, avaro.

- Senhor, maneira um pouco o teu disparo,
dá mais espaço e ar a esse conduto.
Não doa tanto a idade! Eu pouco escuto,
tropeço, enxergo mal, é escasso o faro!

Custo tão alto desmerece a vida.
Suaviza então a pena da ferida,
até à hora final e o barro eterno.

Basta que fique por lembrança apenas
igual às leves asas das falenas,
o amor e a luz de algum soneto terno.

(Soneto enviado por email pelo autor)

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Evento Poetas AVSPE 2012


(Tela de Celito Medeiros)


Efigênia Coutinho, Presidente da AVSPE, nos brinda, em mais uma edição primorosa, com um novo evento que reúne diversos poetas. Vale a pena conferir!

http://www.avspe.eti.br/AvspePoetas2012/indice.htm (todos os poetas)
http://www.avspe.eti.br/AvspePoetas2012/MarciaSanchezLuz.htm (minha página)

Obrigada e parabéns pelo belíssimo trabalho, Efigênia!

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

POEMA



© Rogel Samuel


Não posso reter os teus traços
Nem as notas de teu tema
Pois tua música se esquece
Como as vozes do poema
Da paixão, que mais um traço
Foi do azul de minha pena,
E quando te vir já será garço
O repique da tua cena
e o afastado abraço...
(oriunda onda a que cerca de aço
me levarão tuas algemas?)


(Poema publicado com a autorização do autor)