domingo, 30 de maio de 2010

Morre o Poeta Paulo Monti

Paulo Monti partiu em viagem eterna, mas jamais será esquecido.

Obrigada, Poeta. Sua voz estará sempre presente neste meu soneto!

domingo, 2 de maio de 2010

Eclosão


El Giro - Leonid Afremov

Nessa estrela vou pousar
de bailarina:
da cortina de teu palco
vou surgir
enfeitando o filme antigo
que fascina
tua lembrança, lamparina
a emergir.

© Márcia Sanchez Luz

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Quimera


© Regina Coeli


À tarde, quando o sol em despedida
Beija a faceira lua, apaixonado,
Quisera estar com ela, lado a lado,
Amando-a sem chegada nem partida.

A lua, meigamente enlanguescida,
Se mostra ao sol em branco perolado;
Quisera tê-lo em céu bem estrelado
E só a ele amar por toda a vida...

Destino traiçoeiro, quem traçou?
Negar amor a amantes no infinito
Somente nega quem jamais amou...

Ardeu paixão o sol, raiando em grito
Na luz que a amada lua então gestou,
Parindo o seu luar, manso e bonito!


(Soneto publicado com a autorização da autora)

terça-feira, 13 de abril de 2010

Divulgação Leila Míccolis




CAMPANHA DE BLOCOS ONLINE

Depois de oito anos sendo mantido pela iniciativa privada, em 2010 Blocos Online não encontrou uma empresa que o patrocinasse, obrigando-nos, desta forma, a recorrer a você, nosso leitor.
Ficaremos pelos próximos cinco meses — até agosto — recebendo doações a fim de conseguir fundos necessários para a manutenção do portal, medida que, de certa forma, é também uma forma de verificar a importância de um dos maiores portais de poesia do Brasil para você.
Não estipulamos valor prévio para os depósitos, que deverão ser feitos através da conta corrente: 16300-7 Agência 2143 Banco Bradesco (nº 237), em nome de Blocos Editora, Assessoria, Consultoria e Produções Artística Ltda., CNPJ 30123830/0001-77. Solicitamos que o comprovante seja escaneado e nos enviado por e-mail para:
blocos@blocosonline.com.br
Caso o doador queira, poderemos emitir nota fiscal em favor do contribuinte ou de sua empresa.
Certos de que poderemos contar com o apoio de todos, inclusive na divulgação desta campanha — o link desta página é:
http://www.blocosonline.com.br/home/conteudo/campanhablocos.php — agradecemos.


CHAMADA PARA SACIEDADE DOS POETAS VIVOS DIGITAL - VOL. 10

Após nove antologias com o maior sucesso, tendo o respaldo de nomes como Affonso Romano de Sant'Anna, Lêdo Ivo, Thiago de Melo, Antonio Carlos Secchin, Geraldo Carneiro, Glauco Mattoso, Márcia Sanchez Luz, Alice Ruiz, Renata Pallottini, entre outros, a SACIEDADE DOS POETAS VIVOS, vol. 10, já está começando a ser organizada por Leila Míccolis, reunindo 17 poetas de qualidade, também com o intuito de ajudar a manter os onerosos custos do portal Blocos Online. O tema desta vez será BEIJOS (valendo assuntos afins: lábios, beijo roubado, beijo de amor, beijo de Judas, beijo de amizade, etc.). Os interessados devem escrever de imediato para Leila, no e-mail: blocos@blocosonline.com.br

sábado, 3 de abril de 2010

Expurgo



Transborda em mim
a alma de poeta
que, mesmo em festa,
apura o que não presta.

© Márcia Sanchez Luz

domingo, 28 de março de 2010

Ney Matogrosso - "Viajante" (TV Manchete, 1984)

Ney Matogrosso é uma das pessoas mais doces que tive o privilégio de conhecer.
Agora há pouco passei no "Prosa e Verso de Boteco", site de Caio Martins (do qual faço parte), lendo uma prosa poética da Zenaide Negrão, intitulada "Viajante" e não resisti à vontade de publicar este vídeo.
Zê, obrigada por provocar em mim o desejo de revisitar Ney e seu Viajante!

Márcia Sanchez Luz

quarta-feira, 24 de março de 2010

AS VOZES DA POESIA



© Lílian Maial


Que venham todas essas vozes da poesia,
Infernizar-me e blasfemar em meus ouvidos!
Pois que o poeta é um mensageiro da agonia,
E é nessa voz que há o despertar de ecos feridos.

Se tu te calas, calo em mim a melodia,
que os nossos verbos, sem as pautas, são perdidos.
E um simples verso no silêncio bastaria
para avivar esses poemas esquecidos.

Todas as rimas fazem coro na sarjeta,
alardeando que o poeta inexpressivo
perdeu o prumo, o calendário e a vil caneta.

Assim me calo, como tu, sem ter amor,
sem essa voz que acalmaria a borboleta
que se debate sem ouvir a voz da flor.


(Soneto publicado com a autorização da autora)

domingo, 21 de março de 2010

A poesia de Humberto Rodrigues Neto


PALHAÇO TAMBÉM CHORA



© Humberto Rodrigues Neto


Ambos jovens, aos palcos desta vida
subimos, cada qual com seu papel;
vivendo ora a comédia divertida,
ora um enredo de ilação cruel.

Interpretamos cada riso ou pranto
apaixonada e primorosamente,
e ao longo do sucesso que era tanto,
a vida foi andando para a frente!

Mas eis que um dia, entre um ato e outro
do amor o enredo a declinar começa;
sais de um roteiro e te colocas noutro,
rendida ao charme do vilão da peça!

De principal ator eu regredi
a este fantoche que tu vês agora;
finda a comédia é que eu compreendi
por que é que às vezes um palhaço chora!


(Poema publicado com a autorização do autor)


domingo, 7 de março de 2010

Celebrando o Dia Internacional da Mulher


Inalienável Veto



Mero traço que no peito abraça,
abarca em brisas soltas teu sorriso,
mas em vão sequer protege meu achado
das rudes ventanias que destronam a paz!

Quero a semente que te aleita a vida!
Em forma de sustento, o alento é puro.
Se na semeadura teu lago é mais fundo,
que então teus grãos possam nutrir meus dias.

Secreto a ti meus mais parvos idílios!
Caprichos tolos, porém verdadeiros.
E na pujança de meus devaneios
espero a noite que me acorde os sonhos.

Estreitas brumas impelem-me a alma
a transgredir preceitos tão abjetos!
Pois que de tola já me basta a crença
de ser em mim inalienável veto.


© Márcia Sanchez Luz


domingo, 28 de fevereiro de 2010

Morre José Mindlin



08/09/1914 - 28/02/2010

Morre o bibliófilo e acadêmico José Mindlin, quinto ocupante da cadeira 29 da Academia Brasileira de Letras. Ele foi eleito em junho de 2006, na sucessão de Josué Montello.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Poema de Alberto Cohen


Calidoscópio


© Alberto Cohen


As palavras secaram em minha boca
e há tanta coisa, ainda, por dizer...
É o fim, talvez, de um tempo de poesia,
entressafra nos campos do sonhar.
Quando perdi o meu calidoscópio,
a profusão de imagens e de cores
que o menino me deu para espalhar?
Foi no dia em que eu soube que as estrelas
não eram manteúdas do luar,
e os vaga-lumes, brilhando na noite,
apenas pareciam pedacinhos
da luz que elas deviam ter no olhar.
Foi quando entendi que não eras fada,
princesinha encantada, Rapunzel,
e meus poemas pouco mais que tinta
que a caneta escorreu sobre o papel.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Poema de Caio Martins


Elegia Melancólica


© Caio Martins


Não sabes inventar flores.
Apenas existe em ti
a certeza de carregar absurdos
diante destas interrogações todas.

Máscaras grotescas te espiam
dançando em cima do muro.

Tocar violão, ler jornal
andar na rua gritando
música de carnaval...
Adianta, tudo isso?

Mistérios sorridentes
acenam a cada papel que o vento leva.

Pois que leve então o vento
todas as revoltas, todas as violências
que deixares escritas com fel.

Não chegarás a viver os tempos
onde não haja mais negócios
sempre negócios, amigos à parte.

Não chegarás a viver o tempo
de sentar na rua e cantar
por gosto, bobeira, vontade.

Dentre poucas coisas
(complexos, medos
traumas, desejos
teu relógio e a certeza da morte)
carregas em ti a certeza
de não saber inventar flores...

Tudo o mais não é impossível.



(Poema publicado com a autorização do autor)